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segunda-feira, 22 de julho de 2024

Alimentação x Saúde Cerebral: entenda a relação

No Dia Mundial do Cérebro, celebrado em 22 de julho, nutricionista dá dicas para potencializar a memória e prevenir demências no futuro

 

A alimentação é um pilar fundamental quando falamos em saúde. Uma dieta equilibrada e diversificada, composta por pratos coloridos que abrangem diferentes grupos alimentares, garante um excelente fornecimento de vitaminas e minerais vitais para o funcionamento adequado do organismo.

Sem dúvida, os benefícios de uma nutrição adequada são vastos, sendo particularmente significativos para uma das áreas mais cruciais do corpo: o cérebro.

De acordo com uma pesquisa conduzida pela Tufts University, nos Estados Unidos, manter uma alimentação saudável, desde quando se é criança, pode contribuir para uma boa saúde mental até os 70 anos, além de prevenir a demência. Para chegar a essa conclusão, pesquisadores analisaram mais de 3 mil adultos do Reino Unido que foram inscritos ainda durante a infância em um estudo chamado “Pesquisa Nacional de Saúde e Desenvolvimento".

"Quando não temos uma variedade de alimentos em nossa dieta, com um consumo limitado de frutas, verduras e legumes, e quando ingerimos muitas frituras, alimentos industrializados e embutidos, acabamos consumindo quantidades insuficientes de vitaminas, minerais e antioxidantes. Em contrapartida, proporcionamos espaço para substâncias nocivas que, ao longo do tempo, podem favorecer o surgimento de doenças cerebrovasculares", afirma Alice Coca, nutricionista do CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”.

A especialista alerta que os alimentos ultraprocessados contêm elementos químicos como corantes, conservantes, aromatizantes, nitrato, entre outras substâncias, que, quando consumidas em excesso e por longos períodos, podem prejudicar a saúde cerebral.

"Por isso, o recomendado é uma alimentação saudável, priorizando alimentos in natura e minimamente processados. Essa será sempre a melhor opção para manter a integridade neuronal e cerebral, além de contribuir para a prevenção de doenças."

Para se ter uma ideia da ligação direta entre a alimentação e a saúde do cérebro, ao não dar a devida atenção ao que se coloca no prato, aumentam-se as chances de desenvolver, ao longo do tempo, Alzheimer e Parkinson, por exemplo.

Além disso, condições como depressão, ansiedade e enxaqueca podem surgir. Adicionalmente, a capacidade de aprendizado pode ser prejudicada.

 

Mas, afinal, o que comer?

Os alimentos que favorecem uma boa memória são aqueles ricos em gorduras saudáveis. Isso se deve ao fato de que o cérebro é composto por 60% de gordura. Portanto, o indicado é consumir gorduras benéficas, ricas em ômega 3 e gordura monoinsaturada.

"Alimentos ricos em gorduras saudáveis possuem propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes, além de melhorarem a transmissão dos impulsos nervosos e, consequentemente, as conexões e a velocidade do pensamento", explica Alice.

Nessa perspectiva, abacate, nozes, castanha-do-pará, salmão, sardinha, ovos, azeitonas e chocolate amargo podem ser excelentes escolhas para incluir na dieta. Também é essencial priorizar o consumo de fibras, pois elas auxiliam no bom funcionamento do intestino e ajudam a manter uma microbiota intestinal saudável. Chia, grão de bico, quinoa e leguminosas são grandes aliadas na alimentação diária.

"As fibras têm uma influência direta na produção de neurotransmissores no intestino. Você pode estar se perguntando qual a relação com o cérebro. Pois bem, é importante lembrar que cerca de 90% da nossa serotonina e 60% da dopamina são produzidas nesse local. Portanto, manter a saúde intestinal é fundamental para a boa saúde cerebral", acrescenta a nutricionista.

