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seco e maior permanência em ambientes fechados culminam para a circulação de
vírus respiratórios, causando crises que resultam em internações hospitalares
A chegada do Outono e do Inverno leva a
uma queda brusca de temperatura, clima seco e ressecamento das mucosas,
diminuindo a proteção natural das vias aéreas e facilitando infecções e crises
respiratórias. Nas crianças, quadros como esse tem maior adesão e são de maior
gravidade, uma vez que possuem sistema imunológico em desenvolvimento e vias
aéreas menores, mais suscetíveis à obstrução por conta de inflamação e
secreção.
Segundo dados da Fiocruz, o vírus
sincicial respiratório (VSR) se mantém como a principal causa de internação e
óbitos em crianças menores de 2 anos. Casos de bronquiolite, pneumonia e
infecções respiratórias graves são os mais recorrentes nessa época do ano,
sendo a bronquiolite responsável por 47,2% das internações.
A pediatra, especialista em medicina
intensiva pediátrica do Hospital Ribeirania e gerente da vigilância
epidemiológica da secretaria da saúde em Ribeirão Preto, Dra.
Viviane Balbão (CRM: 118380 RQE: 65481/654811), explica que os
principais sintomas de crianças que apresentam crise respiratória são
respiração ofegante, muitas vezes com aumento da frequência respiratória,
chiado no peito, dificuldade para falar, mamar, deglutir e sonolência
excessiva. A coloração da pele também é um sinal importante de alerta. Crianças
pálidas ou com a coloração dos lábios e das extremidades arroxeadas que
apresentam febre associada a piora do padrão respiratório também são condições
importantes. Quando não tratados corretamente ou em casos em que a
infecção se encontra avançada, a necessidade de internação em uma UTI (Unidade
de Tratamento Intensivo) pediátrica se torna primordial para a recuperação do
paciente.
“A evolução para os quadros graves
geralmente ocorre quando há um comprometimento da troca gasosa, ou seja, na
entrada do oxigênio e na eliminação do gás carbônico e, assim, podemos ter
problema na oxigenação e/ou problema na ventilação. Esse prejuízo na troca
gasosa geralmente costuma se apresentar clinicamente com sinais de fadiga e
falência respiratória, podendo inclusive estar associado a um processo
inflamatório intenso, que poderá resultar em infecção mais grave como sepse e
choque séptico. Os principais fatores de risco para o agravamento são crianças
abaixo de 2 anos, prematuros, pacientes que já tem alguma doença pulmonar
crônica, portadores de cardiopatia congênita, imunodeficiência, asmáticos,
estado vacinal inadequado e diagnóstico feito de forma tardia. Quando essa
criança evolui com insuficiência respiratória, geralmente é necessário algum
suporte avançado de tratamento como uso de oxigenioterapia de alto fluxo, uso
de ventilação não invasiva ou até mesmo uso de suporte ventilatório invasivo,
ou seja, o paciente será entubado”, explica.
O tratamento para casos mais complexos
acontece desde oferta de oxigênio em tipos de suporte mais comuns como cateter
nasal e máscara não inalante até o uso de terapias mais elaboradas como cateter
nasal de auto fluxo, uso de aparelhos de ventilação não invasiva, ventilação
invasiva e uso de antibióticos para quadros bacterianos. O paciente vai
precisar, muitas vezes, de monitorização contínua em unidades de terapia
intensiva pediátrica.
Em casos de menor gravidade, o procedimento
a ser seguido é o suporte clínico com orientação de hidratação, lavagem nasal
com soro fisiológico, controle da temperatura e observar e medicar de acordo
com os sintomas quando houver indicação. A vacinação infantil e o quadro
vacinal em dia continua sendo uma das medidas mais eficazes para prevenir
pneumonias, infecções graves por influenza, COVID e tantas outras infecções
respiratórias graves.
“Além da vacinação, é importante
orientação de higienização frequente das mãos, evitar expor essa criança à
fumaça de cigarro, manter os ambientes bastante ventilados, evitar ficar em
contato com pessoas que estejam doentes, gripadas, incentivar muito a
hidratação, orientar a lavagem nasal com soro fisiológico nesses períodos que
tem maior circulação viral e manter acompanhamento regular com pediatra,
especialmente em crianças com doenças crônicas. É importante reforçar também
que não devem ser administrados medicamentos sem orientação médica, pois é
necessária a avaliação clínica adequada da criança para fazer uma prescrição”,
enfatiza a especialista.
Estruturar para cuidar
Uma UTI pediátrica moderna atua de
forma multiprofissional, com monitorização avançada, protocolos atualizados de
segurança e qualidade assistencial, fundamentais para a redução de complicações
e da mortalidade. Com isso, o Hospital Ribeirania transferiu seu
espaço da assistência intensiva infantil para oferecer mais conforto, segurança
e funcionalidade.
Com 8 leitos, sendo um deles um quarto
de isolamento, o local contará com equipamentos e tecnologia voltados ao
atendimento infantil como ventiladores mecânicos pediátricos, monitores
multiparamétricos, bombas de infusão e recursos avançados de suporte intensivo.
Segundo a enfermeira intensivista e coordenadora
da UTI pediátrica Marilia Ciaco Munzlinger (COREN: 540.206), o
objetivo da mudança é qualificar ainda mais a assistência prestada às crianças
assistidas.
“A transferência para uma área
reformada e modernizada traz benefícios importantes como melhor estrutura
física, otimização dos fluxos assistenciais, mais conforto para pacientes e familiares,
além de melhores condições de trabalho para as equipes médica e
multiprofissional, refletindo diretamente na qualidade e segurança do cuidado.
É um reforço do nosso compromisso em atender com excelência e acolhimento”,
conclui.
A nova estrutura também visa fortalecer
o suporte aos pacientes submetidos a cirurgias cardíacas, neurológicas,
ortopédicas e cirurgias gerais infantis, proporcionando uma assistência
intensiva mais moderna, segura e especializada.
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