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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Pós-pandemia: o que nos ensinou sobre as tendências de mercado?

 

Poucos períodos exigiram tanta capacidade de adaptação das empresas quanto a pandemia. Diante de um cenário imprevisível, organizações de todos os setores precisaram abandonar modelos consolidados e implementar mudanças em um ritmo acelerado para garantir sua sobrevivência. Muitas delas foram tratadas como ensinamentos valiosos capazes de redefinir o futuro dos negócios. Outras, com o retorno à normalidade, mostraram que nem toda tendência se sustenta quando as circunstâncias mudam. 

Ainda assim, o legado desse período vai muito além das práticas que continuaram ou que desapareceram, mas na compreensão de que a adaptação deixou de ser uma reação emergencial para se tornar uma competência estratégica. Afinal, se a Covid-19 ensinou algo ao mercado, foi que previsibilidade não pode ser tratada como garantia, reforçando a essencialidade dos planos de contingência e gerenciamento de riscos para que as empresas estejam mais preparadas para se ajustarem a variáveis mais amplas que possam nunca acontecido, até o momento. 

Pesquisas recentes mostram que essa necessidade não é apenas uma impressão do mercado. Dados divulgados no Global CEO Survey 2025, da PwC, por exemplo, relataram que 42% dos CEOs acreditam que suas empresas não serão viáveis na próxima década, caso mantenham seus modelos atuais de operação. Ainda, o Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum, aponta que 59% da força de trabalho global precisará passar por processos de qualificação ou requalificação até 2030, destacando a resiliência, flexibilidade e agilidade como as competências mais valorizadas pelos empregadores. 

A pandemia, por mais que tenha exigido mudanças urgentes e complexas, provocou uma criatividade interessante por parte das empresas, de transformarem suas operações - da intensificação do modelo de trabalho online, a transformações mais intensas de negócios. Cada uma, com a mesma chance de serem uma oportunidade ou fatalidade, dependendo de como enxergariam esse movimento como algo a ser explorado positivamente no futuro. 

Porém, com a volta à normalidade, muitos desses movimentos “justificados” pelo isolamento social, começaram a cair por terra, perdendo espaço e popularidade. Os formatos de relações de trabalho foram alguns dos mais notáveis nesse sentido, saindo das inúmeras vagas home-office impulsionadas naquele período, para rotinas presenciais nos escritórios. A oferta e demanda de um modelo que foi visto como altamente positivo e necessário para sobrevivência, se tornou desbalanceada. 

O plano de contingência empresarial foi outro ensinamento valioso. Se, antes, ninguém esperava um lockdown, hoje passou a se tornar uma variável a ser considerada por qualquer organização. Esses efeitos deixaram claro que todo o processo de gestão e avaliação de riscos precisa ser o mais amplo possível, expandindo as possibilidades para muitos outros cenários - mesmo que, aparentemente, improváveis - de forma que as empresas estejam preparadas para lidar com quaisquer imprevistos, minimizando seus impactos. 

Por fim, o processo de digitalização em alta velocidade impulsionada neste período foi um dos pontos mais significativos. Empresas que, por exemplo, nunca haviam vendido pela internet, passaram a operar nos canais digitais, a adotar meios de pagamento online, implementar atendimento remoto e recorrer a aplicativos de entrega para manter suas operações funcionando. Segundo uma pesquisa encomendada pela Microsoft, como prova disso, 93% das pequenas e médias empresas brasileiras aceleraram seus processos de transformação digital durante a pandemia, ocupando parte essencial de seus investimentos. 

Muitos cargos e cadeiras focados na gestão digital também foram criados, passando a olhar as estratégias de negócio sob uma ótica digital que demanda pessoas capacitadas para isso – viabilizando resultados e geração de valor extremamente positivos que, dificilmente, farão com que deixem de investir em recursos e soluções que continuem proporcionando tais benefícios para o crescimento próspero. 

Ao olharmos para as tendências que surgiram, se fortaleceram ou perderam espaço após a pandemia, talvez a principal conclusão seja que a transformação dos negócios deixou de ser uma escolha estratégica, para se tornar uma necessidade permanente. Mudanças profundas podem surgir de forma repentina, alterando não apenas hábitos de consumo, mas também modelos operacionais, relações de trabalho e dinâmicas de mercado. 

Então, mais do que tentar prever, exatamente, qual será a próxima grande transformação, as empresas precisam se preparar para responder, rapidamente, a cenários que fogem completamente dos padrões conhecidos – o que exige planejamento, gestão de riscos, planos de contingência e uma cultura organizacional aberta à mudança. Afinal, a pandemia provou que nem todas as variáveis podem ser antecipadas, mas as organizações mais preparadas tendem a reagir com mais segurança, agilidade e capacidade de preservar sua competitividade diante do inesperado. 

 

Fernando Poziomczyk - sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.

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