Exames, vacinação, alimentação e hábitos saudáveis ajudam a preparar o corpo para uma gestação mais segura
A maternidade começa muito antes do teste positivo. Cada vez mais
mulheres têm buscado acompanhamento médico, exames preventivos e mudanças no
estilo de vida antes da gravidez para reduzir riscos e melhorar a saúde materna
e fetal.
Segundo
dados recentes do IBGE, o número de mães com 40 anos de idade ou mais quase
dobrou em duas décadas. Em 2000, foram registrados cerca de 74 mil partos de
mulheres nessa faixa etária. Já em 2022, foram mais de 139 mil. Essas
estatísticas reforçam a importância de cuidados pré-concepcionais,
especialmente para quem decide ter filhos em uma fase mais avançada da vida.
Essa preparação é ainda mais relevante diante de uma mudança demográfica
significativa entre as brasileiras e reforça a importância dos cuidados
pré-concepcionais, especialmente diante de fatores como fertilidade, doenças
crônicas e prevenção de riscos gestacionais.
O
Diretor médico do Laboratório Exame, Gleidson Viana, explica que uma avaliação
laboratorial antes da gravidez pode identificar alterações silenciosas e favorecer
uma gestação mais segura. “O ideal é que a mulher inicie esse processo com
exames atualizados, para corrigir deficiências nutricionais, investigar doenças
metabólicas e avaliar infecções que podem interferir na fertilidade ou no
desenvolvimento fetal”, afirma.
Entre
os principais exames laboratoriais indicados nesta fase estão hemograma
completo, glicemia, hemoglobina glicada, função tireoidiana, ferro, ferritina,
vitamina D, vitamina B12, tipagem sanguínea e sorologias para rubéola,
toxoplasmose, hepatites, HIV e sífilis.
Segundo
a ginecologista e ultrassonografista ginecológica Ana Glauce, do Laboratório
Exame, no Distrito Federal, exames de imagem como ultrassom transvaginal,
ultrassom pélvico e, em alguns casos, a histerossalpingografia, exame que
avalia a permeabilidade das trompas e a anatomia uterina, também podem fazer
parte da investigação pré-concepcional. Ela destaca que o preparo vai além dos
exames. “Controle do peso, atividade física regular, alimentação equilibrada,
interrupção do tabagismo, redução do álcool e uso orientado de ácido fólico antes
da concepção são medidas importantes para mãe e bebê”, afirma.
Durante
a gestação, os avanços da medicina diagnóstica ampliaram o cuidado
individualizado. Natália Gonçalves, superintendente de reprodução humana,
pesquisa e desenvolvimento de Dasa Genômica, explica que exames baseados em DNA
fetal trouxeram mais precisão ao pré-natal.
A
sexagem fetal, realizada por meio de sangue materno a partir da oitava semana,
identifica o sexo biológico do bebê com alta precisão. Já o NIPT (Teste
Pré-Natal Não Invasivo) permite rastrear alterações cromossômicas, como
trissomias, incluindo síndrome de Down. “Esses exames representam um avanço
importante porque oferecem informação precoce, sem riscos à gestação e com
apoio à tomada de decisão clínica”, afirma.
Ela
ressalta ainda o Painel de Portadores (PCGT), exame que investiga se o casal
carrega alterações genéticas associadas a doenças hereditárias recessivas. O
recurso pode ser especialmente útil em processos de reprodução assistida,
inclusive na etapa de escolha embrionária. De acordo com a especialista,
entidades médicas já defendem que essa opção seja apresentada a todos que
pretendem ter filhos, e não apenas a famílias com antecedentes conhecidos. “Em
aproximadamente metade dos casos em que houve identificação de risco elevado,
não existia registro familiar prévio dessas condições”, explica.
Vacina é aliada na prevenção
Outro
pilar essencial da jornada materna é a vacinação. Gestantes devem manter em dia
imunizações como influenza, dTpa, hepatite B e Covid-19, conforme recomendação
médica. Também ganhou destaque a vacina contra o vírus sincicial respiratório
(VSR), aplicada na gestação para proteger o bebê nos primeiros meses de vida e
reduzir o risco de bronquiolite.
Para
o Dr. Gleidson, é importante valorizar esse caminho percorrido antes do
nascimento. “Hoje vemos menos improviso e mais preparo, menos idealização e
mais acolhimento. A jornada da mamãe começa antes do colo e merece cuidado em cada
etapa.”
