Pacientes que perderam peso, principalmente com mudanças no estilo de vida e o uso das canetas emagrecedoras, impulsionam a busca por procedimentos de contorno corporal e facial. Especialista alerta que segurança e preparo clínico continuam sendo prioridade
A transformação provocada pelo emagrecimento tem
levado cada vez mais brasileiros a buscar um novo passo na jornada de cuidados
com o corpo. Depois de perder peso, muitos pacientes recorrem à cirurgia
plástica para tratar a flacidez, redefinir o contorno corporal e concluir um
processo que vai além da balança. A tendência ganhou força nos últimos anos e
vem alterando significativamente o perfil dos consultórios especializados.
Segundo o cirurgião plástico Juliano Pereira,
membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a
procura por esse tipo de procedimento cresceu de forma expressiva e já
representa a maioria dos atendimentos relacionados à cirurgia estética
corporal. “Hoje, aproximadamente sete em cada dez pacientes que chegam ao
consultório passaram por algum processo de emagrecimento. Alguns eliminaram
poucos quilos, outros viveram perdas muito significativas, mas existe quase
sempre uma história de redução de peso que motivou a decisão pela cirurgia
plástica. O paciente quer finalizar essa transformação, corrigindo a flacidez e
valorizando os resultados conquistados com tanto esforço”, afirma.
O especialista explica que o fenômeno acompanha uma
mudança importante no comportamento da população. Se antes muitos pacientes
buscavam apenas reduzir medidas, agora o objetivo passou a ser recuperar a
harmonia corporal, eliminando o excesso de pele e proporcionando um contorno
mais proporcional.
Entre os procedimentos mais procurados estão
lipoaspiração, minilipo, abdominoplastia, cirurgias para correção da flacidez
dos braços e das coxas e, em alguns casos, até mesmo o lifting facial, indicado
quando a perda de peso também provoca alterações importantes na estrutura do
rosto. “A medicina evoluiu muito nos últimos anos. Hoje contamos com
tecnologias que potencializam os resultados e favorecem uma retração mais
eficiente da pele, como o uso do gás argônio em procedimentos específicos.
Quando bem indicado, esse recurso contribui para melhorar o combate à flacidez
e oferece um acabamento ainda mais satisfatório para determinados perfis de
pacientes”, explica o cirurgião plástico.
Efeito das canetas
emagrecedoras
O crescimento do uso dos medicamentos para
emagrecimento também passou a influenciar diretamente esse cenário. Segundo o
membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o aumento no
número de pacientes que perderam peso com auxílio das chamadas canetas
emagrecedoras fez crescer, naturalmente, a procura por procedimentos
reparadores e de contorno corporal. “As canetas emagrecedoras representam uma
importante ferramenta terapêutica quando bem indicadas e acompanhadas por
profissionais habilitados. Elas contribuíram para que milhares de pessoas
alcançassem perdas de peso importantes e isso, naturalmente, aumentou a procura
pela cirurgia plástica. Mas é fundamental entender que emagrecer não significa,
automaticamente, estar apto para operar.”
O médico ressalta que a cirurgia plástica deve
acontecer somente quando o paciente apresenta condições clínicas adequadas.
“Antes de qualquer procedimento, avaliamos uma série de exames laboratoriais,
estado nutricional, estabilidade do peso, controle de doenças pré-existentes e
diversos outros fatores. A prioridade sempre é a segurança. Não buscamos apenas
um bom resultado estético. Queremos que a cirurgia aconteça com segurança, que
o pós-operatório transcorra de maneira adequada e que o paciente tenha uma recuperação
saudável.”
Muito além da estética
Na avaliação do especialista, os benefícios
ultrapassam a transformação física. A cirurgia costuma representar a etapa
final de uma mudança profunda na relação do paciente com a própria saúde. “Nos
casos de emagrecimento mais expressivo, principalmente entre pacientes que
enfrentaram obesidade ou passaram por perdas de peso mais acentuadas, a
cirurgia plástica assume um papel que vai muito além da estética. Quando essa
perda chega a cerca de 30% do peso corporal, já existe indicação para uma
avaliação especializada. A retirada do excesso de pele devolve conforto,
melhora a mobilidade, reduz limitações físicas e permite que o paciente retome
com mais facilidade as atividades do dia a dia e a prática de exercícios físicos.
Isso é fundamental para a manutenção dos resultados conquistados com o
emagrecimento. A cirurgia plástica, nesse contexto, é um meio para devolver
qualidade de vida e não um fim em si mesma”, explica Juliano Pereira.
O especialista destaca que essa recuperação
funcional também produz impactos importantes no aspecto emocional. “Existe um
impacto psicológico extremamente positivo. A melhora da autoestima é evidente,
mas talvez o principal ganho seja o fortalecimento do compromisso que essa
pessoa passa a ter com a própria saúde. Depois de conquistar o resultado
desejado, observamos que muitos pacientes se sentem ainda mais motivados a
manter hábitos saudáveis, praticar atividade física regularmente e cuidar da
alimentação para preservar essa conquista. A cirurgia não representa o fim da
jornada, mas uma etapa importante para consolidar uma nova fase de qualidade de
vida.”
Para o membro da diretoria da Sociedade Brasileira
de Cirurgia Plástica, esse novo perfil de paciente demonstra uma mudança
importante na forma como a cirurgia plástica é encarada. “Cada vez mais estamos
falando de pessoas que enxergam a cirurgia como parte de um processo maior de
saúde, bem-estar e qualidade de vida. Quando existe indicação adequada, preparo
clínico e acompanhamento responsável, ela pode contribuir não apenas para
melhorar a aparência, mas também para consolidar uma transformação que começou
muito antes da entrada no centro cirúrgico.”

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