A dor não controlada reduz a qualidade de vida e pode aumentar o risco de sofrimento emocional; especialista defende a investigação detalhada para definir intervenções e devolver autonomia ao paciente.
Conviver diariamente com uma dor que não encontra uma
explicação clara nos exames pode provocar impactos que ultrapassam a limitação
física. Sem um direcionamento clínico adequado, o paciente enfrenta uma jornada
prolongada em busca de alívio, afasta-se de atividades sociais e passa a ter
dificuldades no trabalho e no convívio familiar.
A dor lombar afetava aproximadamente 619 milhões de pessoas
em 2020 e permanece como a principal causa de incapacidade no mundo, segundo a
Organização Mundial da Saúde. A persistência dessa e de outras dores, principalmente
quando não existe uma compreensão adequada do quadro, pode alimentar
sentimentos de frustração, insegurança e desesperança.
O médico ortopedista Ramires Fahfe, intervencionista em dor
e pós-graduado em Dor pelo Hospital Israelita Albert Einstein, explica que o
sofrimento prolongado também desgasta a saúde mental. “Quando a pessoa passa
meses ou anos sentindo dor sem entender a origem do problema, ela pode começar
a desacreditar na recuperação. O isolamento surge não apenas pela limitação de
movimento, mas também pelo cansaço de tentar explicar o que sente e não ser
compreendida”, afirma.
Medicamentos podem fazer parte do controle da dor, mas o
tratamento não deve se limitar ao alívio pontual dos sintomas sem uma
reavaliação do quadro. É necessário considerar fatores estruturais,
neurológicos, inflamatórios e comportamentais, além da rotina e das condições
gerais de saúde do paciente.
A dor crônica nem sempre possui uma causa única. Por isso, a
investigação detalhada ajuda a identificar os mecanismos envolvidos e a definir
uma abordagem individualizada. O tratamento pode reunir medicamentos,
reabilitação, mudanças na rotina e procedimentos intervencionistas, conforme a
necessidade de cada pessoa.
“Tratar a dor não significa apenas prescrever um analgésico
para o sintoma daquele dia. Precisamos compreender quais fatores mantêm o
quadro e escolher intervenções adequadas. Esse cuidado pode devolver
mobilidade, autonomia e qualidade de vida, permitindo que a pessoa retome
gradualmente sua rotina e o convívio social”, ressalta o médico.
Além da intensidade, sinais como duração da dor, perda de
mobilidade, alterações de sensibilidade, dificuldade para dormir e impacto
emocional devem ser considerados durante a avaliação. Quando o desconforto
persiste, piora ou interfere nas atividades cotidianas, a orientação é buscar
acompanhamento especializado.
“Quanto mais tempo a pessoa permanece sem compreender o próprio quadro, maior pode ser o impacto sobre sua confiança e independência. Um diagnóstico bem conduzido não serve apenas para dar nome à dor, mas para construir um caminho de tratamento compatível com as necessidades e os objetivos daquele paciente”, conclui Ramires.
Fonte: Dr. Ramires Fahfe — médico ortopedista, intervencionista em dor e pós-graduado em Dor pelo Hospital Israelita Albert Einstein.
Instagram: @dr.ramiresfahfe
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