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quarta-feira, 20 de maio de 2026

AVC: a doença que mais mata no Brasil

Guia para identificar os sintomas e ajudar no socorro imediato

 

Acidente Vascular Cerebral (AVC) - ou derrame, como é popularmente chamado -, é uma condição em que há interrupção do fluxo sanguíneo para uma parte do cérebro, levando à perda da função daquela região. Existem dois tipos principais: o AVC isquêmico, que ocorre por obstrução de uma artéria, geralmente por um coágulo, sendo o mais comum; e o AVC hemorrágico, causado pelo rompimento de um vaso sanguíneo, levando a sangramento no cérebro. Ambos são situações graves e exigem atendimento imediato. 

Os números e as estimativas da doença alertam para uma “epidemia” silenciosa. Dados da Organização Mundial do AVC indicam que uma em cada quatro pessoas com mais de 35 anos vai sofrer AVC em algum momento da vida. Se há uma boa notícia é que 90% dos casos poderiam ser evitados com a redução dos fatores de risco, que são hipertensão ou pressão alta, diabetes, tabagismo, obesidade e sedentarismo. 

O Ministério da Saúde (MS), inclusive, afirma que o AVC lidera o ranking de causas de morte no Brasil, superando os infartos. De acordo com o MS, a cada seis minutos, aproximadamente, é registrado um óbito por AVC no País, totalizando 265 mortes por dia. O aumento de AVC em jovens também chama atenção, pois responde hoje pelo incremento de 44% dos casos em pessoas com menos de 50 anos. 

Com a mudança no cenário da incidência do AVC no Brasil, o Hospital Edmundo Vasconcelos preparou esse guia, juntamente com o Dr. Tiago Abrão Setrak Sowmy, neurologista, para orientar como identificar os sintomas e buscar socorro imediato.

 

Sintomas

Os sintomas do AVC costumam surgir de forma súbita. Entre os mais comuns estão fraqueza ou dormência em um lado do corpo, desvio da boca, dificuldade para falar ou entender o que está sendo dito, perda de visão, tontura ou dificuldade para andar, e, em alguns casos, dor de cabeça intensa e repentina. A principal característica é a instalação abrupta desses sinais, o que deve sempre chamar atenção.

 

Rosto, braço e fala

Existe uma forma simples e prática de reconhecer um possível AVC no dia a dia, conhecida como a regra do “rosto, braço e fala”. Peça para a pessoa sorrir e observe se há desvio da boca; peça para levantar os dois braços e veja se um deles não consegue subir ou cai; e observe se a fala está enrolada ou incompreensível. Se qualquer uma dessas alterações estiver presente, é necessário buscar ajuda imediatamente.

 

Hospital com urgência

O tempo para procurar atendimento médico deve ser o menor possível. Idealmente, o paciente deve chegar ao hospital nas primeiras horas após o início dos sintomas, pois existem tratamentos que só podem ser realizados dentro de janelas específicas de tempo. Em muitos casos, intervenções mais eficazes ocorrem nas primeiras 4 a 6 horas, mas quanto antes o atendimento for iniciado, maiores são as chances de recuperação.

 

AVC sem sintomas: o que fazer?

É fundamental ir imediatamente ao pronto-socorro sempre que houver qualquer sintoma neurológico súbito, mesmo que pareça leve ou que melhore espontaneamente. Não se deve aguardar evolução, pois a situação pode piorar rapidamente ou perder-se a oportunidade de tratamento específico.

 

Sinais de gravidade

Alguns sinais indicam maior gravidade, como rebaixamento do nível de consciência, dificuldade para respirar, vômitos persistentes, dor de cabeça muito intensa e súbita, convulsões ou paralisia completa de um lado do corpo. Nesses casos, o risco de morte ou de sequelas graves é ainda maior.

 

Sintomas leves

O AVC pode, sim, apresentar sintomas leves ou passageiros, caracterizando o que é chamado de ataque isquêmico transitório. Mesmo nesses casos é imprescindível procurar atendimento médico, pois esse evento pode ser o aviso de que um AVC mais grave pode ocorrer nas próximas horas ou dias.

 

Fatores de risco

Os principais fatores de risco para AVC incluem hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, obesidade e doenças cardíacas, especialmente arritmias, como a fibrilação atrial. Pessoas com essas condições devem ter atenção redobrada e acompanhamento médico regular.

 

AVC em jovens

Embora seja mais comum em idosos, pessoas jovens também podem apresentar AVC. Nesses casos, podem estar envolvidos fatores como alterações da coagulação, doenças autoimunes, uso de drogas, dissecções arteriais ou associação de anticoncepcionais com tabagismo. Os sintomas são semelhantes aos dos pacientes mais velhos e devem ser valorizados da mesma forma.

 

Demora no atendimento

A demora em buscar atendimento pode resultar em perda irreversível de tecido cerebral, aumentando significativamente o risco de sequelas como paralisia, dificuldades na fala, alterações cognitivas e até morte. O cérebro é extremamente sensível à falta de oxigênio, e cada minuto de atraso impacta diretamente no prognóstico.

 

Atendimento no Pronto-socorro

No Pronto-socorro, o atendimento de um paciente com suspeita de AVC é realizado de forma rápida e protocolar. Inicialmente há avaliação clínica e neurológica, seguida de exames de imagem, como a Tomografia, para diferenciar o AVC isquêmico e do hemorrágico. A partir disso, define-se o tratamento, que pode incluir medicações específicas para dissolver coágulos ou procedimentos para retirada do trombo, além de medidas de suporte e controle de fatores como pressão arterial.

 

Até chegar no hospital

Enquanto o paciente não chega ao hospital, algumas atitudes podem ser fundamentais: acionar imediatamente o Serviço de Emergência, anotar o horário exato do início dos sintomas, manter a pessoa em repouso e em posição confortável, evitar oferecer alimentos, líquidos ou medicamentos, e observar sinais vitais e nível de consciência. Essas medidas simples podem contribuir para o desfecho mais favorável.

 

Cada paciente é único

É importante reforçar que cada paciente deve ser avaliado de forma individualizada. A conduta médica depende do tempo de início dos sintomas, do tipo de AVC, das condições clínicas prévias e dos medicamentos em uso. Por isso, o reconhecimento precoce e o encaminhamento imediato ao atendimento especializado são determinantes para reduzir sequelas e salvar vidas. 



Dr. Tiago Abrão Setrak Sowmy - Neurologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, formado pela Universidade de São Paulo (USP), com residência em Neurologia pelo HC-FMUSP e mestrado em Neurociências pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Atua com foco em doenças neurológicas, especialmente esclerose múltipla e neuroimunologia, além de cursar MBA em inovação e aplicação de inteligência artificial na Medicina.


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