Com a graça de Deus estamos caminhando neste ano jubilar, proposto pelo saudoso papa Francisco, com muitas iniciativas de reflexões, peregrinações e atividades movimentadas pelas nossas dioceses, a fim de acender no coração do povo de Deus a certeza que o Senhor é a nossa verdadeira e plena esperança, e Nele precisamos estar “ancorados”.
A figura da âncora é muito emblemática quando relacionada à
virtude da esperança. O papa Francisco apresenta esta imagem no final da Bula
de proclamação do Ano Santo no parágrafo 25: “No caminho rumo ao Jubileu,
voltemos à Sagrada Escritura e sintamos, dirigidas a nós, estas palavras: ‘Nós
que procuramos refúgio n’Ele, encontramos grande estímulo agarrando-nos à
esperança proposta. Nessa esperança, temos como que uma âncora segura e firme
da alma, que penetra até ao interior do véu, onde Jesus entrou como nosso
precursor’ (Hb 6, 18-20). É um forte convite a nunca perder a esperança que nos
foi dada, a mantê-la firme, encontrando refúgio em Deus.”
Hoje vemos na sociedade um cenário de insegurança e medo. São as
enfermidades, a instabilidade financeira que gera divisões e diferenças sociais
gritantes, a falta de cuidado com os mais fragilizados, a indiferença da parte
daqueles que deveriam ter um olhar mais cuidadoso e responsável com o povo.
Além disso, a guerra, a fome, a miséria e, por fim, cada vez mais uma
dessacralização e perda do sentido da vida. Tais realidades fazem com que o
coração humano se torne um barco à deriva, levado às maiores tempestades.
Em meio às tormentas da vida, o ser humano precisa ser restaurado
na sua capacidade de confiar. Confiança que foi se perdendo por conta das
decepções e frustrações que todos nós somos passíveis de experimentar. Mas não
podemos perder a visão que tais decepções são apenas as provas que precisamos
passar. Infelizmente, hoje, raramente estamos dispostos a sofrer, a perceber
que o Senhor permite que vivamos certas provações e privações porque a forja
nos possibilita crescer na fé, em santidade, a fim de alcançarmos a promessa do
Céu.
Vemos inclusive, uma geração de jovens muito capacitados no que
diz respeito às novas tecnologias e redes sociais, porém, afetivamente muito
fragilizados, inconstantes e superficiais nas relações que estabelecem. Quando
se deparam com as provas que a vida impõe, não são capazes de suportar a
angústia e o sofrimento, e o resultado, muitas vezes, é o adoecimento psíquico.
É preciso retomar a confiança, a certeza de que temos um Deus que
cuida de nós. Como o Papa nos fala, temos confiança e esperança que as
tempestades da nossa vida não irão prevalecer. Maior é o nosso Deus, é a esperança que precisa ser reavivada em nossos corações, que
supera a tristeza, a insegurança, o pecado e a morte.
Precisamos, sim, recorrer às pessoas, ao acompanhamento clínico,
porque Deus também se utiliza de meios e pessoas para nos auxiliar. Contudo,
como refletido na Carta aos Hebreus anteriormente, nas horas de tempestade é no
Senhor que precisamos encontrar refúgio, não nas coisas, nas pessoas, no
trabalho. O nosso auxílio e confiança precisam estar no Senhor e na sua graça
que não nos abandona.
A esperança na graça de Deus nos impulsiona a prosseguir
corajosamente e decididamente, mesmo se o caminho se apresenta tortuoso e escuro.
A esperança na graça nos coloca como totalmente dependentes do cuidado de Deus,
na certeza de que tudo vai passar e não precisamos cair no desespero que,
inclusive, é a maior investida do inimigo de Deus contra nós.
Que neste percurso do Ano Jubilar o Senhor renove a nossa alegria,
fé, o nosso desejo de nos levantar, mesmo, muitas vezes, sem forças. Não
estamos à deriva, conosco está a nossa “âncora”, a certeza de que não vamos
perecer em meio às tempestades. É o próprio Senhor que nos olha e diz: “Não
tenha medo, coragem, sou Eu!” Que o Senhor nos ajude, pois a esperança não
decepciona! Deus abençoe!
Padre Leonardo Ribeiro - missionário
da Comunidade Canção Nova.
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