Psicólogo do Centro Universitário Módulo explica
por que certos pratos geram sensação de segurança e ensina pergunta-chave para
afastar a culpa e as armadilhas da ansiedade
Uma sopa quente em um dia frio que lembra a infância na casa da avó, um bolo de milho recém-saído do forno ou um prato específico compartilhado em família. Praticamente todo mundo tem uma comfort food: a chamada comida afetiva, que parece dar um verdadeiro "abraço na alma" logo na primeira garfada. No entanto, em um cotidiano cada vez mais acelerado e ansioso, a linha entre saborear um prato por afeto e cair na armadilha da chamada "fome emocional" pode ser muito tênue.
De acordo com o psicólogo clínico, neuropsicólogo e coordenador do curso de Psicologia do Centro Universitário Módulo, Caíque dos Santos Sousa, essa sensação imediata de conforto e segurança provocada por determinados alimentos tem raízes biológicas e afetivas.
"Existe,
sim, um componente biológico relacionado aos nutrientes e à liberação de
neurotransmissores ligados ao prazer, como a serotonina e a dopamina. Mas
grande parte desse acolhimento está associada às nossas experiências de
pertencimento e amor. Muitas vezes, a comida funciona como um símbolo de
cuidado e proteção. Um prato preparado na infância desperta emoções positivas e
memórias que transcendem o valor estritamente nutricional daquele
alimento", explica o especialista do Módulo.
Comfort food vs. fome emocional: como diferenciar?
Sousa aponta que o grande desafio contemporâneo é saber diferenciar quando a comida é uma ferramenta de bem-estar consciente ou uma válvula de escape nociva para mascarar emoções difíceis, como ansiedade, estresse ou frustração.
Enquanto a comida afetiva faz parte de uma experiência de autocuidado equilibrada, consumida com prazer e sem culpa, a fome emocional surge de forma repentina e urgente. "A fome emocional geralmente vem acompanhada de uma necessidade imediata de compensação e, quase sempre, é seguida por sentimentos de arrependimento e culpa", alerta o psicólogo.
Para
evitar esses ciclos de culpa no dia a dia, o especialista ensina uma
pergunta-chave muito simples de ser feita antes de abrir a geladeira:
"Estou com fome física ou estou tentando aliviar uma emoção?".
Segundo ele, desenvolver essa percepção é o primeiro passo para construir uma
relação mais consciente e saudável com o próprio corpo.
Comer com afeto e sem julgamentos
Ao contrário do que prega a lógica das dietas restritivas, comer a sua comida afetiva favorita pode, sim, ser uma estratégia saudável de autocuidado para aliviar o estresse, desde que haja consciência e moderação. O psicólogo ressalta que o problema nunca está no alimento em si, mas na função que ele passa a ocupar na vida emocional de cada um.
"Quando a alimentação é apenas mais uma entre várias outras ferramentas de cuidado, ao lado de uma boa noite de sono, da prática de atividades físicas, do lazer e do convívio social, ela contribui positivamente para o bem-estar psicológico. Precisamos abandonar o julgamento moral dos alimentos. Comer também é um ato cultural, relacional e afetivo. A alimentação saudável inclui nutrientes, mas também deve incluir prazer e acolhimento", pontua o docente.
Por fim, o neuropsicólogo lembra que as pessoas não precisam escolher entre nutrir o corpo ou nutrir as emoções. "O segredo é buscar o equilíbrio. Quando conseguimos comer de forma consciente, respeitando as necessidades físicas e acolhendo os nossos sentimentos, desenvolvemos uma relação muito mais sustentável, compassiva e saudável com a comida e com nós mesmos", conclui Sousa.
Centro Universitário Módulo
www.modulo.edu.br
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