Confira 7 cuidados
importantes antes da gestação:
1. Fazer exames laboratoriaisAntes de engravidar, é
importante avaliar como está a saúde geral da mulher. Exames laboratoriais
ajudam a identificar alterações que muitas vezes não apresentam sintomas, como
anemia, diabetes, deficiências nutricionais e alterações hormonais, que podem
impactar a fertilidade e a gestação.Entre os exames mais indicados no período
pré-concepcional estão hemograma, glicemia, hemoglobina glicada, dosagem de
ferro, ferritina, vitamina D, vitamina B12, avaliação da tireoide e sorologias
para infecções como sífilis, HIV, hepatites, toxoplasmose e rubéola.Segundo
especialistas, o acompanhamento pré-concepcional também auxilia na prevenção de
complicações durante a gravidez e no desenvolvimento saudável do bebê.
2. Atualizar a vacinaçãoA atualização da carteira
vacinal faz parte dos cuidados recomendados para quem pretende engravidar.
Algumas infecções podem trazer riscos tanto para a gestante quanto para o bebê,
por isso a avaliação médica ajuda a verificar quais imunizações são necessárias
em cada caso.Entre as vacinas mais recomendadas antes e durante a gestação
estão influenza, hepatite B, Covid-19 e dTpa, que ajuda na proteção contra
difteria, tétano e coqueluche. Nos últimos anos, especialistas também passaram
a destacar a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), associada à
prevenção de casos graves de bronquiolite em recém-nascidos.
3. Avaliar a saúde ginecológicaExames de imagem podem
ajudar a investigar condições relacionadas ao útero, ovários e trompas antes da
gravidez. Entre os principais estão ultrassom transvaginal, ultrassom pélvico
e, em alguns casos, histerossalpingografia, exame utilizado para avaliar a
permeabilidade das trompas. Essa avaliação permite identificar possíveis
fatores que possam dificultar a concepção ou exigir acompanhamento específico
durante a gestação. O ginecologista Jaime Kulak, do Laboratório Frischmann
Aisengart, afirma que essa investigação permite identificar alterações antes
das tentativas de engravidar
.4. Começar a suplementação adequadaO ácido fólico
costuma ser recomendado antes mesmo da concepção porque participa da formação
do tubo neural do bebê, estrutura que dará origem ao cérebro e à medula
espinhal ainda nas primeiras semanas da gestação. A suplementação adequada ajuda
a reduzir o risco de malformações congênitas, como anencefalia e espinha
bífida.Segundo a ginecologista e ultrassonografista ginecológica Ana Glauce, do
Laboratório Exame, a recomendação é que a suplementação seja iniciada antes da
gravidez, já que muitas mulheres descobrem a gestação quando essa fase inicial
do desenvolvimento fetal já começou. Ela destaca ainda que a dose deve ser
orientada de forma individualizada, de acordo com o histórico clínico e as
necessidades de cada paciente.
5. Melhorar hábitos de vidaHábitos de vida também
exercem influência importante na fertilidade e na saúde da gestação.
Alimentação balanceada, prática regular de atividade física, qualidade do sono
e redução do consumo de álcool e cigarro estão entre os fatores que contribuem
para o equilíbrio hormonal e o bem-estar materno.Estudos recentes publicados na
revista científica Human Reproduction³ também apontam que o consumo
frequente de alimentos ultraprocessados pode estar associado a maior
dificuldade para engravidar e a impactos no desenvolvimento embrionário
inicial, reforçando a importância dos cuidados com a alimentação já no período
pré-concepcional.
6. Conhecer os exames genéticos disponíveisOs avanços da
medicina diagnóstica ampliaram as possibilidades de acompanhamento da gestação
e do planejamento reprodutivo. Natália Gonçalves, superintendente de reprodução
humana, pesquisa e desenvolvimento da Dasa Genômica, explica que exames como a
sexagem fetal e o NIPT (Teste Pré-Natal Não Invasivo) permitem obter
informações ainda nas primeiras semanas da gravidez, incluindo o rastreamento
de alterações cromossômicas.Ela também destaca o Painel de Portadores (PCGT),
exame genético que avalia se o casal possui variantes associadas a doenças
hereditárias recessivas, contribuindo para um acompanhamento mais
individualizado da saúde reprodutiva.
7. Buscar acompanhamento individualizadoCada mulher
possui histórico clínico, rotina e necessidades específicas. Por isso, o acompanhamento
médico personalizado é importante em todas as etapas do planejamento
reprodutivo.Estudos recentes também mostram que saúde mental, apoio emocional e
condições de vida estão entre os fatores mais relevantes para quem deseja
engravidar.Para Annelise Wengerkievciz Lopes, a maternidade deve ser vista como
uma jornada de cuidado contínuo. “Hoje vemos menos improviso e mais preparo,
menos idealização e mais acolhimento. A jornada da maternidade começa antes
mesmo da gravidez.”
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