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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Dia Mundial da Hipertensão acende alerta para pressão alta na gravidez e reforça importância do pré-natal de alto risco

Condição está entre as principais causas de complicações maternas e fetais no Brasil e exige vigilância rigorosa, diagnóstico precoce e acompanhamento especializado ao longo da gestação 

 

26 de abril, o Dia Mundial da Hipertensão amplia a discussão sobre uma condição frequentemente associada aos riscos cardiovasculares da população adulta, mas que também tem impacto direto na saúde materna e neonatal. Na gestação, a pressão alta pode surgir ou se agravar, e está ligada a complicações graves, como pré-eclâmpsia, eclâmpsia, parto prematuro, restrição de crescimento fetal e maior risco de mortalidade materna e perinatal. A Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde ressaltam que as síndromes hipertensivas da gestação figuram entre as principais causas de morte materna em países em desenvolvimento. 

A dimensão do problema evidencia a relevância do tema. Segundo a Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, estima-se que a pré-eclâmpsia acometa cerca de 15% das gestantes brasileiras. Dados da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), com base na assistência pública, indicam que a hipertensão na gravidez atinge de 5% a 20% das gestantes. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia,Febrasgo, também ressalta que, no Brasil, as síndromes hipertensivas são a principal causa de mortalidade materna. Além de frequente, a condição muitas vezes evolui de forma silenciosa, o que reforça a necessidade de seguimento pré-natal e a aferição da pressão arterial . 

De acordo com o Ministério da Saúde, considera-se hipertensão gestacional quando os níveis pressóricos são iguais ou superiores a 140 por 90 mmHg. Por isso, o acompanhamento sistemático no pré-natal é decisivo para identificar alterações precoces e definir a melhor conduta antes que o quadro evolua. 

Para o Dr. Mario Macoto, Coordenador de Obstetrícia de Alta Complexidade do Grupo Santa Joana, um dos desafios é que muitas mulheres relacionam pressão alta apenas a quadros crônicos prévios e não percebem que ela pode surgir ao longo da própria gravidez. “A hipertensão na gestação não deve ser encarada como um achado secundário. Ela exige vigilância porque pode mudar rapidamente de perfil e comprometer tanto a saúde materna quanto a vitalidade fetal. O diagnóstico precoce e o seguimento rigoroso são fundamentais para reduzir riscos e definir o momento certo de intervir”, afirma. 

Em fevereiro de 2025, o Ministério da Saúde anunciou a suplementação universal de cálcio para gestantes como estratégia nacional de enfrentamento da pré-eclâmpsia. A iniciativa integra o esforço de redução da mortalidade materna e reforça como prevenção, rastreamento e acompanhamento estruturado permanecem pilares centrais do cuidado obstétrico.

Quando a gestante já possui diagnóstico prévio de hipertensão arterial, o cuidado deve começar antes mesmo da concepção ou o mais cedo possível na gravidez. A orientação da Febrasgo é que, independentemente da origem da hipertensão, a equipe de saúde mantenha vigilância constante do controle pressórico e avalie a necessidade de encaminhamento ao pré-natal de alto risco. Em quadros leves, o manejo pode incluir medidas não farmacológicas; nas formas moderadas e graves, pode envolver tratamento medicamentoso e monitoramento intensivo, sempre com avaliação individualizada. 

Segundo o Dr. Mario Macoto, a primeira conduta diante da elevação da pressão arterial na gestação não deve ser a automedicação nem a espera por melhora espontânea. “A orientação é buscar avaliação médica, manter o pré-natal em dia e nunca ajustar ou suspender remédios por conta própria. Algumas pacientes já chegam à gravidez usando anti-hipertensivos, e nem todos são adequados para esse período. Por isso, toda conduta precisa ser reavaliada com olhar simultâneo para a mãe e o bebê”, explica. 

Além do uso adequado de medicamentos quando indicados, o manejo envolve redução do consumo excessivo de sal, controle saudável do ganho de peso, atenção a sintomas como dor de cabeça persistente, visão embaçada, inchaço importante e dor na parte alta do abdome, além de vigilância reforçada sobre crescimento fetal e sinais de sofrimento do bebê. Dependendo da gravidade e da idade gestacional, podem ser necessários exames laboratoriais e ultrassonográficos com maior frequência, seguindo o princípio do cuidado de alto risco: identificar cedo, acompanhar de perto e intervir no momento adequado. 

As consequências também se estendem à saúde neonatal. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde indica que cerca de 25% dos partos prematuros ocorrem em contextos de pré-eclâmpsia, evidenciando como o controle pressórico é determinante para reduzir intercorrências e internações neonatais. 

Para o especialista, a principal mensagem deste Dia Mundial da Hipertensão é clara: a pressão alta na gestação não pode ser banalizada. “Mesmo quando a paciente se sente bem, alterações pressóricas precisam ser valorizadas. Em obstetrícia, tempo e monitoramento fazem a diferença. Quanto mais cedo identificamos uma tendência de agravamento, maior a chance de preservar a saúde materna, prolongar a gestação com segurança e melhorar os desfechos para o recém-nascido”, afirma o Dr. Mario Macoto. 



Grupo Santa Joana
Sites: www.santajoana.com.br
www.promatre.com.br
www.maternidadesantamaria.com.br Link


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