Alternativas como iogurte natural, vegetais de folhas verdes (brócolis, couve, agrião, entre outros), azeite de oliva, orégano, salsa, açafrão, gengibre e chá verde também podem ser incorporados à dieta para potencializar o cérebro e a memória.



CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial


O dia mundial das hepatites virais é celebrado 28 de julho e a campanha do Grupo de Fígado do Rio de Janeiro, reforça a conscientização, prevenção e combate à doença

 

 Hospital Universitário Clementino Fraga Filho - UFRJ, Hospital Federal de Ipanema, Hospital Universitário Gaffrée e Guinle e o Centro Carioca de Especialidade participam das ações

 

O dia mundial das hepatites virais é celebrado 28 de julho, em todo planeta. As hepatites virais são um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo. São infecções que atingem o fígado, causando alterações leves, moderadas ou graves.

A doença pode ser causada por vírus ou pelo uso de alguns medicamentos, álcool e outras drogas, assim como por doenças autoimunes, metabólicas ou genéticas.

Todas são doenças silenciosas, não apresentam sintomas, mas quando presentes, elas podem se manifestar como: cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. 

No Brasil, as hepatites virais mais comuns são causadas pelos vírus A, B e C. As infecções causadas pelos vírus das hepatites B ou C frequentemente se tornam crônicas.

E por nem sempre apresentarem sintomas, grande parte das pessoas não sabem que tem a infecção, fazendo com que a doença possa evoluir por décadas sem o devido diagnóstico. 

O avanço da infecção compromete o fígado, sendo causa de fibrose avançada ou de cirrose, que podem levar ao desenvolvimento de câncer e à necessidade de transplante do órgão.

O impacto dessas infecções acarreta aproximadamente 1,4 milhões de mortes anualmente no mundo, seja por infecção aguda, câncer hepático ou cirrose associada às hepatites. A taxa de mortalidade da hepatite C, por exemplo, pode ser comparada às do HIV e tuberculose. 

Atualmente, existem testes rápidos para a detecção da infecção pelos vírus B ou C, que estão disponíveis no SUS para toda a população. Todas as pessoas precisam ser testadas pelo menos uma vez na vida para esses tipos de hepatite. Populações mais vulneráveis precisam ser testadas periodicamente.

Além disso, ainda que a hepatite B não tenha cura, a vacina contra essa infecção é ofertada de maneira universal e gratuita no SUS, nas Unidades Básicas de Saúde. 

É importante lembrar à população que a Hepatite B tem tratamento, assim como a C. E em ambos os casos, B e C, os medicamentos são distribuídos gratuitamente pelo SUS. Já a hepatite C não dispõe de uma vacina que confira proteção. Contudo, há medicamentos que permitem sua cura. 

A campanha “julho Amarelo: mês de luta contra as hepatites virais” foi criada em 2019 e tem como objetivo reforçar as ações de vigilância, prevenção e controle da doença. 

No Rio de Janeiro, o início da campanha aconteceu no dia 30/06 - com o mutirão de Elastografia e Ultrassonografia, realizado pelo Grupo de Fígado em Copacabana, para pacientes do SUS, que aguardavam na fila pelo exame. Foram realizados mais de 60 exames e em alguns pacientes detectadas doenças graves. O Hospital Federal dos Servidores do Estado, oHospital Geral de Bonsucesso, o Hospital Federal de Ipanema, o Hospital Universitário Antônio Pedro /UFF, e Centro Universitário de Volta Redonda fizeram testes gratuitos.

Segundo a Dra. Cassia Guedes Leal, Presidente do Grupo De Fígado do Rio de Janeiro, a prevalência das hepatites virais crônicas (hepatite B e C) no Brasil gira em torno de 0,5%. 

“Hoje no Brasil temos tratamento gratuito para as hepatites virais B e C (é um dos poucos países do mundo que tem tratamento gratuito). Temos no SUS uma rede eficiente de centros habilitados a tratar as hepatites virais. O grande desafio é achar os pacientes com hepatites virais crônicas que não tem sintomas. Para isso, as campanhas de testagem são fundamentais. Considera-se que todos os adultos deveriam ter testagem de hepatites virais pelo menos uma vez na vida. Os testes são gratuitos nos postos de saúde.

