Procedimento evoluiu significativamente nas últimas décadas, com técnicas menos invasivas, próteses mais duráveis e recuperação mais rápida
A artrose de joelho é uma das condições ortopédicas mais prevalentes no Brasil e no mundo. Estima-se que mais de 10 milhões de brasileiros convivam com algum grau da doença, que se manifesta pela degeneração progressiva da cartilagem articular, causando dor, inchaço, rigidez e perda de mobilidade. Com o envelhecimento acelerado da população - o IBGE projeta mais de 58 milhões de pessoas com 60 anos ou mais até 2043 - a tendência é que esse número cresça de forma significativa nas próximas décadas.
Apesar de ser uma condição altamente prevalente, muitos pacientes postergam o diagnóstico e o tratamento por desconhecimento ou por receio do procedimento cirúrgico. O resultado, na maioria dos casos, é a piora progressiva dos sintomas e a perda de autonomia e qualidade de vida.
Segundo o cirurgião ortopédico Dr. Fábio Elói, o joelho é a articulação que mais sofre com o desgaste ao longo da vida, especialmente em pessoas com sobrepeso, histórico familiar de artrose ou que praticaram atividades físicas de alto impacto por muitos anos.
"O joelho é uma articulação que
carrega o peso do corpo a cada passo e isso acelera o desgaste da cartilagem
com o tempo. Quando o paciente chega com dor constante, dificuldade para subir
e descer escadas e limitação para caminhar distâncias curtas, é um sinal de que
a articulação já está bastante comprometida e precisa de atenção
especializada."
Por que o joelho chega ao limite?
A artrose de joelho raramente tem uma causa única. Na maioria dos casos, é o resultado de uma combinação de fatores que se acumulam ao longo dos anos:
•Envelhecimento natural: com o passar dos
anos, a cartilagem perde sua capacidade de se regenerar, tornando-se mais fina
e susceptível ao desgaste.
•Sobrepeso e obesidade: o excesso de peso
aumenta significativamente a sobrecarga sobre a articulação. Estudos indicam
que cada quilo a mais equivale a quatro quilos de pressão extra sobre o joelho.
•Histórico de lesões: traumas anteriores,
como rupturas do ligamento cruzado anterior ou do menisco, aumentam o risco de
desenvolvimento de artrose precoce.
•Genética: a predisposição familiar é um
fator relevante. Filhos de pais com artrose têm maior probabilidade de
desenvolver a condição.
•Atividades de alto impacto: profissões ou
esportes que exigem movimentos repetitivos de agachamento, impacto e torção
podem acelerar o desgaste articular.
•Deformidades: o joelho varo (pernas em
"O") e o joelho valgo (pernas em "X") sobrecarregam partes
específicas da articulação, contribuindo para o desgaste assimétrico da
cartilagem.
Quando buscar um especialista?
A artrose de joelho evolui de forma gradual e os sintomas tendem a se intensificar com o tempo. Entre os principais sinais de alerta, estão:
•Dor persistente no joelho, especialmente
ao subir e descer escadas ou após longos períodos em pé.
•Rigidez matinal, com sensação de que o
joelho "não aquece" nos primeiros minutos do dia.
•Inchaço recorrente na articulação, mesmo
sem trauma aparente.
•Sensação de estalos ou rangidos ao
movimentar o joelho.
•Deformidade progressiva, com alteração no
alinhamento das pernas.
•Dificuldade para realizar atividades simples, como caminhar em terrenos irregulares, agachar ou entrar e sair do carro.
O Dr. Fábio ressalta que o diagnóstico precoce é fundamental para ampliar as opções de tratamento.
"Quando o paciente chega no início do
processo degenerativo, ainda é possível tratar de forma conservadora, com
fisioterapia, medicação e mudanças no estilo de vida. O problema é que a
maioria das pessoas espera demais. Quando a dor já interfere no sono e nas
atividades básicas, a cirurgia costuma ser o único caminho."
Quando a cirurgia é indicada
A artroplastia total de joelho, popularmente conhecida como "prótese de joelho”, é indicada quando os tratamentos conservadores não são mais suficientes para controlar a dor e a perda funcional. Na cirurgia, as superfícies articulares desgastadas do fêmur, da tíbia e, em alguns casos, da patela, são removidas e substituídas por componentes protéticos de metal e polietileno de alta performance.
