Pequenas mudanças na construção, na decoração
e na rotina podem tornar os ambientes mais aconchegantes
Com a chegada dos dias mais frios, manter a casa aquecida se torna
uma prioridade para muitas famílias. No entanto, algumas soluções
arquitetônicas e mudanças simples dentro de casa podem melhorar
significativamente o conforto térmico, reduzindo a necessidade de equipamentos
elétricos, como os aquecedores, e contribuindo para o bem-estar dos moradores.
Segundo a arquiteta e docente dos cursos de Arquitetura e
Engenharia Civil do Centro Universitário Max Planck (UniMAX), Naiara Karin
Schimaniak, erros como a falta de vedação adequada em portas e janelas, pouca
incidência de luz solar e a ausência de isolamento térmico em paredes e
coberturas podem deixar os imóveis mais frios durante o inverno. "É
importante entender a casa como um conjunto. Piso, paredes, cobertura e
esquadrias funcionam como uma barreira entre o ambiente interno e o externo.
Quando esses elementos não são bem planejados, o conforto térmico é
comprometido", explica.
Para quem mora em imóveis já prontos, pequenas intervenções podem
fazer diferença. Revisar frestas e infiltrações, manter cortinas abertas
durante o dia para aproveitar a incidência solar e utilizar tapetes em pisos
frios são algumas das medidas recomendadas.
Elementos de decoração também podem ajudar. Cortinas com tecidos
mais encorpados, tapetes e revestimentos com aspecto amadeirado contribuem para
aumentar a sensação de aconchego, especialmente em salas e quartos. "Eles
não substituem soluções construtivas adequadas, mas complementam a percepção de
conforto térmico, especialmente nos espaços de maior permanência dos
moradores", ressalta a docente.
Para quem está construindo ou reformando, a especialista destaca
que um bom projeto arquitetônico deve aproveitar as características naturais do
local. "A orientação solar adequada, a escolha correta dos materiais e
a utilização de sistemas construtivos eficientes ajudam a manter a temperatura
interna mais estável ao longo do ano", afirma.
A seleção dos materiais também faz diferença. Telhas associadas a
mantas térmicas, paredes com maior capacidade de isolamento e esquadrias bem
vedadas ajudam a reduzir as trocas de calor com o ambiente externo. Nos pisos,
materiais como madeira e vinílico costumam proporcionar maior sensação de
conforto quando comparados a revestimentos cerâmicos e porcelanatos.
Além do bem-estar, o conforto térmico está diretamente relacionado
à saúde. Ambientes excessivamente frios e úmidos favorecem o surgimento de
mofo, fungos e ácaros, que podem agravar alergias e problemas respiratórios. "Investir
em conforto térmico é investir em qualidade de vida. Casas com temperaturas
mais equilibradas contribuem para o sono, a disposição e a saúde dos
moradores", destaca Naiara.
Tendências da construção
Entre as soluções que vêm ganhando espaço no setor estão os
projetos baseados nos princípios da arquitetura bioclimática, que consideram as
características climáticas de cada região para definir estratégias mais
eficientes de conforto térmico.
Também se destacam sistemas construtivos industrializados, como wood
frame, light steel frame e painéis estruturais isolados, além do uso
de vidros de controle solar e tecnologias capazes de simular o desempenho
térmico das edificações ainda na fase de projeto. "Pensar o conforto
térmico desde o início permite desenvolver projetos mais eficientes, econômicos
e adaptados às necessidades dos moradores ao longo de todas as estações do
ano", conclui Naiara.
Sobre a especialista
Naiara Karin Schimaniak é arquiteta urbanista e docente dos cursos de Arquitetura e Engenharia Civil do Centro Universitário Max Planck (UniMAX). Mestre em Engenharia Civil com ênfase em Conforto no ambiente construído, Pós-Graduanda em Arquitetura e Cidades Sustentáveis
Centro Universitário de Jaguariúna - UniFAJ
Centro Universitário Max Planck - UniMAX
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