Hospital Alemão Oswaldo Cruz aborda o
cuidado de transplantados, pacientes oncológicos e outros grupos de risco
Na Semana Mundial da Imunização, celebrada de 24 a 30 de abril, o
Hospital Alemão Oswaldo Cruz chama atenção para um desafio central do cuidado
em alta complexidade: como proteger pacientes mais vulneráveis quando a
vacinação individual nem sempre pode acontecer no momento ideal. Neste ano, a
campanha da Organização Mundial da Saúde traz o mote “For every generation,
vaccines work” (“Para todas as gerações, as vacinas funcionam”, em tradução
livre), reforçando a importância da imunização como estratégia de proteção em
diferentes fases da vida1.
Em contextos como transplantes, quimioterapia e outras condições
de imunossupressão, a prevenção de infecções exige avaliação médica criteriosa
e uma abordagem ampliada de cuidado. Mais do que uma decisão individual, a
vacinação passa a integrar uma rede de proteção que envolve familiares,
cuidadores e profissionais de saúde, com impacto direto na segurança do
paciente e na continuidade do tratamento.
“Na alta complexidade, a vacinação precisa ser entendida dentro da
realidade clínica de cada paciente. Há situações em que ele não poderá receber
determinada vacina naquele momento, seja pelo tratamento em curso, pelo
transplante ou pelo grau de imunossupressão. Nesses casos, proteger o entorno é
uma medida essencial para reduzir riscos e ampliar a segurança assistencial”,
afirma Filipe Piastrelli, infectologista e gerente do Serviço de Controle de
Infecção Hospitalar do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Entre os exemplos mais imediatos está a vacinação contra a gripe.
A campanha nacional contra a influenza de 2026 começou em 28 de março nas
regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, antes do período de maior
circulação viral, e segue até 30 de maio. A estratégia prioriza grupos mais
suscetíveis a formas graves da doença, como crianças, gestantes e idosos com 60
anos ou mais2.
Para pacientes vulneráveis, porém, a influenza pode representar
mais do que um quadro respiratório agudo. Em pessoas com doenças crônicas,
idosos fragilizados, transplantados e pacientes oncológicos, a infecção pode
agravar o quadro clínico, provocar descompensações e até comprometer a evolução
do tratamento. Por isso, na alta complexidade, a vacinação contra a gripe deve
ser vista como parte de uma estratégia mais ampla de prevenção de eventos
infecciosos potencialmente graves.
Esse raciocínio se estende a outras infecções preveníveis que
podem ter impacto importante sobre a evolução clínica de adultos mais velhos e
pacientes de maior risco. Entre elas, merecem atenção especial a doença
pneumocócica, que podem levar a quadros graves como pneumonia, bacteremia e
meningite, e o herpes-zóster, cuja ocorrência tende a aumentar com o
envelhecimento e pode trazer complicações relevantes, especialmente em pessoas
imunossuprimidas. A SBIm recomenda, para o público
50+, atenção ao calendário vacinal do adulto maduro e idoso, que inclui vacinas
como influenza, pneumocócica, herpes-zóster, difteria e tétano, hepatite B,
febre amarela em situações indicadas, Covid-19 e, em contextos específicos,
vírus sincicial respiratório.
“Quando familiares, cuidadores e profissionais de saúde mantêm a
vacinação em dia, criamos uma barreira adicional de proteção para quem está
mais exposto. Essa lógica é especialmente importante na alta complexidade, onde
uma infecção que poderia ser evitada pode ter repercussões muito mais sérias.
Isso vale para a gripe, mas também para infecções pneumocócicas e para o
herpes-zóster, que podem trazer complicações importantes em pessoas mais velhas
ou com a imunidade comprometida”, diz Piastrelli.
O mesmo raciocínio vale para diferentes fases da vida e para
outras estratégias de prevenção. A data também é uma oportunidade para reforçar
informação segura sobre o HPV, tema que ainda gera dúvidas, apesar de seu
impacto comprovado em saúde pública. Segundo o Ministério da Saúde, a vacinação
é a forma mais eficaz de prevenção contra a infecção pelo papilomavírus humano,
que está associado a cânceres como os de colo do útero, pênis, vulva, vagina,
canal anal e orofaringe3.
“Falar de vacinação na alta complexidade também é combater
desinformação e orientar decisões seguras. Isso vale para a gripe, para a
doença pneumocócica, para o herpes-zóster e também para o HPV, cuja prevenção
ajuda a reduzir o risco de doenças graves, incluindo alguns tipos de câncer.
Informação correta faz parte do cuidado”, conclui o especialista.
Na avaliação do hospital, a Semana Mundial da Imunização deve
servir não apenas para estimular a adesão às vacinas, mas também para ampliar a
compreensão de que, em contextos de maior complexidade assistencial, prevenir
infecções é proteger o tratamento, reduzir intercorrências e reforçar a
segurança do paciente1.
Hospital Alemão Oswaldo Cruz
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