O Brasil é signatário de um pacto da OMS com objetivo de eliminar (não é erradicar) as hepatites virais até 2030. Poucos países já atingiram esse objetivo. Para atingirmos os objetivos do pacto da OMS, precisamos fazer muita testagem na população.”


Todas as pessoas devem ser testadas, mas em especial:

- Pessoas com história de transfusão sanguínea antes de 1992.

- Usuário de drogas

- Profissionais do sexo

- Pessoas que fazem sexo sem proteção

- Populações privadas de liberdade

- Profissionais de saúde

 

Centros que participam da testagem do Julho Amarelo, no Rio de Janeiro:


Hospital Federal dos Servidores do Estado: dia 09/07, 100 testes

Hospital Geral de Bonsucesso: dia 09/07,100 testes

Hospital Federal de Ipanema: 10/7, 200 testes.

Hospital Universitário Antônio Pedro /UFF: dia 11/07, 100 testes

UniFOA - Centro Universitário de Volta Redonda: Capacitação, Atenção Primária à Saúde; até o fim do mês

Hospital Universitário Clementino Fraga Filho - UFRJ (toda equipe da Hepatologia) - dia 23/07, 100 testes

Hospital Universitário Gaffrée e Guinle: dia 26/07 - palestra e panfletagem.

Hospital Federal de Ipanema: 26/07, 200 testes,

Centro Carioca de Especialidade: última semana de julho, 300 testes

 

Exercício e vida saudável para combater a tendinite

Professora de Fisioterapia da UniSociesc explica a doença e como ela pode ser prevenida e tratada

 

Quem nunca sofreu com alguma “ite”? Amigdalite, apendicite, faringite… Quando o nome da doença termina com este sufixo, significa que há uma inflamação a caminho ou instalada. E com a tendinite não é diferente. Quando ela entra em campo, as vítimas são os tendões do corpo. Seja nos punhos, cotovelos, joelhos ou em qualquer outra parte, a tendinite pode causar um grande desconforto, muita dor e até comprometer a mobilidade do tendão se não for tratada corretamente. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada 100 pessoas sofre com a doença. A incidência alta não é de se espantar. Afinal, o corpo humano tem milhares de tendões. Mas a boa notícia é que quem pratica exercícios físicos e mantém uma boa qualidade de vida têm menos chances de desenvolver o problema. O alerta é da professora de Fisioterapia da UniSociesc, Ana Flávia Daltro de Melo.  

“Como a função dos tendões é dar suporte aos músculos, a doença pode comprometer os movimentos. Por isso, é importante que todas as pessoas busquem fortalecê-los. É a melhor forma de prevenção e de recuperar áreas lesionadas”, diz. 

De acordo com a professora, a tendinite é uma lesão ou inflamação típica de esforço repetitivo ou da sobrecarga. Conforme Ana Flávia, os tendões suportam uma determinada quantidade de carga, mas, se a pessoa passar da conta, pode sofrer, iniciando um processo inflamatório. E é aí que mora o maior perigo: se deixar o problema rolar, sem buscar a ajuda necessária para o tratamento, a doença pode evoluir para um processo de degeneração. 

“Neste ponto, conseguir reverter é muito mais complexo. Muitas vezes, ela vem chegando de mansinho. É só uma dorzinha ‘chata e incômoda’. Só que se não for levada a sério pode se tornar uma doença crônica, fazendo com que a pessoa sinta dor, além de ir desenvolvendo uma atrofia muscular, acompanhada de dificuldade para realizar movimentos e carregar peso naquela região específica do corpo”, avalia.


 Será que é tendinite? 

O principal sintoma da doença é uma forte dor no local inflamado. O importante é não ficar esperando. O paciente deve procurar ajuda médica. Quanto mais cedo a tendinite for diagnosticada, menos sequelas trará. Após diagnóstico, o ideal é não parar as atividades. 

