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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Violência e saúde ineficiente são os problemas que mais afetam o brasileiro, mostra pesquisa Ipsos



A falta de um emprego é o terceiro problema mais mencionado no estudo


O quesito que mais afeta a vida dos brasileiros é “segurança, violência e criminalidade”. Essa opção foi escolhida por 67% dos brasileiros que participaram da pesquisa Pulso Brasil, realizada pela Ipsos entre 1 e 12 de julho. Na sequência, aparece “serviços de saúde deficientes” (54%) e “desemprego” (43%).

A preocupação com violência é alta em todas as faixas de renda, mas as classes alta e média são quem mais se sentem afetadas. Ao todo, 73% dos entrevistados que ganham entre cinco e dez salários mínimos e dos que recebem acima de 20 salários mínimos mencionaram segurança como sua principal preocupação. 

Esse número cai para 54% entre os que ganham até um salário mínimo, ficando atrás de falta de emprego (55%), que foi o item considerado como maior preocupação por essa faixa de renda.  

Os serviços deficientes em saúde, o segundo maior problema para os brasileiros de acordo com a pesquisa Ipsos, recebeu mais menções entre os mais velhos, tendo sido mencionado por 72% daqueles com 66 anos ou mais, e entre os mais pobres, sendo apontado por 61% dos pesquisados que recebem entre um e dois salários mínimos.


Entre os que ganham acima de 20 salários mínimos, a opção foi mencionada por apenas 27% dos entrevistados. Para a camada mais rica da população, congestionamento de veículos é a segunda preocupação mais mencionada.
A falta de emprego é mais sentida por aqueles entre 35 e 44 anos. De acordo com a pesquisa, 49% das pessoas nessa faixa etária afirmam que o desemprego é o problema que mais afeta suas vidas. 

Entre as classes sociais, os mais pobres, que recebem até um salário mínimo, são os que mais mencionam esse item (55%). Entre as regiões, o Nordeste é onde a falta de emprego é mais sentida, sendo mencionada por metade (51%) das pessoas pesquisadas.

“Durante a boa fase da economia vivida na última década, mais brasileiros ascenderam socialmente e passaram a demandar melhores serviços. Problemas sociais de longa data, como saúde deficiente e a violência endêmica, ganharam relevância, especialmente porque as necessárias reformas nessas áreas nunca aconteceram de maneira consistente. Com o declínio da economia, vemos, além da demanda por melhores serviços, a preocupação  com o desemprego, que agora passa a fazer parte desse rol de preocupações mais urgentes na vida das pessoas”, afirma Danilo Cersosimo, diretor da Ipsos Public Affairs.

Os resultados fazem parte do levantamento mensal da Ipsos, Pulso Brasil, realizado no país desde 2005. Nesse módulo, a Ipsos perguntou aos entrevistados “Qual é o problema que mais o(a) afeta pessoalmente?”. 

Foram apresentadas 19 opções aos entrevistados: a pobreza, a falta de emprego, más condições de moradia, segurança, violência & criminalidade, venda & consumo de drogas, serviços de saúde deficientes, serviços de educação deficientes, sistema de transporte público deficiente, o congestionamento de veículos, a poluição, falta de água, falta de energia elétrica, falta de rede de esgoto, coleta de lixo e limpeza urbana.

A pergunta foi estimulada com cartão rodiziado. Foram dadas quatro versões de cartões e as opções de resposta apareciam em ordens alternadas. Não houve esposta espontânea para essa questão.

O que resolver primeiro?
A pesquisa também analisou quais problemas os brasileiros acreditam que precisam ser resolvidos primeiro. A falta de emprego ficou no topo da lista, sendo escolhida por 53% dos entrevistados. O tópico é uma prioridade para 57% entre aqueles que ganham entre três e cinco salários mínimos. Para aqueles que recebem acima de 20 salários mínimos, o item recebeu 8% das menções.




No Norte, resolver a falta de emprego é a prioridade de mais da metade dos pesquisados (67%), seguida pelo Sul, onde 61% dos pesquisados acreditam que esse quesito precisa ser prioritário. No Centro-Oeste, 43% afirmam que falta de emprego é o problema que precisa ser resolvido primeiro.

Em segundo lugar na lista, o problema que mais precisa ser endereçado é a má qualidade da assistência médica. De acordo com a pesquisa, 48% dos pesquisados citaram esse tópico, com maior incidência entre aqueles que recebem entre um e três salários mínimos – metade (50%) dos pesquisados nessas faixas de renda mencionaram serviço de saúde ruim como o segundo problema prioritário no Brasil hoje. O item teve mais menções no Sul (54%) e menos no Centro-Oeste (46%).

Crimes e violência contra as pessoas foi mencionado por quatro entre dez entrevistados (41%), sendo que a incidência de respostas foi maior entre os de 45 a 59 anos (50%) e entre os mais pobres, sendo mencionado por metade (51%) entre os que ganham entre um e dois salários mínimos. Os entrevistados do Norte foram os que mais citaram a necessidade de se resolver a violência (60%). Já os do Sudeste foram os que citaram menos esse item (39%).
 



 

Conheça mais sobre a ventosaterapia: o tratamento de Michael Phelps




Fisioterapeuta e acupunturista explicam sua finalidade, recomendam e dizem que, nem sempre, fica tão roxo assim
Se você está vidrado acompanhando os Jogos Olímpicos e assistiu o nadador americano, Michael Phelps levar para casa sua 21ª medalha de ouro olímpica, também estranhou as marcas roxas cobrindo suas costas e ombros. Embora causem uma primeira impressão meio estranha, Michael Phelps, assim como todos os outros competidores de ponta que utilizam da técnica, não estão tendo nenhum problema com dores e locomoção. Pelo contrário, o norte-americano conquistou com maestria - e folga - o primeiro lugar na natação dos Jogos Olímpicos 2016.

A técnica utilizada, como comenta a fisioterapeuta, Ana Gil, se chama ventosaterapia, ou cupping therapy.  “A terapia com ventosas, provém da medicina chinesa e pode ser utilizada tanto para diagnosticar, quanto para tratar diversas enfermidades. A prática consiste em utilizar copos de vidro com fogo, ou ventosas, aplicados diretamente sobre a pele, em áreas específicas do corpo ou nos meridianos da medicina tradicional oriental. Pode ser aplicada de forma fixa ou deslizante”, explica.

Segundo a especialista, seu objetivo é trazer o sangue para a periferia da pele e músculos, para induzir a troca gasosa nas células dos tecidos. Assim, libera-se a estagnação e permite um fluxo sanguíneo enérgico, local e sistêmico. Através de uma desintoxicação no fluxo local, elimina dores musculares, pós-exercícios, por diminuir consideravelmente a concentração de ácido lático após o esforço muscular excessivo.

“É uma técnica preventiva muito utilizada nos esportes. Ajuda a melhorar o desempenho do atleta, porque nutri as fibras musculares mais solicitadas”, diz Ana Gil “Métodos mais atuais, utilizam copos de plástico e uma pistola apropriada para a sucção", diz o Dr. Israel Amud, acupunturista do Espaço Ana Gil e adepto a técnica. "A pistola tem a vantagem de deixar menos marcas na pele, ou mais suaves, mantendo os mesmos benefícios terapêuticos", explica.

Segundo a fundadora do Espaço Ana Gil, esse método tem eficácia comprovada e não somente no combate a dores de atletas. “O método é indicado para desintoxicação em geral. Além de reduzir as dores nas costas e promover relaxamento muscular, ajuda a combater reumatismos, enxaquecas, diminui aparência de cicatrizes e até da celulite. Além disso, também alivia ansiedade e stress”, afirma a fisioterapeuta.

No entanto, de acordo com Ana Gil, a terapia com ventosas também tem seus riscos e certos grupos não são aconselhados a fazê-la. Pacientes com suspeitas de hemorragias de qualquer natureza, gestantes acima de sete meses, pacientes com dermatites - psoríase, micoses, cortes e ferimentos recentes no local da aplicação - insuficiência cardíaca, quadros viróticos e osteoporose severa, devem procurar outras fontes de tratamento.



Espaço Ana Gil
Ana Gil - Fisioterapia, Estética e Pilates
Av. das Américas, 2.250, sala 306, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, RJ.

Investimentos e parcerias





O crescimento econômico observado no passado recente foi fortemente baseado no consumo. O cenário atual é outro e voltar a crescer de modo sustentado somente será possível com a expansão dos investimentos, sobretudo em infraestrutura.

O poder público foi incapaz nos últimos anos de promover ações que pudessem elevar a taxa de formação de capital para manter o PIB crescendo. Se a demanda avança e a oferta não acompanha o resultado é inflação, crescimento minguado e até recessão.

O país não tem como acelerar seu crescimento por longo tempo em função do baixo nível de investimento em infraestrutura. O Brasil investe nessa área o equivalente a 1,5% do seu PIB, enquanto a média global é de 3,8%. Para enfrentar esse gargalo, frente a orçamentos restritivos e a impossibilidade de impor mais impostos ao contribuinte, a alternativa passa pela criação de um ambiente que estimule e facilite a celebração de parcerias entre o poder público e as empresas.

A convergência de interesses legítimos dos setores governamental e privado se faz necessária para o Brasil implementar os investimentos requeridos para a expansão e manutenção da infraestrutura. Por conta disso, vale a tese do economista Vilfredo Pareto, segundo a qual as transações entre dois agentes econômicos ocorrem quando ambos satisfazem seus interesses. Essa ideia precisa ser difundida e deve nortear as ações relacionadas ao desenvolvimento socioeconômico no país.

Nesse sentido surgem as Parcerias Público-Privadas (PPPs). Esse instrumento teve origem na Inglaterra da era Thatcher, através das Public Private Partnerships, e no Brasil surgiu apenas em 2004. As PPPs revelam enorme potencial para assumir importante papel para os investimentos no país. Para cumprir essa função é preciso superar vários entraves à sua expansão e consolidação. 

A inflexibilidade das leis, a instabilidade inflacionária, a fragilidade financeira do poder público, a tributação desestimuladora e a desconfiança nas relações entre o governo e o setor privado limitam o uso desse instrumento.

Cumpre lembrar que, historicamente o setor privado vem investindo em bens públicos e explorando atividades de produção, distribuição e controle, sob o comando do governo. Trata-se de uma antiga tradição, não apenas na história brasileira, mas no mundo inteiro. Na transição do século 19 para o século 20, toda a infraestrutura pública no Brasil foi feita de forma extremamente bem-sucedida através de parcerias entre os setores público e privado. As estradas de ferro, todas construídas e operadas pelo setor privado, são um exemplo disso, assim como as concessões de água, a distribuição de energia elétrica, o transporte coletivo e as companhias de bondes de São Paulo e de outras cidades brasileiras.

Até meados do século 20, era comum que essas parcerias fossem utilizadas para suprir a incapacidade do setor público em investir tanto quanto a sociedade moderna demandava. Considerar novamente esse instrumento não seria, portanto, uma grande novidade, mas um resgate dessa experiência e sua reintrodução como meio para o financiamento da expansão da infraestrutura. Para isso, é necessário que se reflita sobre as melhores experiências e as melhores práticas em uso no mundo – assuntos que foram, em grande parte, deixados de lado no Brasil devido a preconceitos que devem ser superados.







Marcos Cintra - doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas.

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