Especialista mostra como a falta de critérios técnicos e de metas metrificadas faz empresárias experientes operarem no prejuízo sem perceber.
Faturamento em alta nem sempre significa um negócio
saudável. Para muitas empresárias, a sensação de trabalhar cada vez mais,
vender cada vez mais e, ainda assim, não enxergar o lucro esperado tem se tornado
uma realidade. Em muitos casos, o problema não está na capacidade de vender,
mas na forma como as decisões são tomadas no dia a dia da empresa.
Essa percepção é reforçada por uma pesquisa da consultoria
McKinsey, que aponta que empresas que utilizam indicadores consistentes para
orientar decisões estratégicas apresentam desempenho financeiro
significativamente superior àquelas que atuam com base apenas na experiência ou
na intuição. O levantamento evidencia que decisões fundamentadas em dados
aumentam a eficiência operacional e reduzem desperdícios.
Para Alê Freitas, mentora em Liderança Feminina Aplicada ao
Negócio Real e CEO da Anima Impacto Consultoria, um dos maiores erros das
empreendedoras é administrar a empresa no modo sobrevivência. "Quando a gestora
está constantemente sobrecarregada, ela passa a decidir para resolver
urgências, e não para construir resultados sustentáveis. O cansaço compromete a
clareza, a análise e a capacidade de enxergar onde realmente está o lucro do
negócio", explica.
Segundo a especialista, é comum encontrar empresas com alto
volume de vendas, mas com margens reduzidas ou até negativas. Isso acontece
porque decisões relacionadas a preços, descontos, contratações, investimentos e
prioridades acabam sendo tomadas sem critérios objetivos ou acompanhamento de
indicadores financeiros.
Outro problema frequente é a ausência de metas realmente
mensuráveis. Muitas líderes estabelecem objetivos genéricos, como "vender
mais" ou "crescer", mas deixam de acompanhar indicadores
essenciais, como margem de lucro, ticket médio, custos operacionais,
produtividade da equipe e rentabilidade de cada serviço ou produto.
"Quem mede apenas faturamento pode criar uma falsa
sensação de sucesso. O que mantém uma empresa saudável não é quanto ela vende,
mas quanto efetivamente sobra depois que todas as despesas são pagas. Crescer
sem acompanhar esses números pode significar apenas aumentar o volume de
trabalho sem gerar mais resultado financeiro", afirma Alê.
Ela destaca que outro desafio está no excesso de
centralização. Quando todas as decisões dependem exclusivamente da empresária,
a tendência é que o desgaste aumente e a gestão se torne cada vez mais reativa.
A criação de processos, rotinas de acompanhamento e critérios claros para
tomada de decisão reduz esse peso e permite que a líder atue de forma mais
estratégica.
Para a mentora, transformar uma empresa em um negócio
lucrativo exige abandonar a gestão baseada apenas na intuição e construir uma
cultura orientada por planejamento, indicadores e revisões constantes.
"Liderar não é apagar incêndios todos os dias. É criar condições para que
a empresa cresça com consistência, previsibilidade e lucro."
No fim das contas, vender muito pode até transmitir uma imagem de sucesso, mas é a capacidade de tomar decisões conscientes, baseadas em dados e alinhadas aos objetivos do negócio que determina se todo o esforço da empreendedora está, de fato, gerando resultados financeiros duradouros.
Fonte: Alê Freitas — Mentora em Liderança Feminina Aplicada ao Negócio Real | CEO da Anima Impacto Consultoria.
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