Hospital Pequeno Príncipe, melhor hospital pediátrico da América Latina, mostra como a destinação do IR, cuja declaração se encerra no próximo dia 29 de maio, pode financiar tratamentos de alta complexidade sem custar um centavo a mais ao contribuinte
Destinar o
imposto não é caridade.
É uma escolha
sobre quem cuida das crianças do Brasil.
Todos os anos,
milhões de brasileiros preenchem a declaração do Imposto de Renda sem saber que
podem decidir para onde parte desse dinheiro vai. A legislação permite, desde
1990, que pessoas físicas destinem até 3% do IR devido (a pagar ou a restituir) a
entidades filantrópicas voltadas à proteção de crianças e adolescentes — sem
pagar absolutamente nada a mais por isso. O prazo final para a
entrega das declarações é dia 29 de maio.
Mesmo assim, o
mecanismo permanece subutilizado. Dados da Receita Federal mostram que o potencial
de destinação do IR chegou a R$ 14,59 bilhões em 2025. Desse
total, apenas R$ 413,9 milhões foram efetivamente direcionados — ou seja, 2,84% do que
seria possível. Em outras palavras, mais de R$ 14 bilhões que
poderiam chegar a hospitais e entidades de proteção à infância ficaram nas mãos
do governo federal por falta de informação.
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Entre as
instituições que dependem diretamente dessa mobilização está o Hospital
Pequeno Príncipe, em Curitiba, reconhecido pelo ranking
internacional da revista Newsweek, em parceria com a empresa de
estatística Statista, como o melhor hospital exclusivamente pediátrico da
América Latina pelo quinto ano consecutivo, e uma das 250
maiores referências mundiais em pediatria.
Filantrópico, o
hospital atende crianças de todo o Brasil, em sua maioria em condições de alta
complexidade médica. Mais de 75% dos atendimentos são realizados pelo
SUS. Somente em 2025, a instituição registrou:
- 258.554
atendimentos ambulatoriais
- 20.534
procedimentos cirúrgicos
- 21.637
internações
- Mais
de 1 milhão de exames
- 308
transplantes — incluindo coração, rim, fígado e medula óssea.
Com 369 leitos (76
de UTI), mais de 45 especialidades e uma estrutura comparável ao funcionamento
simultâneo de 45 hospitais especializados reunidos em um único endereço,
o Pequeno Príncipe é um caso singular de excelência obtida sob intensa
restrição de recursos.
O déficit
invisível da pediatria
Hospitais filantrópicos que prestam serviços ao SUS enfrentam, em média, um déficit de 40% entre o que recebem e o custo real do atendimento — percentual formalizado pela Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Paraná (Femipa). No caso de hospitais pediátricos, esse gap é estruturalmente maior: a operação exige, por exemplo, cerca de 30% mais profissionais na farmácia, um lactário com capacidade para produzir 20 mil fórmulas e 10 mil alimentações enterais por mês, além de medicamentos e insumos frequentemente ausentes da tabela SUS.
Em alguns
tratamentos de alta complexidade, uma única dose de imunobiológico pode custar até R$
12 mil — valor que não é coberto pelo financiamento público.
Para compensar esse desequilíbrio, o hospital recorre à captação de recursos
junto à sociedade civil, e a destinação do IR é parte essencial dessa equação.
Nos últimos três
anos, R$136 milhões chegaram ao Hospital Pequeno Príncipe por meio da destinação
do Imposto de Renda. Em 2025, o valor via IR Pessoa Física foi
de R$ 11,8 milhões — o equivalente a 11% do total captado pela instituição junto à
sociedade civil, e parte fundamental da viabilidade financeira
de um dos hospitais mais complexos do país.
"A medicina
evoluiu muito. Os tratamentos são cada vez mais complexos — e também mais
caros. O dinheiro já existe no sistema. Falta apenas que mais contribuintes
decidam para onde ele vai", afirma Ety Cristina Forte Carneiro,
diretora-executiva do Hospital Pequeno Príncipe.
"Quando alguém destina parte do imposto, não está fazendo uma doação extra. Está apenas escolhendo o destino de um valor que já seria recolhido pela Receita. E essa escolha pode garantir tratamentos, pesquisas e vida para milhares de crianças', completa.
Para ampliar o acesso a essa informação, o hospital lançou em 2026 uma campanha nacional inspirada na expressão popular "não é um bicho de sete cabeças" — para mostrar que o processo é simples, rápido e pode ser feito em poucos minutos dentro do próprio programa da declaração. A campanha pode ser vista em: instagram.com/reel/DWZaRDuiiRn
Investir na
saúde das crianças não é um gesto solidário isolado.
É uma decisão concreta sobre o tipo de país que o Brasil quer construir — e que cabe dentro de uma declaração de IR.
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