Pesquisar no Blog

domingo, 13 de setembro de 2026

Obesidade em pets: saiba como identificar e prevenir a doença

Imagem: Giulia Pinheiro
Médica veterinária alerta para a quantidade de gordura e impactos na qualidade de vida do animal

 

A obesidade em cães e gatos é uma situação cada vez mais frequente no cotidiano, podendo colocar em risco a saúde e o bem-estar dos animais. Definida pelo acúmulo de gordura corporal, a doença está diretamente associada ao desequilíbrio entre a quantidade de calorias ingeridas pelo pet e a perda energética por meio de exercícios físicos, como passeios e brincadeiras.   

Segundo a Dra. Emanuelle Degregori, professora do curso de medicina veterinária da UNINASSAU Boa Viagem, é possível identificar se o pet está acima do peso utilizando um critério chamado de Escore de Condição Corporal (ECC), tendo como principal objetivo a avaliação visual e a palpação. "Avaliamos se as costelas são pouco evidentes, assim como a coluna e outras proeminências ósseas, se o animal possui marcação evidente na região abdominal ou se o abdome é distendido, além de palpação da gordura corporal. A partir disso, podemos classificar esse animal em níveis que variam de magro até obeso. Contudo, o próprio tutor também pode referir e observar mudanças nos hábitos do pet, identificando que ele está mais cansado, sedentário, com dores articulares e dificuldade para locomover-se e até de respirar", explica a professora.   

Segundo a especialista, a diferença de um pet acima do peso para um obeso, está basicamente na quantidade de gordura acumulada e o impacto que isso gerará na qualidade de vida do animal. "Por exemplo, na própria avaliação do ECC, as costelas de um animal obeso não são observadas e nem palpáveis, manobra essa que pode ser mais evidente no animal com sobrepeso", completa a médica veterinária. 

De acordo com uma pesquisa da ROYAL CANIN, grupo que atua no foco na nutrição para cães e gatos, 48,60% dos tutores afirmam já ter oferecido comida humana aos pets. Entre os alimentos mais oferecidos estão os cozidos (50,62%), vegetais (40,95%) e carne crua (35,60%). Além disso, 39,51% dos entrevistados acreditam que oferecer esses tipos de alimentos não causam danos à saúde dos animais, enquanto 36,52% afirmaram como uma maneira de agradar o pet. 

“Existem diversas causas patológicas que causam a obesidade, mas a mais comumente observada é por não saber a quantidade correta de alimento a ser ofertado pelo tutor. Muitos não têm o conhecimento adequado do gasto energético diário do animal e por isso acabam errando no manejo. Além do fato de ofertar petiscos em demasia e não compensar esse excesso com atividades físicas para gasto calórico. Além de, existirem raças com alterações genéticas que favorecem o ganho de peso, mas também raças mais propensas à obesidade e isso pode impactar gravemente na qualidade de vida do animal. Além do mais, pets mais idosos possuem o metabolismo mais lento, são mais sedentários e propensos a doenças associadas à obesidade”, destaca. 

“Sendo uma doença crônica, além do impacto na qualidade de vida, a obesidade vem somada à inúmeras doenças, desde diabetes, hipertensão até alterações musculoesqueléticas e devido à sobrecarga articular o animal pode sofrer com artrite, artrose, além de poder impactar em doenças de caráter degenerativo. O mais simples é fazer um manejo nutricional adequado, por exemplo, pesar a ração, fornecer ela fracionada em duas ou três vezes ao dia, evitar petiscos, passear e brincar com o pet e até mesmo fazer o enriquecimento ambiental”, acrescenta. 

Diante desse cenário, além de derivados de uma alimentação completa e balanceada, oferecer calorias adicionais pode contribuir para o ganho de peso. Por isso, é necessário um plano alimentar adequado e acompanhado pelo veterinário, na prevenção do excesso de peso. Nesse sentido, a profissional alerta para a necessidade da prática de exercícios físicos adequadas à idade, porte e condições de saúde do animal.  

“Sabemos que há raças que necessitam de uma carga diária de exercícios diferente. Por exemplo, cães da raça Malinois ou Border Collie são hiperativos, pois são cães de trabalho, então a atividade física precisa ser uma constância, pois pode gerar distúrbios comportamentais de destruição e agressividade. Já para os gatos, o ideal é que o tutor utilize recursos de enriquecimento ambiental para isso, como aéreos, túneis, caixas de papelão, arranhadores e até mesmo bolinhas ou laser”, orienta.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados