terça-feira, 15 de setembro de 2026

Falta de diagnóstico preciso para dores crônicas eleva índices de isolamento e esgotamento emocional

A dor não controlada reduz a qualidade de vida e pode aumentar o risco de sofrimento emocional; especialista defende a investigação detalhada para definir intervenções e devolver autonomia ao paciente.


Conviver diariamente com uma dor que não encontra uma explicação clara nos exames pode provocar impactos que ultrapassam a limitação física. Sem um direcionamento clínico adequado, o paciente enfrenta uma jornada prolongada em busca de alívio, afasta-se de atividades sociais e passa a ter dificuldades no trabalho e no convívio familiar.

A dor lombar afetava aproximadamente 619 milhões de pessoas em 2020 e permanece como a principal causa de incapacidade no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. A persistência dessa e de outras dores, principalmente quando não existe uma compreensão adequada do quadro, pode alimentar sentimentos de frustração, insegurança e desesperança.

O médico ortopedista Ramires Fahfe, intervencionista em dor e pós-graduado em Dor pelo Hospital Israelita Albert Einstein, explica que o sofrimento prolongado também desgasta a saúde mental. “Quando a pessoa passa meses ou anos sentindo dor sem entender a origem do problema, ela pode começar a desacreditar na recuperação. O isolamento surge não apenas pela limitação de movimento, mas também pelo cansaço de tentar explicar o que sente e não ser compreendida”, afirma.

Medicamentos podem fazer parte do controle da dor, mas o tratamento não deve se limitar ao alívio pontual dos sintomas sem uma reavaliação do quadro. É necessário considerar fatores estruturais, neurológicos, inflamatórios e comportamentais, além da rotina e das condições gerais de saúde do paciente.

A dor crônica nem sempre possui uma causa única. Por isso, a investigação detalhada ajuda a identificar os mecanismos envolvidos e a definir uma abordagem individualizada. O tratamento pode reunir medicamentos, reabilitação, mudanças na rotina e procedimentos intervencionistas, conforme a necessidade de cada pessoa.

“Tratar a dor não significa apenas prescrever um analgésico para o sintoma daquele dia. Precisamos compreender quais fatores mantêm o quadro e escolher intervenções adequadas. Esse cuidado pode devolver mobilidade, autonomia e qualidade de vida, permitindo que a pessoa retome gradualmente sua rotina e o convívio social”, ressalta o médico.

Além da intensidade, sinais como duração da dor, perda de mobilidade, alterações de sensibilidade, dificuldade para dormir e impacto emocional devem ser considerados durante a avaliação. Quando o desconforto persiste, piora ou interfere nas atividades cotidianas, a orientação é buscar acompanhamento especializado.

“Quanto mais tempo a pessoa permanece sem compreender o próprio quadro, maior pode ser o impacto sobre sua confiança e independência. Um diagnóstico bem conduzido não serve apenas para dar nome à dor, mas para construir um caminho de tratamento compatível com as necessidades e os objetivos daquele paciente”, conclui Ramires. 



Fonte: Dr. Ramires Fahfe — médico ortopedista, intervencionista em dor e pós-graduado em Dor pelo Hospital Israelita Albert Einstein.
Instagram: @dr.ramiresfahfe


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