“Não adianta simplesmente tomar remédio e ficar em casa, porque a dor vai parar, mas a lesão vai ficar lá. O certo é buscar apoio especializado para se recuperar por completo, com a ajuda do fisioterapeuta para um processo de reabilitação. Depois, seria muito importante continuar a realizar os exercícios físicos de forma segura sob a supervisão de um Educador Físico. O acompanhamento de um treinador é ainda mais importante para quem sempre teve uma vida sedentária, para saber regular a quantidade de carga. Já em casos de lesões por repetição, uma solução, depois da reabilitação, seria melhorar a ergonomia do processo de trabalho, e principalmente realizar alongamentos durante a jornada de trabalho”, explica Ana Flávia. 

Além da dor, também é preciso prestar atenção aos sintomas como espasmos nos músculos, dificuldade para carregar peso ou fazer força, inchaço no local da dor, sensação de calor e cor vermelha na região.

 

O segredo está no equilíbrio 

A prática de qualquer atividade física requer cuidado e orientação. Esportes como corridas, futebol e vôlei, por exemplo, podem sobrecarregar os tendões e causar a tendinite. Além disso, pessoas com sobrepeso, obesidade ou com musculatura fraca também têm maior facilidade para desenvolver a doença. 

De acordo com a professora, as comorbidades estão relacionadas com lesões no tendão. Diabetes, obesidade, e o próprio envelhecimento aumentam o risco de desenvolver uma condropatia. “Sedentarismo, doenças crônicas - como a diabetes- e maus hábitos de vida - como o consumo de cigarro - também podem influenciar no aparecimento de tendinites. Por isso, o ideal é se cuidar, praticar exercício de forma segura, comer de forma saudável e beber bastante água”, diz Ana Flávia. 

Outro fator que pode causar a tendinite são as doenças autoimunes, pois o organismo pode ver os tendões como uma ameaça e atacá-lo. Nesses casos, é necessário buscar a ajuda de um reumatologista.

 

Cuidados que podem ajudar na prevenção

 

1.Alongamento e aquecimento adequados

Antes de realizar qualquer atividade física ou tarefa que exija esforço repetitivo, é importante realizar alongamentos ou exercícios específicos para aquecer os músculos e tendões. Isso ajuda a preparar o corpo para o movimento e reduz o risco de lesões, incluindo tendinite.

 

2.Mantenha uma boa postura

Uma postura adequada é fundamental para evitar o estresse excessivo em alguns tendões. Ao sentar-se, ficar de pé ou praticar qualquer atividade, certifique-se de manter uma postura correta, alinhando a coluna vertebral e distribuindo o peso do corpo de forma equilibrada.

 

3.Faça pausas regulares

Se você estiver envolvido em atividades que envolvem movimentos repetitivos, como digitar no computador ou levantar objetos pesados, é importante fazer pausas regulares para descansar os tendões e evitar o acúmulo de estresse. Tente fazer pausas a cada hora para se levantar, alongar, relaxar os músculos e ativar a circulação nas partes do corpo que não estavam sendo movimentadas.

 

 4.Fortaleça os músculos ao redor das articulações

Fortalecer os músculos ao redor das articulações pode ajudar a fornecer suporte adicional e reduzir o estresse nos tendões. Incorporar exercícios de fortalecimento muscular em sua rotina de exercícios pode ajudar a prevenir lesões, incluindo a tendinite. Consulte um Fisioterapeuta ou Educador Físico para obter orientação sobre os exercícios mais adequados para você.

 

5.Use equipamentos ergonômicos

Se você trabalha em um escritório ou realiza tarefas que envolvem o uso prolongado de equipamentos, como teclado e mouse de computador, é importante usar equipamentos ergonômicos que ajudem a reduzir a tensão nos tendões. Isso pode incluir a utilização de cadeiras com suporte adequado para a coluna, teclados e mouse ergonomicamente projetados, ajustes na altura da mesa e apoio para os pés para promover uma postura mais confortável e saudável.

