Aumento da incidência de doenças
musculoesqueléticas nas próximas gerações é um dos possíveis resultados do uso
excessivo de dispositivos, alerta especialista 
Magnific
A cena é cada vez mais comum: crianças, adolescentes e adultos passam horas com
a cabeça inclinada para olhar a tela do celular. O hábito, aparentemente
inofensivo, já desperta preocupação entre profissionais da saúde por seus
efeitos na postura e na estrutura corporal. Com o aumento do tempo de exposição
aos dispositivos móveis, especialistas alertam que as próximas gerações podem
conviver mais cedo com dores crônicas, alterações na coluna e limitações
funcionais.
O
uso prolongado do celular favorece uma posição conhecida como "pescoço de
texto" (ou pescoço tecnológico), caracterizada pela inclinação constante
da cabeça para frente. Embora pareça um movimento simples, essa postura aumenta
significativamente a carga sobre a coluna cervical. Quando a cabeça permanece
projetada por longos períodos, músculos, tendões e ligamentos trabalham além do
necessário para sustentar seu peso, podendo acarretar o surgimento de dores e
modificações posturais.
Segundo
Carlos Eduardo Soares, coordenador do curso de Fisioterapia da Ages, integrante
da Ânima Educação, o maior e mais inovador ecossistema de ensino de qualidade
do país, a repetição desse comportamento ao longo dos anos pode desencadear uma
série de consequências, como retificação da coluna cervical, aumento da cifose
torácica, dores nos ombros, tensão muscular, cefaleias, redução da mobilidade e
até compressão de nervos. Além disso, o sedentarismo associado ao uso intenso
de telas contribui para o enfraquecimento da musculatura responsável pela
estabilização da coluna.
"O
corpo humano foi projetado para o movimento, e não para permanecer horas
seguidas na mesma posição. O uso excessivo do celular modifica nossos padrões
posturais e, quando isso acontece diariamente durante anos, o organismo começa
a desenvolver adaptações que nem sempre são saudáveis. O resultado pode ser uma
população mais jovem convivendo com problemas que antes eram observados
principalmente em adultos e idosos", explica Soares.
Principais impactos
A
preocupação é ainda maior quando a prática começa na infância. Nesta fase,
ossos, músculos e articulações estão em desenvolvimento, tornando o organismo
mais suscetível às influências do ambiente. Embora o uso do celular, por si só,
não "deforme" a estrutura corporal de forma permanente na maioria dos
casos, ele pode gerar padrões posturais inadequados que, se mantidos por muitos
anos sem correção, aumentam o risco de alterações musculoesqueléticas e dores
persistentes na vida adulta.
Outro
aspecto observado é a diminuição da capacidade funcional. Permanecer muito
tempo olhando para baixo reduz a mobilidade da região cervical e torácica,
compromete a flexibilidade, altera o equilíbrio muscular e pode até interferir
na respiração, já que a postura encurvada dificulta a expansão completa da
caixa torácica.
Para
a médica reumatologista Jussimar Almeida, docente do curso de Medicina da Ages,
o desafio para as próximas gerações será equilibrar o uso inevitável da
tecnologia com hábitos que preservem a saúde. “A tendência é que crianças e
adolescentes passem cada vez mais tempo conectados, seja para estudar,
trabalhar ou se relacionar. Sem medidas preventivas, o aumento da expectativa
de vida pode vir acompanhado de mais anos convivendo com dores, limitações
físicas e necessidade de tratamentos de reabilitação”, esclarece.
A
boa notícia é que pequenas mudanças de comportamento podem fazer grande
diferença. “Ajustar a altura da tela para a linha dos olhos, realizar pausas a
cada 30 ou 40 minutos, praticar atividade física regularmente, fortalecer a
musculatura das costas e do abdômen, além de alternar posições durante o uso
dos dispositivos, ajudam a reduzir a sobrecarga sobre a coluna”, pondera a
especialista.
Como será o corpo humano no futuro?
Embora
frequentemente circulem nas redes sociais imagens de supostos "humanos do
futuro" com pescoços curvados, mãos em formato de garra ou crânios
modificados pelo uso intenso da tecnologia, essas representações são
especulativas e não possuem comprovação científica. O consenso entre pesquisadores
é que o corpo humano não está evoluindo biologicamente em resposta ao uso de
celulares, mas pode sofrer adaptações funcionais e comportamentais decorrentes
dos hábitos adotados ao longo da vida.
“Na
prática, isso significa que as próximas gerações podem apresentar, desde cedo,
maior incidência de dores cervicais, encurtamentos musculares, redução da
mobilidade, perda de força e condicionamento físico, além de alterações
posturais relacionadas ao tempo excessivo em frente às telas. Essas mudanças não
são hereditárias, mas refletem a forma como o organismo responde a estímulos
repetitivos e ao sedentarismo”, conclui Jussimar Almeida.
Ages
www.ages.edu.br
Ânima Educação
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