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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Maternidade planejada: 7 cuidados importantes antes de engravidar

Exames, vacinação, alimentação e hábitos saudáveis ajudam a preparar o corpo para uma gestação mais segura

 

A maternidade começa muito antes do teste positivo. Cada vez mais mulheres têm buscado acompanhamento médico, exames preventivos e mudanças no estilo de vida antes da gravidez para reduzir riscos e melhorar a saúde materna e fetal. 

Segundo dados recentes do IBGE, o número de mães com 40 anos de idade ou mais quase dobrou em duas décadas. Em 2000, foram registrados cerca de 74 mil partos de mulheres nessa faixa etária. Já em 2022, foram mais de 139 mil. Essas estatísticas reforçam a importância de cuidados pré-concepcionais, especialmente para quem decide ter filhos em uma fase mais avançada da vida. Essa preparação é ainda mais relevante diante de uma mudança demográfica significativa entre as brasileiras e reforça a importância dos cuidados pré-concepcionais, especialmente diante de fatores como fertilidade, doenças crônicas e prevenção de riscos gestacionais. 

O Diretor médico do Laboratório Exame, Gleidson Viana, explica que uma avaliação laboratorial antes da gravidez pode identificar alterações silenciosas e favorecer uma gestação mais segura. “O ideal é que a mulher inicie esse processo com exames atualizados, para corrigir deficiências nutricionais, investigar doenças metabólicas e avaliar infecções que podem interferir na fertilidade ou no desenvolvimento fetal”, afirma. 

Entre os principais exames laboratoriais indicados nesta fase estão hemograma completo, glicemia, hemoglobina glicada, função tireoidiana, ferro, ferritina, vitamina D, vitamina B12, tipagem sanguínea e sorologias para rubéola, toxoplasmose, hepatites, HIV e sífilis. 

Segundo a ginecologista e ultrassonografista ginecológica Ana Glauce, do Laboratório Exame, no Distrito Federal, exames de imagem como ultrassom transvaginal, ultrassom pélvico e, em alguns casos, a histerossalpingografia, exame que avalia a permeabilidade das trompas e a anatomia uterina, também podem fazer parte da investigação pré-concepcional. Ela destaca que o preparo vai além dos exames. “Controle do peso, atividade física regular, alimentação equilibrada, interrupção do tabagismo, redução do álcool e uso orientado de ácido fólico antes da concepção são medidas importantes para mãe e bebê”, afirma. 

Durante a gestação, os avanços da medicina diagnóstica ampliaram o cuidado individualizado. Natália Gonçalves, superintendente de reprodução humana, pesquisa e desenvolvimento de Dasa Genômica, explica que exames baseados em DNA fetal trouxeram mais precisão ao pré-natal. 

A sexagem fetal, realizada por meio de sangue materno a partir da oitava semana, identifica o sexo biológico do bebê com alta precisão. Já o NIPT (Teste Pré-Natal Não Invasivo) permite rastrear alterações cromossômicas, como trissomias, incluindo síndrome de Down. “Esses exames representam um avanço importante porque oferecem informação precoce, sem riscos à gestação e com apoio à tomada de decisão clínica”, afirma. 

Ela ressalta ainda o Painel de Portadores (PCGT), exame que investiga se o casal carrega alterações genéticas associadas a doenças hereditárias recessivas. O recurso pode ser especialmente útil em processos de reprodução assistida, inclusive na etapa de escolha embrionária. De acordo com a especialista, entidades médicas já defendem que essa opção seja apresentada a todos que pretendem ter filhos, e não apenas a famílias com antecedentes conhecidos. “Em aproximadamente metade dos casos em que houve identificação de risco elevado, não existia registro familiar prévio dessas condições”, explica.
 

Vacina é aliada na prevenção  

Outro pilar essencial da jornada materna é a vacinação. Gestantes devem manter em dia imunizações como influenza, dTpa, hepatite B e Covid-19, conforme recomendação médica. Também ganhou destaque a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), aplicada na gestação para proteger o bebê nos primeiros meses de vida e reduzir o risco de bronquiolite. 

Para o Dr. Gleidson, é importante valorizar esse caminho percorrido antes do nascimento. “Hoje vemos menos improviso e mais preparo, menos idealização e mais acolhimento. A jornada da mamãe começa antes do colo e merece cuidado em cada etapa.”

