ONG Prematuridade.com reforça a necessidade de ampliar o acesso ao pré-natal de qualidade e à assistência segura no parto e pós-parto
Apesar de avanços recentes, o Brasil ainda enfrenta desafios importantes na redução
da mortalidade materna, um dos principais indicadores da qualidade da
assistência à saúde. No Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna,
especialistas reforçam que a maioria dessas mortes poderia ser evitada com
acesso adequado ao pré-natal, parto e acompanhamento no pós-parto.
Dados
mais recentes da Plataforma Integrada de Vigilância em Saúde, do Ministério da
Saúde, ajudam a dimensionar o cenário. Dados de 2025, extraídos em fevereiro de
2026, revelam 1.157 óbitos maternos declarados no país. Em paralelo, o sistema
também aponta 779 mortes por causas obstétricas diretas, além de 219 óbitos
relacionados a transtornos hipertensivos da gestação, evidenciando a relevância
dessas condições entre os fatores de risco. Os números reforçam que uma parcela
significativa dessas ocorrências está associada a complicações potencialmente
evitáveis com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado ao longo do
pré-natal.
Segundo
o Ministério da Saúde, cerca de 92% das mortes maternas no Brasil ocorrem por causas
evitáveis. Na prática, isso significa que nove em cada dez mulheres morrem por
problemas que poderiam ser prevenidos ou tratados com assistência adequada,
seja no pré-natal, no parto ou no pós-parto. O dado reforça a importânciade
fortalecer a atuação da Atenção Primária à Saúde, ampliando o olhar para além
do ambiente hospitalar e garantindo cuidado contínuo e integrado à gestante.
Para
Denise Suguitani, diretora executiva da ONG Prematuridade.com, a mortalidade
materna escancara falhas estruturais do sistema de saúde. “Quando uma mulher
morre durante a gestação, no parto ou no puerpério, estamos diante de uma falha
grave do cuidado. São mortes que, em sua maioria, poderiam ser prevenidas com
acesso oportuno a serviços de saúde de qualidade”, afirma.
Ela
destaca ainda que o impacto vai além da mãe, atingindo diretamente o bebê e
toda a família. “A saúde materna está profundamente ligada aos desfechos
neonatais. Complicações não identificadas ou mal conduzidas aumentam o risco de
prematuridade e mortalidade infantil”, completa.
Na
avaliação do obstetra e voluntário da ONG Prematuridade.com, Dr. Arlley
Cleverson, é fundamental fortalecer toda a linha de cuidado à gestante. “O
pré-natal é a principal ferramenta para identificar riscos como hipertensão e
diabetes gestacional. Mas não basta iniciar o acompanhamento, é preciso
garantir continuidade, qualidade e acesso a serviços preparados para atender
intercorrências”, explica.
Ele
também chama atenção para o puerpério, período frequentemente negligenciado.
“Muitas complicações graves acontecem após o parto. O acompanhamento no
pós-parto precisa ser valorizado tanto quanto o pré-natal e o momento do
nascimento”, afirma.

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