Pesquisar no Blog

quarta-feira, 20 de maio de 2026

SOMP: por que a antiga “síndrome dos ovários policísticos” ganhou um novo nome e o que isso muda na saúde da mulher

Consenso internacional redefine a SOP como Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), destacando que a condição vai muito além dos ovários e envolve alterações hormonais, metabólicas e emocionais 

 



A condição conhecida há décadas como Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) passou por uma importante atualização médica e científica. Um consenso global publicado no periódico científico The Lancet propôs a mudança do nome para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), uma definição que busca representar de forma mais precisa a complexidade da doença. A mudança reforça um ponto importante: a condição não afeta apenas os ovários. Ela está relacionada a alterações hormonais, resistência à insulina, inflamação crônica, risco cardiovascular e impactos importantes na saúde emocional e metabólica das mulheres.

De acordo com a ginecologista Karoline Prado, a antiga nomenclatura acabava limitando a compreensão da síndrome tanto entre pacientes quanto fora do meio médico. “Muitas mulheres acreditavam que a síndrome se restringia aos ovários ou apenas à irregularidade menstrual. A nova definição ajuda a mostrar que estamos falando de uma condição sistêmica, que envolve metabolismo, hormônios e diversos impactos na saúde feminina”, explica.

Outro equívoco frequente é associar automaticamente o diagnóstico ao resultado do ultrassom. “O diagnóstico não depende apenas da presença de ovários policísticos no exame. Avaliamos também alterações hormonais, sintomas clínicos e irregularidade menstrual. Existem mulheres com ovários policísticos sem a síndrome e pacientes com a síndrome mesmo sem alterações importantes no ultrassom”, afirma Karoline.

Entre os sinais mais comuns da SOMP estão:
menstruação irregular;
  • acne persistente;
  • aumento de pelos;
  • dificuldade para emagrecer;
  • queda de cabelo;
  • resistência à insulina;
  • alterações metabólicas;
  • dificuldade para engravidar.
Além das manifestações hormonais, a síndrome também está associada ao aumento do risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alterações inflamatórias crônicas. A especialista também chama atenção para os impactos emocionais da condição, frequentemente negligenciados durante o diagnóstico e tratamento.

“Muitas pacientes chegam ao consultório emocionalmente exaustas após anos

tentando entender sintomas que pareciam desconectados entre si. Alterações corporais, acne, ganho de peso, infertilidade e oscilações hormonais afetam diretamente autoestima, ansiedade e qualidade de vida. A síndrome precisa ser vista de forma integral”, destaca.

Apesar de não existir cura definitiva, a SOMP pode ser controlada com acompanhamento individualizado, incluindo alimentação equilibrada, atividade física, controle metabólico e tratamento hormonal quando necessário. A médica alerta ainda para os riscos do autodiagnóstico baseado em conteúdos de redes sociais.

“O excesso de desinformação faz muitas mulheres acreditarem que qualquer alteração menstrual significa síndrome. Informação correta e avaliação médica adequada continuam sendo fundamentais para diagnóstico precoce e qualidade de vida”, finaliza.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados