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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Como ajudar no desenvolvimento da fala infantil na era das telas

No Brasil, 44% das crianças de até 2 anos já têm contato com dispositivos digitais; Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda evitar telas antes dessa idade

 

O desenvolvimento da fala infantil tem preocupado especialistas diante do aumento cada vez mais precoce do uso de telas entre crianças. Dados divulgados em 2025 pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI) mostram que 44% das crianças brasileiras de até 2 anos já têm contato com dispositivos digitais. Entre crianças de 3 a 5 anos, o número chega a 71%.

O cenário chama atenção porque a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Academia Americana de Pediatria recomendam evitar telas antes dos 2 anos de idade, justamente por entenderem que a linguagem se desenvolve principalmente através da interação humana.

Um estudo da Universidade de Canterbury, na Nova Zelândia, também reforçou a preocupação ao apontar associação entre maior exposição às telas e dificuldades no desenvolvimento da fala e da linguagem infantil.

“A criança aprende a falar olhando para o rosto do adulto, percebendo expressões faciais, escutando entonações e participando de trocas reais. A tela pode entreter, mas não substitui interação”, explica Adriana Fiore fonoaudióloga infantil.

Segundo a especialista, muitas crianças expostas excessivamente às telas apresentam menor iniciativa de comunicação, vocabulário mais restrito, dificuldade de contato visual e menos interesse em interações sociais.

Além das telas, alterações auditivas também podem impactar diretamente o desenvolvimento da fala. A otorrinolaringologista Dra. Roberta Pilla, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), alerta que otites de repetição e perdas auditivas leves podem passar despercebidas pelas famílias.

“Muitas crianças passam períodos ouvindo de forma abafada por conta de secreções no ouvido. Isso interfere diretamente na percepção dos sons da fala e pode impactar o desenvolvimento da linguagem”, afirma.

Entre os sinais de alerta estão atraso para formar frases, pouca iniciativa de comunicação, dificuldade para responder quando chamada, trocas persistentes de sons e aumento excessivo do volume da televisão.

As especialistas reforçam que o estímulo da linguagem acontece principalmente dentro da rotina da criança e que pequenas atitudes diárias podem fazer diferença no desenvolvimento da fala.

Entre as principais orientações estão:
-Conversar com a criança durante atividades do dia a dia;
-Usar frases curtas e claras;
-Ler livros e contar histórias;
-Oferecer escolhas para incentivar respostas;
-Esperar o tempo da criança responder;
-Estimular brincadeiras sem telas.

“Estimular a linguagem não é fazer a criança repetir palavras o tempo todo. A fala nasce da troca, da brincadeira e do vínculo”, finaliza Adriana Fiore.



Dra. Adriana Fiore - Fonoaudióloga – CRFa 2-12078. Mestre em Distúrbios da Comunicação (PUC-SP). Pós-graduada em Processamento Auditivo Central. Especialista em Voz pelo CEV – Centro de Estudos da Voz. Idealizadora e Diretora da AplusKids


Dra. Roberta Pilla - Otorrinolaringologia Geral Adulto e Infantil. Laringologia e Voz. Distúrbios da Deglutição; Via Aérea Pediátrica. Médica Graduada pela PUCRS- Porto Alegre/ Rio Grande do Sul (2003). Pesquisa Laboratorial em Cirurgia Cardíaca na Universidade da Pensilvania – Philadelphia/USA (2004). Título de Especialista em Otorrinolaringologia pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (2009). Mestrado em Cirurgia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS- Porto Alegre/RS) (2012-2016). Membro da Diretoria da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico Facial (ABORLCCF) (2016). Membro do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF (2017-2022). 2019-2020: Presidente do Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF. 2021- 2022: Secretaria Comitê de Educação Médica Continuada da ABORLCCF. Médica do Grupo de Otorrinolaringologia e Via Aérea Pediátrica do Hospital Infantil Sabará (SP/São Paulo), Médica do Grupo de Otorrinolaringologia e Via Aérea Pediátrica dos: Hospitais do Grupo Maternidade Santa Joana e Pró-Matre (SP/ São Paulo); Médica do Grupo de Otorrinolaringologia do CDB Diagnósticos; Médica Otorrinolaringologista do Hospital Moriah (SP/São Paulo); Médica Otorrinolaringologista do Ambulatório da Rede Record de Televisão (SP/ São Paulo).



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