 

Confira 7 cuidados importantes antes da gestação:

1. Fazer exames laboratoriaisAntes de engravidar, é importante avaliar como está a saúde geral da mulher. Exames laboratoriais ajudam a identificar alterações que muitas vezes não apresentam sintomas, como anemia, diabetes, deficiências nutricionais e alterações hormonais, que podem impactar a fertilidade e a gestação.Entre os exames mais indicados no período pré-concepcional estão hemograma, glicemia, hemoglobina glicada, dosagem de ferro, ferritina, vitamina D, vitamina B12, avaliação da tireoide e sorologias para infecções como sífilis, HIV, hepatites, toxoplasmose e rubéola.Segundo especialistas, o acompanhamento pré-concepcional também auxilia na prevenção de complicações durante a gravidez e no desenvolvimento saudável do bebê.

2. Atualizar a vacinaçãoA atualização da carteira vacinal faz parte dos cuidados recomendados para quem pretende engravidar. Algumas infecções podem trazer riscos tanto para a gestante quanto para o bebê, por isso a avaliação médica ajuda a verificar quais imunizações são necessárias em cada caso.Entre as vacinas mais recomendadas antes e durante a gestação estão influenza, hepatite B, Covid-19 e dTpa, que ajuda na proteção contra difteria, tétano e coqueluche. Nos últimos anos, especialistas também passaram a destacar a vacina contra o vírus sincicial respiratório (VSR), associada à prevenção de casos graves de bronquiolite em recém-nascidos.

3. Avaliar a saúde ginecológicaExames de imagem podem ajudar a investigar condições relacionadas ao útero, ovários e trompas antes da gravidez. Entre os principais estão ultrassom transvaginal, ultrassom pélvico e, em alguns casos, histerossalpingografia, exame utilizado para avaliar a permeabilidade das trompas. Essa avaliação permite identificar possíveis fatores que possam dificultar a concepção ou exigir acompanhamento específico durante a gestação. O ginecologista Jaime Kulak, do Laboratório Frischmann Aisengart, afirma que essa investigação permite identificar alterações antes das tentativas de engravidar

.4. Começar a suplementação adequadaO ácido fólico costuma ser recomendado antes mesmo da concepção porque participa da formação do tubo neural do bebê, estrutura que dará origem ao cérebro e à medula espinhal ainda nas primeiras semanas da gestação. A suplementação adequada ajuda a reduzir o risco de malformações congênitas, como anencefalia e espinha bífida.Segundo a ginecologista e ultrassonografista ginecológica Ana Glauce, do Laboratório Exame, a recomendação é que a suplementação seja iniciada antes da gravidez, já que muitas mulheres descobrem a gestação quando essa fase inicial do desenvolvimento fetal já começou. Ela destaca ainda que a dose deve ser orientada de forma individualizada, de acordo com o histórico clínico e as necessidades de cada paciente.

5. Melhorar hábitos de vidaHábitos de vida também exercem influência importante na fertilidade e na saúde da gestação. Alimentação balanceada, prática regular de atividade física, qualidade do sono e redução do consumo de álcool e cigarro estão entre os fatores que contribuem para o equilíbrio hormonal e o bem-estar materno.Estudos recentes publicados na revista científica Human Reproduction³ também apontam que o consumo frequente de alimentos ultraprocessados pode estar associado a maior dificuldade para engravidar e a impactos no desenvolvimento embrionário inicial, reforçando a importância dos cuidados com a alimentação já no período pré-concepcional.

6. Conhecer os exames genéticos disponíveisOs avanços da medicina diagnóstica ampliaram as possibilidades de acompanhamento da gestação e do planejamento reprodutivo. Natália Gonçalves, superintendente de reprodução humana, pesquisa e desenvolvimento da Dasa Genômica, explica que exames como a sexagem fetal e o NIPT (Teste Pré-Natal Não Invasivo) permitem obter informações ainda nas primeiras semanas da gravidez, incluindo o rastreamento de alterações cromossômicas.Ela também destaca o Painel de Portadores (PCGT), exame genético que avalia se o casal possui variantes associadas a doenças hereditárias recessivas, contribuindo para um acompanhamento mais individualizado da saúde reprodutiva.

7. Buscar acompanhamento individualizadoCada mulher possui histórico clínico, rotina e necessidades específicas. Por isso, o acompanhamento médico personalizado é importante em todas as etapas do planejamento reprodutivo.Estudos recentes também mostram que saúde mental, apoio emocional e condições de vida estão entre os fatores mais relevantes para quem deseja engravidar.Para Annelise Wengerkievciz Lopes, a maternidade deve ser vista como uma jornada de cuidado contínuo. “Hoje vemos menos improviso e mais preparo, menos idealização e mais acolhimento. A jornada da maternidade começa antes mesmo da gravidez.”



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