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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Queda nas temperaturas leva ao aumento de crises respiratórias em crianças

 

Ar seco e maior permanência em ambientes fechados culminam para a circulação de vírus respiratórios, causando crises que resultam em internações hospitalares

 

A chegada do Outono e do Inverno leva a uma queda brusca de temperatura, clima seco e ressecamento das mucosas, diminuindo a proteção natural das vias aéreas e facilitando infecções e crises respiratórias. Nas crianças, quadros como esse tem maior adesão e são de maior gravidade, uma vez que possuem sistema imunológico em desenvolvimento e vias aéreas menores, mais suscetíveis à obstrução por conta de inflamação e secreção.  

Segundo dados da Fiocruz, o vírus sincicial respiratório (VSR) se mantém como a principal causa de internação e óbitos em crianças menores de 2 anos. Casos de bronquiolite, pneumonia e infecções respiratórias graves são os mais recorrentes nessa época do ano, sendo a bronquiolite responsável por 47,2% das internações.  

A pediatra, especialista em medicina intensiva pediátrica do Hospital Ribeirania e gerente da vigilância epidemiológica da secretaria da saúde em Ribeirão Preto, Dra. Viviane Balbão (CRM: 118380 RQE: 65481/654811), explica que os principais sintomas de crianças que apresentam crise respiratória são respiração ofegante, muitas vezes com aumento da frequência respiratória, chiado no peito, dificuldade para falar, mamar, deglutir e sonolência excessiva. A coloração da pele também é um sinal importante de alerta. Crianças pálidas ou com a coloração dos lábios e das extremidades arroxeadas que apresentam febre associada a piora do padrão respiratório também são condições importantes.  Quando não tratados corretamente ou em casos em que a infecção se encontra avançada, a necessidade de internação em uma UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) pediátrica se torna primordial para a recuperação do paciente.   

“A evolução para os quadros graves geralmente ocorre quando há um comprometimento da troca gasosa, ou seja, na entrada do oxigênio e na eliminação do gás carbônico e, assim, podemos ter problema na oxigenação e/ou problema na ventilação. Esse prejuízo na troca gasosa geralmente costuma se apresentar clinicamente com sinais de fadiga e falência respiratória, podendo inclusive estar associado a um processo inflamatório intenso, que poderá resultar em infecção mais grave como sepse e choque séptico. Os principais fatores de risco para o agravamento são crianças abaixo de 2 anos, prematuros, pacientes que já tem alguma doença pulmonar crônica, portadores de cardiopatia congênita, imunodeficiência, asmáticos, estado vacinal inadequado e diagnóstico feito de forma tardia. Quando essa criança evolui com insuficiência respiratória, geralmente é necessário algum suporte avançado de tratamento como uso de oxigenioterapia de alto fluxo, uso de ventilação não invasiva ou até mesmo uso de suporte ventilatório invasivo, ou seja, o paciente será entubado”, explica.  

O tratamento para casos mais complexos acontece desde oferta de oxigênio em tipos de suporte mais comuns como cateter nasal e máscara não inalante até o uso de terapias mais elaboradas como cateter nasal de auto fluxo, uso de aparelhos de ventilação não invasiva, ventilação invasiva e uso de antibióticos para quadros bacterianos. O paciente vai precisar, muitas vezes, de monitorização contínua em unidades de terapia intensiva pediátrica.  

Em casos de menor gravidade, o procedimento a ser seguido é o suporte clínico com orientação de hidratação, lavagem nasal com soro fisiológico, controle da temperatura e observar e medicar de acordo com os sintomas quando houver indicação.  A vacinação infantil e o quadro vacinal em dia continua sendo uma das medidas mais eficazes para prevenir pneumonias, infecções graves por influenza, COVID e tantas outras infecções respiratórias graves. 

“Além da vacinação, é importante orientação de higienização frequente das mãos, evitar expor essa criança à fumaça de cigarro, manter os ambientes bastante ventilados, evitar ficar em contato com pessoas que estejam doentes, gripadas, incentivar muito a hidratação, orientar a lavagem nasal com soro fisiológico nesses períodos que tem maior circulação viral e manter acompanhamento regular com pediatra, especialmente em crianças com doenças crônicas. É importante reforçar também que não devem ser administrados medicamentos sem orientação médica, pois é necessária a avaliação clínica adequada da criança para fazer uma prescrição”, enfatiza a especialista. 


Estruturar para cuidar 

Uma UTI pediátrica moderna atua de forma multiprofissional, com monitorização avançada, protocolos atualizados de segurança e qualidade assistencial, fundamentais para a redução de complicações e da mortalidade. Com isso, o Hospital Ribeirania transferiu seu espaço da assistência intensiva infantil para oferecer mais conforto, segurança e funcionalidade. 

Com 8 leitos, sendo um deles um quarto de isolamento, o local contará com equipamentos e tecnologia voltados ao atendimento infantil como ventiladores mecânicos pediátricos, monitores multiparamétricos, bombas de infusão e recursos avançados de suporte intensivo.  

Segundo a enfermeira intensivista e coordenadora da UTI pediátrica Marilia Ciaco Munzlinger (COREN: 540.206), o objetivo da mudança é qualificar ainda mais a assistência prestada às crianças assistidas.  

“A transferência para uma área reformada e modernizada traz benefícios importantes como melhor estrutura física, otimização dos fluxos assistenciais, mais conforto para pacientes e familiares, além de melhores condições de trabalho para as equipes médica e multiprofissional, refletindo diretamente na qualidade e segurança do cuidado. É um reforço do nosso compromisso em atender com excelência e acolhimento”, conclui.  

A nova estrutura também visa fortalecer o suporte aos pacientes submetidos a cirurgias cardíacas, neurológicas, ortopédicas e cirurgias gerais infantis, proporcionando uma assistência intensiva mais moderna, segura e especializada.   

  


Grupo São Lucas de Ribeirão Preto (SP)

 

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