Entenda como o efeito 'arrumado para o feed'
tem aumentado a preocupação masculina com imagem visual e movimentado o setor
fashion
Houve
um tempo em que o guarda-roupa masculino orbitava entre poucas opções: uma
camiseta branca de boa qualidade, jeans de corte reto e um tênis versátil
pareciam suficientes para atravessar quase qualquer ocasião. Hoje, basta abrir
o TikTok para perceber que a lógica mudou completamente. Entre vídeos de “Get
Ready With Me”, tutoriais de styling e análises sobre caimento, proporção e
paleta de cores, homens passaram a consumir cada vez mais conteúdo de moda.
Para
Emilio Guerra, CEO da Skyler, rede referência em moda masculina, as redes
sociais mudaram profundamente a relação do homem com a própria imagem. “O
acesso à informação tornou o consumidor masculino muito mais atento e
participativo. Hoje ele acompanha tendências, observa referências e entende que
aparência também comunica posicionamento, estilo de vida e personalidade”,
afirma.
Segundo
o executivo, as mídias sociais tiveram papel importante na democratização da
moda masculina. “Existe uma linguagem mais próxima, menos rígida. O homem
percebeu que estilo não significa excesso de produção, mas autenticidade e
coerência estética”, explica. O chamado efeito “arrumado para o feed” traduz
bem essa transformação, uma vez que a necessidade constante de se ver - e ser
visto - fez da aparência uma extensão da presença digital.
De
acordo com um relatório da Ken Research, as redes sociais atuam como um dos
principais fatores de crescimento do mercado de moda masculina. Segundo a
pesquisa, 75% dos homens entre 18 e 34 anos usam plataformas como Instagram e
TikTok em busca de inspiração de estilo. O dado ajuda a explicar por que
tendências masculinas circulam com tanta velocidade atualmente e como a moda
passou a ocupar espaço mais consistente na rotina de consumo desse público.
Existe
também uma quebra geracional acontecendo. Durante décadas, a vaidade masculina
foi frequentemente associada a excesso ou superficialidade. Agora, estética e
autocuidado aparecem ligados à construção de identidade, autoestima e até
credibilidade profissional.
Essa
influência digital alterou também a forma como homens compram roupas. Se antes
o consumo masculino costumava ser funcional e pontual, agora existe mais
atenção ao conjunto da imagem. “Hoje existe uma preocupação maior com
combinação, caimento e versatilidade. O consumidor masculino chega mais
informado e mais disposto a experimentar novas possibilidades”, comenta Emilio.
O
TikTok acelerou especialmente o interesse por uma estética aparentemente
despretensiosa, mas cuidadosamente calculada. O visual “sem esforço” virou
objetivo comum entre criadores de conteúdo e consumidores. Camisetas básicas,
calças, tricôs minimalistas e tênis discretos ganharam protagonismo justamente
porque funcionam bem diante da câmera, e transmitem a sensação de sofisticação casual
que domina o imaginário digital atual.
Ao
mesmo tempo, o algoritmo criou um ambiente de aprendizado contínuo.
Diferentemente das revistas tradicionais, que historicamente apresentavam
tendências de forma distante, o TikTok oferece sensação de proximidade. Homens
aprendem sobre estilo observando outros homens comuns, montando looks para
trabalhar, viajar ou sair à noite.
“Existe
uma identificação muito forte nesse formato de conteúdo. O consumidor se vê naquela
rotina e entende como adaptar determinadas referências para a própria
realidade”, observa o CEO. Mais do que estimular consumo, o TikTok parece ter
redefinido a própria percepção masculina sobre aparência. Vestir-se bem deixou
de ser entendido apenas como questão estética e passou a dialogar com presença,
comportamento e narrativa pessoal.
Skyler
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