País enfrenta alta de síndromes respiratórias
graves neste outono; otorrinolaringologista explica papel da nebulização e da
lavagem nasal
O
avanço dos casos de síndrome respiratória aguda grave em grande parte do Brasil
preocupa especialistas de saúde neste outono. Segundo dados recentes divulgados
pela Fiocruz, o país vive um aumento importante das hospitalizações por vírus
respiratórios, principalmente entre crianças e idosos.
Com
a queda da temperatura, ambientes mais fechados e pouca circulação de ar
favorecem a transmissão de vírus respiratórios, aumentando os casos de gripe,
resfriado, bronquiolite, sinusite, crises alérgicas e pneumonias.
Para
Dra. Roberta Pilla Otorrinolaringologista e Otorrinopediatra da ABORL-CCF, o
frio exige atenção redobrada principalmente com os sintomas respiratórios
persistentes.
“A
gente percebe um aumento importante dos quadros respiratórios nessa época do
ano porque as pessoas permanecem mais tempo em locais fechados e com pouca
ventilação. Isso facilita muito a circulação dos vírus”, explica.
Segundo
a especialista, além das infecções virais, o clima seco e as oscilações de
temperatura também favorecem crises de rinite, sinusite e agravamento da asma.
Entre
as medidas mais utilizadas para aliviar os sintomas respiratórios estão a
nebulização e a lavagem nasal. A nebulização funciona por meio de um aparelho
que transforma soluções líquidas em partículas muito finas, formando uma névoa
que é inalada diretamente pelas vias respiratórias. O método ajuda na
umidificação da via aérea e na fluidificação das secreções.
“A
nebulização ajuda a deixar a secreção mais fluida, facilitando sua eliminação e
promovendo alívio de sintomas como tosse, congestão nasal, coriza e desconforto
respiratório”, afirma Dra. Roberta.
Ela
destaca que, em muitos casos, a nebulização pode ser feita apenas com soro
fisiológico, sem necessidade de medicações. “O soro fisiológico sozinho já
ajuda bastante na hidratação das vias aéreas e no conforto respiratório,
principalmente em crianças pequenas”, explica.
A
especialista alerta, porém, que o uso de medicamentos inalados deve sempre ser
orientado por um médico.
Outro
ponto importante é a escolha do nebulizador. Atualmente, os modelos de rede
vibratória são os mais recomendados para uso domiciliar por serem silenciosos,
portáteis e mais práticos para crianças e idosos.
Além
da nebulização, a lavagem nasal também ganhou destaque nos últimos anos como
uma medida importante de higiene respiratória.
Indicada
tanto para adultos quanto para crianças, a lavagem ajuda a remover secreções,
hidratar a mucosa nasal e reduzir processos inflamatórios.
“A
lavagem nasal não serve apenas quando a pessoa está doente. Hoje ela é
considerada uma medida preventiva e pode fazer parte da rotina de higiene
respiratória”, ressalta Dra. Roberta.
A
médica explica que a prática pode ajudar na prevenção de complicações após
quadros virais, reduzindo o risco de sinusites e piora das crises alérgicas.
Nas
crianças, o procedimento exige ainda mais cuidado e adaptação.
“O
ideal é transformar esse momento em algo tranquilo e acolhedor. Explicar para a
criança o que será feito e respeitar a adaptação dela faz diferença na
efetividade da lavagem nasal”, orienta.
A
especialista também reforça que o volume de soro e a pressão utilizada devem
variar conforme a idade, o quadro clínico e a orientação médica.
Entre
os cuidados essenciais para evitar o agravamento das doenças respiratórias
durante o frio, Dra. Roberta destaca a importância de manter os ambientes
ventilados, reforçar a hidratação, evitar exposição à fumaça e manter a higiene
correta dos dispositivos utilizados em nebulização e lavagem nasal.
“A limpeza inadequada dos aparelhos pode favorecer contaminações e piorar os quadros respiratórios. Higiene é parte fundamental do tratamento”, finaliza.
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