Guia para identificar os sintomas e ajudar no socorro imediato
Acidente Vascular Cerebral (AVC) - ou derrame, como é popularmente chamado -, é uma condição em que há interrupção do fluxo sanguíneo para uma parte do cérebro, levando à perda da função daquela região. Existem dois tipos principais: o AVC isquêmico, que ocorre por obstrução de uma artéria, geralmente por um coágulo, sendo o mais comum; e o AVC hemorrágico, causado pelo rompimento de um vaso sanguíneo, levando a sangramento no cérebro. Ambos são situações graves e exigem atendimento imediato.
Os números e as estimativas da doença alertam para uma “epidemia” silenciosa. Dados da Organização Mundial do AVC indicam que uma em cada quatro pessoas com mais de 35 anos vai sofrer AVC em algum momento da vida. Se há uma boa notícia é que 90% dos casos poderiam ser evitados com a redução dos fatores de risco, que são hipertensão ou pressão alta, diabetes, tabagismo, obesidade e sedentarismo.
O Ministério da Saúde (MS), inclusive, afirma que o AVC lidera o ranking de causas de morte no Brasil, superando os infartos. De acordo com o MS, a cada seis minutos, aproximadamente, é registrado um óbito por AVC no País, totalizando 265 mortes por dia. O aumento de AVC em jovens também chama atenção, pois responde hoje pelo incremento de 44% dos casos em pessoas com menos de 50 anos.
Com a
mudança no cenário da incidência do AVC no Brasil, o Hospital Edmundo Vasconcelos
preparou esse guia, juntamente com o Dr. Tiago Abrão Setrak Sowmy,
neurologista, para orientar como identificar os sintomas e buscar socorro
imediato.
Sintomas
Os
sintomas do AVC costumam surgir de forma súbita. Entre os mais comuns estão
fraqueza ou dormência em um lado do corpo, desvio da boca, dificuldade para
falar ou entender o que está sendo dito, perda de visão, tontura ou dificuldade
para andar, e, em alguns casos, dor de cabeça intensa e repentina. A principal
característica é a instalação abrupta desses sinais, o que deve sempre chamar
atenção.
Rosto, braço e fala
Existe
uma forma simples e prática de reconhecer um possível AVC no dia a dia,
conhecida como a regra do “rosto, braço e fala”. Peça para a pessoa sorrir e
observe se há desvio da boca; peça para levantar os dois braços e veja se um
deles não consegue subir ou cai; e observe se a fala está enrolada ou
incompreensível. Se qualquer uma dessas alterações estiver presente, é
necessário buscar ajuda imediatamente.
Hospital com urgência
O tempo
para procurar atendimento médico deve ser o menor possível. Idealmente, o
paciente deve chegar ao hospital nas primeiras horas após o início dos
sintomas, pois existem tratamentos que só podem ser realizados dentro de
janelas específicas de tempo. Em muitos casos, intervenções mais eficazes
ocorrem nas primeiras 4 a 6 horas, mas quanto antes o atendimento for iniciado,
maiores são as chances de recuperação.
AVC sem sintomas: o que fazer?
É
fundamental ir imediatamente ao pronto-socorro sempre que houver qualquer
sintoma neurológico súbito, mesmo que pareça leve ou que melhore
espontaneamente. Não se deve aguardar evolução, pois a situação pode piorar
rapidamente ou perder-se a oportunidade de tratamento específico.
Sinais de gravidade
Alguns
sinais indicam maior gravidade, como rebaixamento do nível de consciência,
dificuldade para respirar, vômitos persistentes, dor de cabeça muito intensa e
súbita, convulsões ou paralisia completa de um lado do corpo. Nesses casos, o
risco de morte ou de sequelas graves é ainda maior.
Sintomas leves
O AVC
pode, sim, apresentar sintomas leves ou passageiros, caracterizando o que é chamado
de ataque isquêmico transitório. Mesmo nesses casos é imprescindível procurar
atendimento médico, pois esse evento pode ser o aviso de que um AVC mais grave
pode ocorrer nas próximas horas ou dias.
Fatores de risco
Os
principais fatores de risco para AVC incluem hipertensão arterial, diabetes,
colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, obesidade e doenças cardíacas,
especialmente arritmias, como a fibrilação atrial. Pessoas com essas condições
devem ter atenção redobrada e acompanhamento médico regular.
AVC em jovens
Embora
seja mais comum em idosos, pessoas jovens também podem apresentar AVC. Nesses
casos, podem estar envolvidos fatores como alterações da coagulação, doenças
autoimunes, uso de drogas, dissecções arteriais ou associação de anticoncepcionais
com tabagismo. Os sintomas são semelhantes aos dos pacientes mais velhos e
devem ser valorizados da mesma forma.
Demora no atendimento
A
demora em buscar atendimento pode resultar em perda irreversível de tecido
cerebral, aumentando significativamente o risco de sequelas como paralisia,
dificuldades na fala, alterações cognitivas e até morte. O cérebro é
extremamente sensível à falta de oxigênio, e cada minuto de atraso impacta
diretamente no prognóstico.
Atendimento no Pronto-socorro
No Pronto-socorro,
o atendimento de um paciente com suspeita de AVC é realizado de forma rápida e
protocolar. Inicialmente há avaliação clínica e neurológica, seguida de exames
de imagem, como a Tomografia, para diferenciar o AVC isquêmico e do
hemorrágico. A partir disso, define-se o tratamento, que pode incluir
medicações específicas para dissolver coágulos ou procedimentos para retirada
do trombo, além de medidas de suporte e controle de fatores como pressão
arterial.
Até chegar no hospital
Enquanto
o paciente não chega ao hospital, algumas atitudes podem ser fundamentais:
acionar imediatamente o Serviço de Emergência, anotar o horário exato do início
dos sintomas, manter a pessoa em repouso e em posição confortável, evitar
oferecer alimentos, líquidos ou medicamentos, e observar sinais vitais e nível
de consciência. Essas medidas simples podem contribuir para o desfecho mais
favorável.
Cada paciente é único
É
importante reforçar que cada paciente deve ser avaliado de forma
individualizada. A conduta médica depende do tempo de início dos sintomas, do
tipo de AVC, das condições clínicas prévias e dos medicamentos em uso. Por
isso, o reconhecimento precoce e o encaminhamento imediato ao atendimento
especializado são determinantes para reduzir sequelas e salvar vidas.
Dr. Tiago Abrão Setrak Sowmy - Neurologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, formado pela Universidade de São Paulo (USP), com residência em Neurologia pelo HC-FMUSP e mestrado em Neurociências pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Atua com foco em doenças neurológicas, especialmente esclerose múltipla e neuroimunologia, além de cursar MBA em inovação e aplicação de inteligência artificial na Medicina.
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