Especialista em comportamento animal explica como fogos, visitas, jogos e mudanças na rotina podem impactar cães e gatos e dá orientações práticas para garantir mais segurança e bem-estar
Julho é um dos
meses mais movimentados do ano para muitas famílias brasileiras. Além das
tradicionais festas julinas, marcadas por fogueiras, fogos de artifício, música
alta e grande circulação de pessoas, o período também está coincidindo com o
mata-mata da Copa do Mundo, que reúne torcedores em confraternizações,
encontros em casa e celebrações que costumam alterar a rotina dos lares.
Embora sejam
momentos de diversão para os humanos, a combinação de barulho, movimentação
intensa e ambientes mais agitados pode representar um desafio para cães e
gatos. Segundo pesquisa da pettech Petlove divulgada no fim de 2025, 84% dos
animais de estimação sofrem com o barulho dos fogos de artifício. O
levantamento também revelou que 66% dos tutores já tiveram um pet que fugiu ou
conhecem algum animal que escapou por causa dos estampidos.
Além disso,
veterinários ouvidos pela pesquisa relataram que 91% dos pets apresentaram
sinais de ansiedade ou medo extremo relacionados aos fogos, enquanto 65%
sofreram episódios de fuga, desaparecimento ou atropelamento decorrentes do
pânico provocado pelo barulho.
Para Beatriz
França, especialista em comportamento animal e fundadora da Creche Escola BFA,
no Brasil, e da PETland BFA, em Miami, os riscos vão muito além
dos fogos. “Quando falamos de festas juninas e grandes eventos esportivos,
precisamos considerar o conjunto de estímulos. São pessoas entrando e saindo de
casa, portas abertas por mais tempo, música alta, gritos de comemoração,
mudanças na rotina e até alimentos perigosos circulando pelo ambiente. Tudo
isso pode gerar estresse, medo e aumentar o risco de acidentes”, explica.
A especialista
compartilha cuidados fundamentais para garantir a segurança dos pets durante
esse período:
1.
Crie um espaço seguro dentro de casa
“O ideal é que o
pet tenha acesso a um ambiente tranquilo, longe das áreas mais movimentadas da
casa. Esse espaço deve contar com cama, água, brinquedos e objetos familiares,
que ajudam a transmitir sensação de segurança. Muitos animais procuram
naturalmente locais mais protegidos quando se sentem ameaçados por sons
intensos”, orienta.
2.
Redobre a atenção para evitar fugas
“Durante festas e
reuniões, é comum que portas e portões permaneçam abertos por mais tempo,
aumentando o risco de escapadas. O medo é uma das principais causas de fuga em
cães e gatos. Um estampido inesperado pode desencadear uma reação instantânea.
Por isso, é importante verificar cercas, portões e telas de proteção, além de
manter identificação atualizada na coleira e, se possível, microchipagem”,
recomenda a especialista.
3. Não
compartilhe comidas típicas com os animais
“Milho, bolo e
outros alimentos podem parecer inofensivos, mas muitas receitas típicas das
festas juninas contêm ingredientes inadequados para cães e gatos. Chocolate,
cebola, alho, uvas-passas, adoçantes artificiais, bebidas alcoólicas e
preparações muito gordurosas estão entre os principais riscos. Mesmo alimentos
aparentemente simples podem causar desconfortos gastrointestinais ou problemas
mais sérios dependendo da quantidade ingerida”, alerta.
4.
Observe os sinais de ansiedade e estresse
Tremores,
respiração acelerada, excesso de salivação, vocalização intensa, tentativas de
esconder-se e comportamento destrutivo estão entre os sinais mais comuns de
desconforto emocional.
“Muitas vezes os
tutores acreditam que o animal está apenas assustado momentaneamente, mas o
estresse pode ser bastante intenso. Identificar esses sinais precocemente ajuda
a agir antes que a situação evolua para episódios de pânico ou acidentes”,
completa.
5.
Planeje a rotina nos dias de jogos e comemorações
A Copa do Mundo
deve movimentar reuniões familiares e encontros entre amigos ao longo das
próximas semanas, o que pode alterar significativamente a rotina dos animais.
“Os cães e gatos
se beneficiam de previsibilidade. Sempre que possível, mantenha horários de
alimentação, passeios e descanso próximos do habitual. Se você sabe que haverá
uma comemoração mais agitada, tente oferecer atividades físicas e estímulos
antes do evento para que o animal esteja mais relaxado”, sugere.
Segundo Beatriz, o
principal objetivo dos tutores deve ser minimizar os estímulos estressantes e
garantir que o pet tenha alternativas para lidar com o excesso de movimentação.
“Nem sempre conseguimos controlar o ambiente externo, mas conseguimos preparar
o ambiente interno. Quando o animal se sente seguro, acolhido e protegido, ele
consegue atravessar esses períodos de forma muito mais tranquila e saudável”,
conclui.
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