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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Possibilidade de destinar parte do IR 2026 à filantropia entra em contagem regressiva, e entidades buscam evitar o desperdício de R$ 14 bilhões que podem beneficiar mais vulneráveis

Hospital Pequeno Príncipe, melhor hospital pediátrico da América Latina, mostra como a destinação do IR, cuja declaração se encerra no próximo dia 29 de maio, pode financiar tratamentos de alta complexidade sem custar um centavo a mais ao contribuinte

 

Destinar o imposto não é caridade.

É uma escolha sobre quem cuida das crianças do Brasil.

Todos os anos, milhões de brasileiros preenchem a declaração do Imposto de Renda sem saber que podem decidir para onde parte desse dinheiro vai. A legislação permite, desde 1990, que pessoas físicas destinem até 3% do IR devido (a pagar ou a restituir) a entidades filantrópicas voltadas à proteção de crianças e adolescentes — sem pagar absolutamente nada a mais por isso. O prazo final para a entrega das declarações é dia 29 de maio.

Mesmo assim, o mecanismo permanece subutilizado. Dados da Receita Federal mostram que o potencial de destinação do IR chegou a R$ 14,59 bilhões em 2025. Desse total, apenas R$ 413,9 milhões foram efetivamente direcionados — ou seja, 2,84% do que seria possível. Em outras palavras, mais de R$ 14 bilhões que poderiam chegar a hospitais e entidades de proteção à infância ficaram nas mãos do governo federal por falta de informação.

 

Como funciona na prática

• Válido para contribuintes que entregam a Declaração de Ajuste Anual no modelo COMPLETO (Opção pelas deduções legais).

• Permite direcionar 3% do imposto de renda devido — (a restituir ou a pagar).

• O valor é preenchido diretamente no Programa Gerador da Declaração (PGD) da Receita Federal, na ficha 'Doações Diretamente na Declaração' (código ECA).

Passo a passo: Link

• A destinação é feita no ato da declaração através do pagamento de uma DARF que é gerada na própria declaração.

• Prazo para pagamento da DARF: até a data final de entrega da declaração (29 maio).

 

 

Entre as instituições que dependem diretamente dessa mobilização está o Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba, reconhecido pelo ranking internacional da revista Newsweek, em parceria com a empresa de estatística Statista, como o melhor hospital exclusivamente pediátrico da América Latina pelo quinto ano consecutivo, e uma das 250 maiores referências mundiais em pediatria.

Filantrópico, o hospital atende crianças de todo o Brasil, em sua maioria em condições de alta complexidade médica. Mais de 75% dos atendimentos são realizados pelo SUS. Somente em 2025, a instituição registrou:

  • 258.554 atendimentos ambulatoriais
  • 20.534 procedimentos cirúrgicos
  • 21.637 internações
  • Mais de 1 milhão de exames
  • 308 transplantes — incluindo coração, rim, fígado e medula óssea.

Com 369 leitos (76 de UTI), mais de 45 especialidades e uma estrutura comparável ao funcionamento simultâneo de 45 hospitais especializados reunidos em um único endereço, o Pequeno Príncipe é um caso singular de excelência obtida sob intensa restrição de recursos.

 

O déficit invisível da pediatria

Hospitais filantrópicos que prestam serviços ao SUS enfrentam, em média, um déficit de 40% entre o que recebem e o custo real do atendimento — percentual formalizado pela Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Paraná (Femipa). No caso de hospitais pediátricos, esse gap é estruturalmente maior: a operação exige, por exemplo, cerca de 30% mais profissionais na farmácia, um lactário com capacidade para produzir 20 mil fórmulas e 10 mil alimentações enterais por mês, além de medicamentos e insumos frequentemente ausentes da tabela SUS. 

Em alguns tratamentos de alta complexidade, uma única dose de imunobiológico pode custar até R$ 12 mil — valor que não é coberto pelo financiamento público. Para compensar esse desequilíbrio, o hospital recorre à captação de recursos junto à sociedade civil, e a destinação do IR é parte essencial dessa equação.

Nos últimos três anos, R$136 milhões chegaram ao Hospital Pequeno Príncipe por meio da destinação do Imposto de Renda. Em 2025, o valor via IR Pessoa Física foi de R$ 11,8 milhões — o equivalente a 11% do total captado pela instituição junto à sociedade civil, e parte fundamental da viabilidade financeira de um dos hospitais mais complexos do país.

"A medicina evoluiu muito. Os tratamentos são cada vez mais complexos — e também mais caros. O dinheiro já existe no sistema. Falta apenas que mais contribuintes decidam para onde ele vai", afirma Ety Cristina Forte Carneiro, diretora-executiva do Hospital Pequeno Príncipe.

"Quando alguém destina parte do imposto, não está fazendo uma doação extra. Está apenas escolhendo o destino de um valor que já seria recolhido pela Receita. E essa escolha pode garantir tratamentos, pesquisas e vida para milhares de crianças', completa. 

Para ampliar o acesso a essa informação, o hospital lançou em 2026 uma campanha nacional inspirada na expressão popular "não é um bicho de sete cabeças" — para mostrar que o processo é simples, rápido e pode ser feito em poucos minutos dentro do próprio programa da declaração. A campanha pode ser vista em: instagram.com/reel/DWZaRDuiiRn 

Investir na saúde das crianças não é um gesto solidário isolado.

É uma decisão concreta sobre o tipo de país que o Brasil quer construir — e que cabe dentro de uma declaração de IR.


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