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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Mortalidade materna ainda expõe falhas evitáveisna assistência à gestante

 

ONG Prematuridade.com reforça a necessidade de ampliar o acesso ao pré-natal de qualidade e à assistência segura no parto e pós-parto 


Apesar de avanços recentes, o Brasil ainda enfrenta desafios importantes na redução da mortalidade materna, um dos principais indicadores da qualidade da assistência à saúde. No Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, especialistas reforçam que a maioria dessas mortes poderia ser evitada com acesso adequado ao pré-natal, parto e acompanhamento no pós-parto.
 

Dados mais recentes da Plataforma Integrada de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, ajudam a dimensionar o cenário. Dados de 2025, extraídos em fevereiro de 2026, revelam 1.157 óbitos maternos declarados no país. Em paralelo, o sistema também aponta 779 mortes por causas obstétricas diretas, além de 219 óbitos relacionados a transtornos hipertensivos da gestação, evidenciando a relevância dessas condições entre os fatores de risco. Os números reforçam que uma parcela significativa dessas ocorrências está associada a complicações potencialmente evitáveis com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado ao longo do pré-natal.
 

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 92% das mortes maternas no Brasil ocorrem por causas evitáveis. Na prática, isso significa que nove em cada dez mulheres morrem por problemas que poderiam ser prevenidos ou tratados com assistência adequada, seja no pré-natal, no parto ou no pós-parto. O dado reforça a importânciade fortalecer a atuação da Atenção Primária à Saúde, ampliando o olhar para além do ambiente hospitalar e garantindo cuidado contínuo e integrado à gestante.
 

Para Denise Suguitani, diretora executiva da ONG Prematuridade.com, a mortalidade materna escancara falhas estruturais do sistema de saúde. “Quando uma mulher morre durante a gestação, no parto ou no puerpério, estamos diante de uma falha grave do cuidado. São mortes que, em sua maioria, poderiam ser prevenidas com acesso oportuno a serviços de saúde de qualidade”, afirma.
 

Ela destaca ainda que o impacto vai além da mãe, atingindo diretamente o bebê e toda a família. “A saúde materna está profundamente ligada aos desfechos neonatais. Complicações não identificadas ou mal conduzidas aumentam o risco de prematuridade e mortalidade infantil”, completa.
 

Na avaliação do obstetra e voluntário da ONG Prematuridade.com, Dr. Arlley Cleverson, é fundamental fortalecer toda a linha de cuidado à gestante. “O pré-natal é a principal ferramenta para identificar riscos como hipertensão e diabetes gestacional. Mas não basta iniciar o acompanhamento, é preciso garantir continuidade, qualidade e acesso a serviços preparados para atender intercorrências”, explica.
 

Ele também chama atenção para o puerpério, período frequentemente negligenciado. “Muitas complicações graves acontecem após o parto. O acompanhamento no pós-parto precisa ser valorizado tanto quanto o pré-natal e o momento do nascimento”, afirma.
  


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