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| Autointoxicação por medicamentos e drogas foi o mecanismo mais frequente entre as lesões autoprovocadas Magnific |
Em meio à campanha Maio Amarelo, levantamento do DRG Brasil, do Grupo IAG Saúde, mostra maior concentração entre mulheres e pacientes mais jovens
Um levantamento da Plataforma DRG Brasil, do Grupo IAG Saúde, realizado no contexto do Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, mostra que aproximadamente uma em cada oito internações para tratamento de transtornos mentais e comportamentais apresentou registro de lesão autoprovocada intencionalmente. A autointoxicação por medicamentos e drogas foi o mecanismo mais frequente entre as lesões autoprovocadas, representando 70,0% dos registros em 2025 e 67,7% em 2026.
No
primeiro semestre de 2025, foram identificadas 14.166 internações para
tratamento de saúde mental, das quais 1.887, ou 13,3%, apresentaram registro de
lesão autoprovocada. No mesmo período de 2026, foram cerca de 14,7 mil
internações, enquanto 1.841, ou 12,5%, tiveram esse tipo de registro.
Embora tenha ocorrido discreta redução na proporção das lesões autoprovocadas, o levantamento evidencia uma população com características específicas e maior demanda por cuidados de alta complexidade.
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“Os registros de lesão autoprovocada permitem olhar para uma dimensão importante do cuidado em saúde mental antes do desfecho mais grave. Esses códigos não devem ser interpretados isoladamente como tentativa de suicídio, mas identificam uma população vulnerável e que demanda atenção especial das equipes de saúde”, fala o presidente do Grupo IAG Saúde, Breno Duarte.
Mulheres e pacientes mais jovens predominam entre os casos
No primeiro semestre de 2026, 68,3% dos pacientes com lesão autoprovocada eram mulheres, enquanto elas correspondiam a 54,0% do conjunto das internações para tratamento de saúde mental.
A diferença também aparece na idade. Entre os pacientes internados por saúde mental, a idade média foi de 40,5 anos em 2026. Já no grupo com lesão autoprovocada, foi de 31,3 anos.
Crianças e adolescentes também ganharam participação nesse grupo. Pacientes com até 17 anos representavam 13,3% das internações com lesão autoprovocada em 2025 e passaram a 15,0% em 2026. No conjunto das internações por saúde mental, essa faixa etária correspondeu a 8,6% e 9,4%, respectivamente.
“O perfil mais jovem dos pacientes e o aumento da participação de crianças e adolescentes chamam atenção para a necessidade de identificação precoce de situações de sofrimento e vulnerabilidade. A prevenção exige uma rede preparada para reconhecer sinais de risco e garantir acompanhamento contínuo”, salienta Duarte.
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O padrão também varia entre os grupos analisados. Entre as mulheres, 73,8% das lesões ocorreram por autointoxicação por medicamentos e drogas, contra 58,6% entre os homens. Já enforcamento, sufocação ou afogamento corresponderam a 10,1% dos registros masculinos e 3,5% dos femininos.
Entre os pacientes com até 17 anos, embora a autointoxicação por medicamentos e drogas também tenha predominado, com 59,8% dos registros, 17,2% das ocorrências envolveram objetos cortantes ou contundentes, proporção superior aos 7,9% observados entre adultos de 18 a 59 anos.
“Conhecer
os mecanismos envolvidos nas lesões autoprovocadas ajuda a compreender
diferentes perfis de vulnerabilidade. Os resultados mostram que esses episódios
não se distribuem de maneira uniforme entre homens, mulheres e faixas etárias,
reforçando a necessidade de estratégias de prevenção direcionadas”, pontua o
presidente do Grupo IAG Saúde.
Cuidados intensivos
De acordo com o levantamento, no primeiro semestre de 2026, 26,1% dos pacientes internados com registro de lesão autoprovocada necessitaram de passagem pelo CTI (Centro de Terapia Intensiva) — aproximadamente 1 em cada 4 pacientes. O dado reforça a gravidade clínica associada a essas ocorrências e mantém um padrão já observado em 2025, quando 25,2% desses pacientes passaram por terapia intensiva.
A
permanência média hospitalar entre os pacientes com lesão autoprovocada passou
de 4,1 dias para 4,7 dias entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. No mesmo
período, o custo assistencial médio aumentou de R$ 4,8 mil para R$ 5,4 mil.
A mortalidade hospitalar nesse grupo foi de 0,6% em 2025 e 0,8% em 2026. As maiores proporções de óbito foram observadas entre as lesões classificadas como queda, impacto e outros mecanismos físicos (3,1%), enforcamento, sufocação ou afogamento (2,4%) e autointoxicação por outras substâncias (1,8%). Essas diferenças devem ser interpretadas com cautela, especialmente nos mecanismos menos frequentes.
“A
necessidade de terapia intensiva em cerca de um quarto das internações com
lesão autoprovocada evidencia a gravidade assistencial desses episódios. A
prevenção tem impacto não apenas sobre o risco de morte, mas também sobre a
necessidade de cuidados hospitalares de maior complexidade”, diz Duarte.
Óbitos
hospitalares não equivalem a suicídios concretizados
A ocorrência de óbito durante uma internação com registro de lesão autoprovocada não permite afirmar, isoladamente, que a morte tenha sido provocada pela autoagressão ou classificá-la como suicídio consumado.
Por
esse motivo, a mensuração de suicídios concretizados deve ser realizada a
partir de uma base específica de mortalidade, na qual seja possível identificar
adequadamente a causa do óbito. Os óbitos observados neste levantamento são
apresentados como indicador da evolução hospitalar dos pacientes e não como
número de suicídios.
Prevenção
começa antes do desfecho fatal
Os resultados mostram que o impacto do comportamento autoagressivo no ambiente hospitalar não se limita ao número de ocorrências. Os pacientes com lesão autoprovocada são mais jovens, apresentam maior participação feminina e demandam cuidados intensivos com frequência significativamente superior à observada entre os demais pacientes internados para tratamento de saúde mental.
Apesar da pequena redução de 13,3% para 12,5% na proporção de internações com lesão autoprovocada entre os períodos analisados, foram mais de 3,7 mil internações com esse registro nos dois primeiros semestres considerados.
“A prevenção do
suicídio começa antes de uma tentativa ou de um evento fatal. Ela envolve
reconhecer situações de vulnerabilidade, ampliar o acesso ao cuidado em saúde
mental e assegurar acompanhamento adequado ao longo da trajetória do paciente.
O Setembro Amarelo é uma oportunidade para reforçar que esse cuidado deve ser
contínuo e compartilhado por toda a rede de atenção”, conclui.
Sobre o levantamento
O estudo é observacional, retrospectivo e descritivo e utilizou dados da Plataforma DRG Brasil referentes aos primeiros semestres de 2025 e 2026.
Foram consideradas internações para tratamento de saúde mental aquelas cujo diagnóstico principal pertence ao grupo F00-F99 da CID-10 - Transtornos mentais e comportamentais. Entre essas internações, foram identificados os registros de lesão autoprovocada intencionalmente, definidos pela presença de CID secundário entre X60 e X84.
Os
códigos X60-X84 foram utilizados como marcador de lesão autoprovocada
intencionalmente. A presença desses códigos não permite, isoladamente,
classificar todos os episódios como tentativa de suicídio, uma vez que o
registro identifica a intencionalidade da autoagressão, mas não determina
necessariamente a intenção de provocar a própria morte.
Grupo IAG Saúde

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