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sábado, 12 de setembro de 2026

Queda hormonal pode acompanhar mudanças na hidratação, firmeza e sustentação da pele, mas a solução não é apenas “preencher o que mudou”


A menopausa é sentida na pele, literalmente. A cútis fica mais seca e fina, enquanto mudanças relacionadas ao colágeno e à sustentação dos tecidos contribuem para uma percepção diferente do contorno facial. Para Daiany Rodrigues Freire, enfermeira estética e biomédica estética, essas alterações fazem parte do processo de envelhecimento e não devem ser encaradas como algo que precisa ser “consertado”. O desafio da estética contemporânea, segundo ela, é justamente o contrário: entender o que mudou sem apagar aquilo que torna cada rosto único.

“Uma mulher não chega à menopausa e, de repente, precisa parecer dez ou vinte anos mais jovem. O objetivo deve ser cuidar daquele rosto respeitando sua história, suas proporções e sua identidade. Um bom resultado não deveria fazer alguém perguntar qual procedimento ela fez, mas perceber que ela está bem, descansada e com uma aparência saudável”, afirma.
 

Menos colágeno, hidratação e sustentação: por que o rosto muda na menopausa?

A transição para a menopausa envolve uma redução dos níveis de estrogênio, hormônio que também participa de processos relacionados à pele. Nesse período, podem ocorrer mudanças na hidratação, elasticidade, espessura e produção de colágeno.

Mas Daiany ressalta que olhar apenas para a superfície da pele é insuficiente. O envelhecimento facial ocorre em diferentes planos: pele, tecido adiposo, musculatura e estruturas de sustentação sofrem modificações ao longo dos anos.

“É por isso que tratar somente uma ruga ou preencher um sulco nem sempre entrega naturalidade. Muitas vezes, aquela marca que aparece na superfície é consequência de transformações que estão acontecendo em outras estruturas. Precisamos olhar para o rosto inteiro antes de decidir o que realmente precisa — ou não precisa — ser tratado”, explica.
 

Por que simplesmente preencher pode deixar todo mundo parecido?

O desejo de recuperar volumes perdidos levou à popularização dos preenchimentos faciais. O problema começa, segundo a especialista, quando o procedimento deixa de respeitar a anatomia individual e passa a perseguir um mesmo padrão estético.

Maçãs do rosto muito projetadas, mandíbulas excessivamente marcadas, lábios com proporções semelhantes e rostos cada vez mais volumizados podem produzir justamente o efeito que muitas mulheres querem evitar: parecer que fizeram procedimento.

“Não existe um formato de rosto ideal para todas as mulheres. Quando usamos a mesma lógica, os mesmos pontos e tentamos chegar às mesmas proporções em pessoas diferentes, começamos a apagar características individuais. Estética não deveria fabricar um rosto novo”, afirma Daiany.
 

A menopausa não acontece apenas na pele

Por isso, a especialista defende uma avaliação global. Em alguns casos, a prioridade pode ser melhorar hidratação, textura e qualidade da pele; em outros, estimular colágeno ou trabalhar alterações de sustentação. Quando existe perda estrutural importante, recursos de reposição de volume podem ser considerados de maneira pontual e estratégica.

Entre as possibilidades utilizadas na estética estão tratamentos voltados à bioestimulação e regeneração, tecnologias, microagulhamento, radiofrequência microagulhada, laser de CO fracionado e ácido hialurônico para reposições estruturais quando indicadas. A escolha e a combinação dependem das características de cada paciente e devem respeitar as indicações e contraindicações de cada técnica.

“A associação de tratamentos pode ser muito mais interessante do que tentar resolver tudo aumentando volume. Se existe alteração de pele, tratamos pele. Se existe perda de sustentação, avaliamos sustentação. Se realmente existe uma perda estrutural que justifique reposição, ela deve ser feita de maneira precisa. Não é preencher por preencher”, explica.
 

Envelhecer bem não significa parecer que não envelheceu

Para Daiany, a maior mudança na estética voltada às mulheres maduras está justamente na expectativa do resultado. Em vez de perseguir um rosto sem rugas, o objetivo passa a ser preservar identidade, proporção, movimento e expressão.

Isso também significa aceitar que linhas, mudanças de contorno e outras características fazem parte do envelhecimento — inclusive durante e após a menopausa.

“A naturalidade não é deixar de cuidar. É saber até onde ir. A mulher pode querer melhorar a qualidade da pele, recuperar determinada sustentação ou suavizar algo que a incomoda sem precisar transformar suas feições. O melhor procedimento é aquele que não vira protagonista do rosto. A pessoa continua sendo reconhecida por ela mesma, e não pelo que fez”, finaliza Daiany. 



Daiany Rodrigues Freire - enfermeira estética e biomédica.
Conselho Regional de Enfermagem (Coren) nº 72548
Conselho Regional de Biomedicina (CRBM nº 64.089
Enfermeira e biomédica com pós-graduação em Enfermagem Estética.
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