 

6.Alternância de postura durante o trabalho

Se você trabalha sentado ou em pé, seja em ambiente administrativo ou na produção em uma indústria, alterne a postura no máximo a cada duas horas. Essa medida simples ajudará a reduzir as tensões que surgem nos tendões, músculos e articulações durante a jornada de trabalho. 

 

UniSociesc

 

Avanços na Cirurgia de Cabeça e Pescoço: Hospital Sapiranga destaca inovações no Dia Mundial de Conscientização contra o Câncer

Os tumores malignos de cabeça e pescoço representam cerca de 3% de todos os tipos de câncer e é o quinto mais frequente entre os homens, com cerca de 10 mil mortes por ano no país 

 

Detectar precocemente os diversos tipos de câncer de cabeça e pescoço, assim como de qualquer condição clínica, assegura um tratamento mais efetivo e diminui consideravelmente os riscos de complicações. Contudo, essa identificação precoce é ainda mais crucial nos casos de câncer de cabeça e pescoço, pois pode evitar intervenções cirúrgicas que afetam a fala, o olfato e a visão, resultando em impactos na qualidade de vida do paciente, quase sempre irreparáveis. No dia 27 de julho é celebrado o Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço. 

"Os casos mais recorrentes em cirurgia de cabeça e pescoço estão relacionados a tumores da face e pescoço, incluindo aqueles da pele, faringe e laringe. Recentemente, a inovação tecnológica na área, como o uso da Robótica, tem revolucionado a especialidade, permitindo um acesso mais preciso aos tumores com menos impacto nos pacientes", afirma o médico-cirurgião do Hospital Sapiranga, Fábio José Zell.  

A evolução das técnicas cirúrgicas e os avanços no tratamento de tumores de cabeça e pescoço representam uma esperança para milhares de pacientes em todo o mundo. 

 

Marcelo Matusiak e Angelo Pieretti



Estudo identifica proteína que afeta o equilíbrio intestinal e a resposta do corpo a infecções bacterianas

C. difficile é uma bactéria que causa infecção intestinal,
principalmente após o uso de antibióticos. Estima-se que
afete quase meio milhão de pessoas nos Estados Unidos a cada ano
(imagem: CDC)

Camundongos que não produziam a molécula conhecida como IL-22BP apresentavam defesas fortalecidas, relatam pesquisadores em artigo publicado na PNAS. Entendimento sobre o papel da proteína na saúde do intestino abre caminho para novas estratégias terapêuticas

 

Estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) revela como a presença de uma proteína específica – chamada IL-22BP – afeta o equilíbrio intestinal e regula a resposta do corpo a infecções bacterianas.

“Descobrimos que camundongos que não produzem essa proteína estão mais protegidos contra infecções intestinais por bactérias como Clostridioides difficile e Citrobacter rodentium”, conta à Agência FAPESP Marco Vinolo, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp), onde é responsável pelo Laboratório de Imunoinflamação.

Isso acontece porque a IL-22BP (acrônimo em inglês para proteína de ligação à citocina IL-22) reduz a quantidade disponível de interleucina 22 – uma proteína produzida por células do sistema imunológico que ajuda a manter a barreira protetora do intestino, fortalece as células que revestem suas paredes e está envolvida na produção de substâncias antimicrobianas.

“Nossa explicação para esse resultado foi que, na ausência da IL-22BP, a interleucina 22 atua de forma mais eficaz, fortalecendo as defesas intestinais antes mesmo de a infecção começar”, detalha Vinolo, que teve apoio da FAPESP em estudo sobre mecanismos moleculares envolvidos na microbiota durante a inflamação.

