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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Frio e doenças respiratórias: quando nebulização e lavagem nasal podem ajudar

País enfrenta alta de síndromes respiratórias graves neste outono; otorrinolaringologista explica papel da nebulização e da lavagem nasal
 

O avanço dos casos de síndrome respiratória aguda grave em grande parte do Brasil preocupa especialistas de saúde neste outono. Segundo dados recentes divulgados pela Fiocruz, o país vive um aumento importante das hospitalizações por vírus respiratórios, principalmente entre crianças e idosos.

Com a queda da temperatura, ambientes mais fechados e pouca circulação de ar favorecem a transmissão de vírus respiratórios, aumentando os casos de gripe, resfriado, bronquiolite, sinusite, crises alérgicas e pneumonias.

Para Dra. Roberta Pilla Otorrinolaringologista e Otorrinopediatra da ABORL-CCF, o frio exige atenção redobrada principalmente com os sintomas respiratórios persistentes.

“A gente percebe um aumento importante dos quadros respiratórios nessa época do ano porque as pessoas permanecem mais tempo em locais fechados e com pouca ventilação. Isso facilita muito a circulação dos vírus”, explica.

Segundo a especialista, além das infecções virais, o clima seco e as oscilações de temperatura também favorecem crises de rinite, sinusite e agravamento da asma.

Entre as medidas mais utilizadas para aliviar os sintomas respiratórios estão a nebulização e a lavagem nasal. A nebulização funciona por meio de um aparelho que transforma soluções líquidas em partículas muito finas, formando uma névoa que é inalada diretamente pelas vias respiratórias. O método ajuda na umidificação da via aérea e na fluidificação das secreções.

“A nebulização ajuda a deixar a secreção mais fluida, facilitando sua eliminação e promovendo alívio de sintomas como tosse, congestão nasal, coriza e desconforto respiratório”, afirma Dra. Roberta.

Ela destaca que, em muitos casos, a nebulização pode ser feita apenas com soro fisiológico, sem necessidade de medicações. “O soro fisiológico sozinho já ajuda bastante na hidratação das vias aéreas e no conforto respiratório, principalmente em crianças pequenas”, explica.

A especialista alerta, porém, que o uso de medicamentos inalados deve sempre ser orientado por um médico.

Outro ponto importante é a escolha do nebulizador. Atualmente, os modelos de rede vibratória são os mais recomendados para uso domiciliar por serem silenciosos, portáteis e mais práticos para crianças e idosos.

Além da nebulização, a lavagem nasal também ganhou destaque nos últimos anos como uma medida importante de higiene respiratória.

Indicada tanto para adultos quanto para crianças, a lavagem ajuda a remover secreções, hidratar a mucosa nasal e reduzir processos inflamatórios.

“A lavagem nasal não serve apenas quando a pessoa está doente. Hoje ela é considerada uma medida preventiva e pode fazer parte da rotina de higiene respiratória”, ressalta Dra. Roberta.

A médica explica que a prática pode ajudar na prevenção de complicações após quadros virais, reduzindo o risco de sinusites e piora das crises alérgicas.

Nas crianças, o procedimento exige ainda mais cuidado e adaptação.

“O ideal é transformar esse momento em algo tranquilo e acolhedor. Explicar para a criança o que será feito e respeitar a adaptação dela faz diferença na efetividade da lavagem nasal”, orienta.

A especialista também reforça que o volume de soro e a pressão utilizada devem variar conforme a idade, o quadro clínico e a orientação médica.

Entre os cuidados essenciais para evitar o agravamento das doenças respiratórias durante o frio, Dra. Roberta destaca a importância de manter os ambientes ventilados, reforçar a hidratação, evitar exposição à fumaça e manter a higiene correta dos dispositivos utilizados em nebulização e lavagem nasal.

“A limpeza inadequada dos aparelhos pode favorecer contaminações e piorar os quadros respiratórios. Higiene é parte fundamental do tratamento”, finaliza. 

 

Dra. Roberta Pilla - Otorrinolaringologia Geral Adulto e Infantil. Laringologia e Voz. Distúrbios da Deglutição; Via Aérea Pediátrica. Médica Graduada pela PUCRS- Porto Alegre/ Rio Grande do Sul (2003). Pesquisa Laboratorial em Cirurgia Cardíaca na Universidade da Pensilvania – Philadelphia/USA (2004). Título de Especialista em Otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (2009). Mestrado em Cirurgia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS- Porto Alegre/RS) (2012-2016). Membro da Diretoria da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORLCCF) (2016). Membro do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF (2017-2022). 2019-2020: Presidente do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF. 2021- 2022: Secretaria Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF. Médica do Grupo de Otorrinolaringologia e Via Aérea Pediátrica do Hospital Infantil Sabará (SP/São Paulo). Médica do Grupo de Otorrinolaringologia e Via Aérea Pediátrica dos: Hospitais do Grupo Maternidade Santa Joana e Pró-Matre (SP/ São Paulo); Médica do Grupo de Otorrinolaringologia do CDB Diagnósticos; Médica Otorrinolaringologista do Hospital Moriah (SP/São Paulo); Médica Otorrinolaringologista do Ambulatório da Rede Record de Televisão (SP/ São Paulo)




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