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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Entidades alertam para risco de interrupção de tratamento de pacientes com câncer de próstata a partir de outubro

Pacientes com câncer avançado podem ficar sem acesso a tratamento

Possível encerramento de autorização regulatória pode comprometer a continuidade da terapia com Lutécio-177 PSMA, utilizada em casos avançados da doença

 

Entidades ligadas à medicina nuclear e à saúde alertam para o risco de interrupção de tratamentos oncológicos em curso no Brasil caso não haja uma solução regulatória que assegure a continuidade do fornecimento do radiofármaco Lutécio-177 PSMA, utilizado no tratamento de pacientes com câncer de próstata metastático resistente à castração. 

A preocupação envolve pacientes que já iniciaram o protocolo terapêutico e dependem da realização de ciclos sequenciais em intervalos previamente definidos para garantir a eficácia do tratamento. A interrupção do cronograma pode comprometer os resultados clínicos já alcançados e reduzir significativamente as chances de resposta terapêutica. 

Atualmente, o mercado brasileiro conta com apenas dois fornecedores do insumo. Um deles opera sob autorização excepcional concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), válida até 30 de setembro de 2026. Caso essa autorização não seja renovada ou substituída por mecanismo regulatório equivalente, o fornecimento do medicamento poderá ser interrompido a partir de 1º de outubro, impactando diretamente pacientes em tratamento. 

Além do aspecto regulatório, especialistas apontam uma preocupação adicional relacionada ao acesso. O produto atualmente disponibilizado sob autorização excepcional possui custo significativamente inferior à alternativa existente no mercado, fator que tem permitido sua cobertura por operadoras de saúde e viabilizado o tratamento para um número maior de pacientes. 

Com uma eventual interrupção do fornecimento, clínicas, hospitais e operadoras poderão enfrentar dificuldades para manter os tratamentos em andamento, exigindo renegociações contratuais e, em alguns casos, judicializações. O principal risco, no entanto, é o aumento do intervalo entre os ciclos terapêuticos, comprometendo a efetividade clínica do protocolo. 

Para o presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN), Celso Cunha, a situação exige atenção imediata. 

"Estamos falando de pacientes que já iniciaram um tratamento oncológico e que dependem da continuidade dos ciclos para preservar os resultados clínicos alcançados. A interrupção pode representar perda de eficácia terapêutica e redução das alternativas disponíveis para pessoas em situação de grande vulnerabilidade", afirma. 

Segundo ele, o avanço da medicina nuclear no Brasil trouxe novas perspectivas para pacientes que, há poucos anos, tinham opções terapêuticas bastante limitadas. 

"O Brasil avançou significativamente no acesso a terapias inovadoras e de alta precisão. Agora é fundamental garantir segurança regulatória para que pacientes não sejam surpreendidos por uma interrupção de tratamento motivada por questões administrativas e não por decisão médica", acrescenta Cunha. 

A terapia com Lutécio-177 PSMA é considerada uma das principais inovações da medicina nuclear para o tratamento do câncer de próstata avançado. O radiofármaco atua de forma direcionada sobre células tumorais que expressam o antígeno PSMA, permitindo entregar radiação diretamente ao tumor e reduzindo danos aos tecidos saudáveis. 

Representantes do setor defendem que sejam avaliadas alternativas regulatórias capazes de garantir a continuidade do fornecimento e evitar prejuízos a pacientes que já estão em tratamento ativo.

 

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