No artigo recém-publicado, os pesquisadores relatam que a composição de bactérias encontradas no trato gastrointestinal dos camundongos que não tinham a proteína IL-22BP era diferente. Ao transferir as bactérias intestinais desses animais para aqueles com a produção normal da IL-22BP, observaram o efeito de proteção contra infecções, sugerindo que a ausência da proteína de ligação resulta em uma modulação benéfica da microbiota intestinal.

“Vimos que essa resistência à infecção estava relacionada ao aumento na produção de ácidos graxos de cadeia curta, moléculas liberadas pela fermentação de fibras alimentares por bactérias intestinais e que possuem efeitos benéficos à saúde do intestino, incluindo a promoção de um ambiente anti-inflamatório e o fortalecimento da barreira intestinal”, detalha José Luís Fachi, pós-doutorando na Washington University School of Medicine (Estados Unidos) e primeiro autor do artigo.

O pesquisador teve apoio da Fundação durante o doutorado, quando estudou a interação entre as bactérias intestinais e a colonização por C. difficile, bacilo resistente a diversos agentes antimicrobianos. Os ácidos graxos de cadeia curta são produtos do metabolismo bacteriano durante o processo de fermentação de fibras alimentares e exercem um efeito protetor frente às infecções intestinais, tal como a causada pela bactéria C. difficile.

Vinolo, que também foi orientador de Fachi no doutorado, destaca que a ausência de IL-22BP modifica a composição e a funcionalidade da microbiota intestinal “e resulta em um perfil benéfico ao organismo, o que ressalta o papel da microbiota na regulação das respostas do organismo, assim como indica a possibilidade de atenuar ou prevenir infecções intestinais via inibição de IL-22BP”.


Novos caminhos

Com o achado, estudos futuros podem ser delineados para aprofundar o entendimento e a aplicação terapêutica da descoberta. “Primeiramente, é essencial investigar a eficácia de inibidores de IL-22BP em modelos animais e, eventualmente, em ensaios clínicos para tratar infecções intestinais graves”, pondera Fachi. Além disso, explorar como diferentes tipos e quantidades de fibras alimentares afetam a produção de ácidos graxos de cadeia curta. “A composição da microbiota na ausência de IL-22BP pode fornecer informações valiosas”, ressaltam os autores.

A modulação da microbiota intestinal pode beneficiar outras condições inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn e a colite ulcerativa, além de infecções intestinais causadas por outros patógenos.

“Estudar como IL-22 interage com outras moléculas e células do sistema imunológico na ausência de IL-22BP ajudará a entender melhor sua função na imunidade intestinal. Esses estudos futuros têm o potencial de transformar nosso entendimento sobre o papel dessas proteínas na saúde intestinal e levar ao desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas para prevenir e tratar infecções intestinais”, conclui Vinolo.

O estudo envolveu pesquisadores do Departamento de Genética, Evolução, Microbiologia e Imunologia do IB-Unicamp e do Departamento de Patologia e Imunologia da Washington University School of Medicine, nos Estados Unidos.

O artigo Deficiency of IL-22–binding protein enhances the ability of the gut microbiota to protect against enteric pathogens pode ser lido em: www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2321836121.

 


Ricardo Muniz
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/estudo-identifica-proteina-que-afeta-o-equilibrio-intestinal-e-a-resposta-do-corpo-a-infeccoes-bacterianas/52256

 

Mais de 1 milhão de estudantes retornam às aulas na próxima quarta-feira (24) na Rede Municipal de São Paulo

Professores voltam para as unidades na segunda-feira (22) para planejamento do semestre 


Na próxima quarta-feira (24), mais de 1 milhão de estudantes da Rede Municipal de Ensino (RME) voltam às aulas nas mais de 4 mil unidades educacionais. Os professores retornaram nesta segunda-feira (22) para planejamento das ações pedagógicas para o segundo semestre. Todas as programações serão retomadas, assim como atividades no contraturno, recuperação de aprendizagens e serviços como o Transporte Escolar Gratuito. 