O procedimento tem como objetivo eliminar a dor, restaurar o alinhamento da articulação e devolver ao paciente a mobilidade e a qualidade de vida que a doença comprometeu. De acordo com o Dr. Fábio, a cirurgia é uma das mais realizadas no mundo e apresenta altos índices de satisfação.
"A artroplastia de joelho é um dos
procedimentos com maior evidência científica em ortopedia. Mais de 90% dos
pacientes relatam alívio significativo da dor e melhora funcional. Quando bem
indicada e bem executada, é uma cirurgia que transforma a vida do
paciente."
Técnicas cirúrgicas
Nos últimos anos, os avanços nas técnicas cirúrgicas transformaram a artroplastia de joelho em um procedimento mais preciso, seguro e com menor impacto sobre os tecidos ao redor. Entre as principais evoluções estão:
•Cirurgia minimamente invasiva: incisões
menores resultam em menor trauma muscular, menos sangramento e recuperação mais
rápida, sem comprometer a qualidade do implante.
•Artroplastia parcial: nos casos em que
apenas um compartimento do joelho está afetado, é possível realizar uma prótese
parcial, preservando os demais compartimentos saudáveis. A recuperação costuma
ser mais rápida que na prótese total.
•Planejamento cirúrgico 3D: o uso de
imagens tridimensionais a partir de tomografias permite que o cirurgião planeje
o procedimento com precisão milimétrica antes mesmo de entrar na sala de
cirurgia.
•Cirurgia assistida por robótica: sistemas
robóticos auxiliam o cirurgião a posicionar os componentes protéticos com maior
acurácia, reduzindo o risco de erros de alinhamento, uma das principais causas
de falha das próteses.
•Anestesia e analgesia multimodal: protocolos modernos combinam diferentes técnicas anestésicas e analgésicas para minimizar a dor no pós-operatório e permitir a mobilização precoce do paciente.
"A tecnologia mudou completamente a
forma como realizamos a artroplastia de joelho. O planejamento tridimensional e
os sistemas de navegação nos permitem uma precisão que antes não era possível.
Isso se traduz em maior durabilidade do implante e melhores resultados para o
paciente."
Pós-operatório: o que esperar após a cirurgia?
O pós-operatório da artroplastia de joelho é uma etapa fundamental para o sucesso do procedimento. Com os protocolos modernos de reabilitação, a mobilização é iniciada de forma precoce, muitas vezes no mesmo dia ou no dia seguinte à cirurgia.
Em geral, o processo de recuperação inicia ainda no hospital, com as primeiras sessões de fisioterapia, para exercícios de movimentação do joelho e deambulação assistida. Após a alta hospitalar, o paciente terá orientações para continuar a fisioterapia e provavelmente andará com o auxílio de andador ou muleta.
Ainda no primeiro mês, a maioria dos pacientes já consegue realizar atividades leves do cotidiano, como caminhar em terrenos planos e subir escadas com apoio. O período de consolidação da reabilitação leva entre três e seis meses, com melhora progressiva da amplitude de movimento do joelho e retomada de atividades mais exigentes.
Após um ano, na maior parte dos casos, o paciente já apresenta o resultado funcional completo da cirurgia, com dor controlada e mobilidade restaurada.
"A cirurgia é o começo, não o fim, e
a reabilitação é parte fundamental do processo. Quando o paciente se engaja na
fisioterapia e segue as orientações, os resultados são muito superiores. Vemos
pessoas que, meses após a cirurgia, voltam a caminhar, praticar atividades
físicas leves e retomar uma vida plena."
Não espere a dor se tornar insuportável
Especialistas recomendam que adultos acima dos 50 anos, ou mais jovens com fatores de risco, fiquem atentos a qualquer dor persistente no joelho que interfira nas atividades do dia a dia. O diagnóstico precoce abre um leque maior de opções terapêuticas e evita que a condição evolua para um estágio no qual apenas a cirurgia pode oferecer alívio.
A artrose de joelho não tem cura, mas tem tratamento. Com os avanços da medicina ortopédica, nunca houve tantas opções eficazes para devolver mobilidade, autonomia e qualidade de vida aos pacientes, aponta Dr. Fábio.
"Qualidade de vida não é luxo, é direito. Ninguém precisa conviver com dor no joelho achando que é algo inevitável do envelhecimento. Com o diagnóstico correto e o tratamento adequado, é possível voltar a viver sem dor."
Dr. Fábio Elói - cirurgião de quadril pela Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), especialista em ortopedia e traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e oncologista ortopedista pela Associação Brasileira de Oncologia Ortopédica (ABOO).
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