Consenso
internacional redefine a SOP como Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina
(SOMP), destacando que a condição vai muito além dos ovários e envolve
alterações hormonais, metabólicas e emocionais
A condição conhecida há décadas como Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) passou por uma importante atualização médica e científica. Um consenso global publicado no periódico científico The Lancet propôs a mudança do nome para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), uma definição que busca representar de forma mais precisa a complexidade da doença. A mudança reforça um ponto importante: a condição não afeta apenas os ovários. Ela está relacionada a alterações hormonais, resistência à insulina, inflamação crônica, risco cardiovascular e impactos importantes na saúde emocional e metabólica das mulheres.
De acordo com a ginecologista Karoline Prado, a antiga nomenclatura acabava limitando a compreensão da síndrome tanto entre pacientes quanto fora do meio médico. “Muitas mulheres acreditavam que a síndrome se restringia aos ovários ou apenas à irregularidade menstrual. A nova definição ajuda a mostrar que estamos falando de uma condição sistêmica, que envolve metabolismo, hormônios e diversos impactos na saúde feminina”, explica.
Outro equívoco frequente é associar automaticamente o diagnóstico ao resultado do ultrassom. “O diagnóstico não depende apenas da presença de ovários policísticos no exame. Avaliamos também alterações hormonais, sintomas clínicos e irregularidade menstrual. Existem mulheres com ovários policísticos sem a síndrome e pacientes com a síndrome mesmo sem alterações importantes no ultrassom”, afirma Karoline.
Entre os sinais mais comuns da SOMP estão:
menstruação irregular;
- acne persistente;
- aumento de pelos;
- dificuldade para emagrecer;
- queda de cabelo;
- resistência à insulina;
- alterações metabólicas;
- dificuldade para engravidar.
“Muitas pacientes chegam ao consultório emocionalmente exaustas após anos
tentando entender sintomas que pareciam desconectados entre si. Alterações corporais, acne, ganho de peso, infertilidade e oscilações hormonais afetam diretamente autoestima, ansiedade e qualidade de vida. A síndrome precisa ser vista de forma integral”, destaca.
Apesar de não existir cura definitiva, a SOMP pode ser controlada com acompanhamento individualizado, incluindo alimentação equilibrada, atividade física, controle metabólico e tratamento hormonal quando necessário. A médica alerta ainda para os riscos do autodiagnóstico baseado em conteúdos de redes sociais.
“O excesso de desinformação faz muitas mulheres acreditarem que qualquer alteração menstrual significa síndrome. Informação correta e avaliação médica adequada continuam sendo fundamentais para diagnóstico precoce e qualidade de vida”, finaliza.
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