Durante o período de recesso os bebês e crianças tiveram acesso a atividades de lazer, cultura, recreação, esporte e passeios com o Recreio nas Férias que aconteceu em 132 polos espalhados pela cidade. Além de refeições diárias para garantir a segurança alimentar.  

Também serão retomadas as ações de Busca Ativa como o trabalho das Mães Guardiãs para a proteção do direito à escolarização com o apoio no acompanhamento da frequência escolar e as visitas domiciliares nos casos de frequência irregular.  

Com a retomada das aulas são mais de 2,7 milhões de refeições diárias na merenda escolar. Nas creches, por exemplo, as crianças têm direito a cinco refeições diárias, com cardápio elaborado por nutricionistas priorizando a oferta de alimentos in natura e minimamente processados, de acordo com as diretrizes nutricionais estabelecidas pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). 

O crédito para aquisição de material e uniforme em lojas credenciadas também segue disponível por meio do aplicativo Kit Escolar DUEPAY. As famílias têm até 31 de outubro para utilizar o valor disponibilizado para esse ano letivo. Para a compra do uniforme, o valor do benefício é de R$ 583,60. Já para o material escolar, os créditos para os kits variam de R$ 132,04 (para as crianças do berçário) até R$393,39 (alunos do ensino fundamental).


Secretaria Municipal de Educação  


Com a intenção de consumo em queda, famílias paulistanas de menor renda são as mais prejudicadas

Expectativas econômicas desfavoráveis e inflação contribuíram para a queda do consumo em junho; índice atinge o menor patamar desde agosto de 2023 

 

Os lares paulistanos continuaram menos propensos às compras no mês de junho, especialmente as de baixa renda. O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), que mede a tendência de consumir no curto e no médio prazos, na cidade de São Paulo, caiu 1,7% — ao passar de 109,3 pontos, em maio, para 107,4 pontos, em junho. No entanto, na comparação anual, o resultado ainda é positivo, visto que cresceu 7% [gráfico 1]. 

 

[GRÁFICO 1] ÍNDICE DE INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS (ICF)
Fonte: FecomercioSP 

 


Na visão da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a queda na intenção de consumo das famílias paulistanas foi motivada, principalmente, pelas incertezas econômicas. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) subiu 0,45%, em relação ao mês anterior, e já acumula alta de 3,93% nos últimos 12 meses. Essa alta exerce forte influência no orçamento doméstico, em especial entre os lares que recebem até dez salários mínimos. Prova disso é que houve uma queda de 1,7% na intenção de consumo, passando de 106,8 pontos, em maio, para 104,9 pontos, em junho, o menor patamar desde agosto do ano passado. Para as famílias que recebem acima de dez salários mínimos também houve recuo, mas em menor proporção, passando de 116,5 para 114,7 pontos, queda de 1,6%.
 

Dos sete indicadores que compõem o ICF, seis registraram queda [tabela 1]. A perspectiva profissional foi a que apresentou o maior recuo (4,5%), passando de 115,7 pontos, em maio, para 110,6 pontos, em junho. O cenário laboral como um todo tem gerado apreensão entre os trabalhadores, também motivado pelas incertezas econômicas.


[TABELA 1]
ÍNDICE DE INTENÇÃO DE CONSUMO DAS FAMÍLIAS (ICF)
Fonte: FecomercioSP



 

A insegurança quanto ao futuro profissional impacta negativamente outros indicadores, como perspectiva de consumo (3,9%), nível de consumo atual (1,8%), emprego atual (1,2%), acesso ao crédito (2,9%) e momento para duráveis (0,7%). Este último alcançou 79,8 pontos, indicando que os consumidores estão mais pessimistas a consumir produtos de alto valor agregado.

Por outro lado, o indicador renda atual foi o único a registrar alta (2,3%) no mês de junho, ainda influenciado pelos bons resultados do emprego. O dinheiro no bolso das famílias paulistanas tem impulsionado mais o consumo em setores como serviços e bens de consumo rápido, em comparação ao ano passado. Nos últimos 12 meses, o crescimento foi de 11,4%.


Otimismo em baixa

Apesar da queda observada nos últimos quatro meses, o ICF segue acima dos 100 pontos, o que ainda demonstra uma satisfação em relação às intenções de consumo. No entanto, na análise da FecomercioSP, de maneira geral, os paulistanos estão menos otimistas quanto ao momento atual e ao futuro, com incertezas profissionais, dificuldade de acesso ao crédito e impacto negativo na decisão de comprar bens duráveis, que dependem de variáveis como emprego, renda e crédito. A Entidade alerta ainda que fatores como inflação e pressão no preço dos alimentos, em razão das enchentes do Rio Grande do Sul, podem impedir uma alta maior do ICF e provocar oscilações no indicador nos próximos meses.

 

Ainda assim, o aumento na percepção de renda atual pode representar uma oportunidade para os empresários, visto que os consumidores devem estar mais propensos a gastar em serviços e necessidades básicas. Por outro lado, é preciso estar atento a previsões de vendas e expansão, reajustando o planejamento conforme a evolução do cenário macroeconômico.

ICC

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), que mede o otimismo dos paulistanos com o cenário econômico, voltou a subir (0,5%), atingindo 127 pontos [tabela 2]. O resultado foi incentivado pela melhoria nos dois itens que integram os indicadores. O Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) cresceu 0,6%, atingindo 116,5 pontos, promovido pelas melhores condições de renda, emprego e juros. Além disso, registrou uma alta de 15,3% no comparativo anual.

[GRÁFICO 2] ÍNDICE DE CONFIANÇA DO CONSUMIDOR
Fonte: FecomercioSP 

 


Já o Índice de Expectativas dos Consumidores (IEC) cresceu 0,4%, alcançando 134,1 pontos. No entanto, o indicador sofreu uma queda de 5,2% quando comparado ao mesmo período do ano passado. Segundo a FecomercioSP, essa variação pode estar relacionada às dúvidas dos consumidores com relação a emprego e a acesso ao crédito para a compra de bens duráveis.

Assim como no ICF, é preciso ficar atento ao cenário dos próximos meses. A expectativa é que o custo de vida da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) aumente em decorrência do desastre ambiental no Rio Grande do Sul. A cadeia produtiva deve ser impactada pela escassez, e o desequilíbrio entre oferta e demanda deve pressionar os preços.

Notas metodológicas 

ICF 

O Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) é apurado mensalmente pela FecomercioSP desde janeiro de 2010, com dados de 2,2 mil consumidores no município de São Paulo. O ICF é composto por sete itens: Emprego Atual; Perspectiva Profissional; Renda Atual; Acesso ao Crédito; Nível de Consumo; Perspectiva de Consumo e Momento para Duráveis. O índice vai de zero a 200 pontos, no qual abaixo de cem pontos é considerado insatisfatório, e acima de cem pontos, satisfatório. O objetivo da pesquisa é ser um indicador antecedente de vendas do comércio, tornando possível, a partir do ponto de vista dos consumidores e não por uso de modelos econométricos, ser uma ferramenta poderosa para o varejo, para os fabricantes, para as consultorias, assim como para as instituições financeiras.  

ICC 

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) é apurado mensalmente pela FecomercioSP desde 1994. Os dados são coletados com aproximadamente 2,1 mil consumidores no município de São Paulo. O objetivo é identificar o sentimento dos consumidores levando em conta suas condições econômicas atuais e suas expectativas quanto à situação econômica futura. Esses dados são segmentados por nível de renda, sexo e idade. O ICC varia de zero (pessimismo total) a 200 (otimismo total). Sua composição, além do índice geral, se apresenta como: Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) e Índice das Expectativas do Consumidor (IEC). Os dados da pesquisa servem como um balizador para decisões de investimento e para formação de estoques por parte dos varejistas, bem como para outros tipos de investimento das empresas.

 


FecomercioSP
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