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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Enxaqueca em mulheres acende alerta para risco de AVC

Condição comum pode se agravar com aura, anticoncepcionais hormonais e tabagismo


As mulheres são maioria quando o assunto é enxaqueca. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 30% da população feminina mundial convive com a condição. De origem hereditária, a enxaqueca é caracterizada por uma hiperexcitabilidade cerebral e tem como manifestação mais conhecida as intensas crises de dor de cabeça.

Além do impacto incapacitante da enxaqueca, estudos indicam que mulheres com menos de 50 anos que sofrem com a condição apresentam um aumento de cerca de 50% no risco de AVC (Acidente Vascular Cerebral).

O AVC ocorre quando há obstrução do fluxo sanguíneo no cérebro (isquêmico) ou ruptura de um vaso (hemorrágico), levando à morte de células nervosas. Trata-se de uma das principais causas de incapacidade física e cognitiva, além de estar entre as maiores responsáveis por internações e mortes.

“Nos estudos mais recentes, a pílula anticoncepcional de hormônios combinados (estrogênio e progesterona) tem sido apontada como um importante fator de risco para mulheres que sofrem de enxaqueca. Trata-se de uma combinação que pode aumentar significativamente o risco de AVC, chegando a até 15 vezes em alguns casos”, alerta a neurologista Thais Villa, médica especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca.

O cenário é ainda mais preocupante porque as crises mais intensas de enxaqueca costumam ocorrer em mulheres com menos de 50 anos, justamente durante a fase fértil. Coincidentemente, é também nesse período que muitas mulheres utilizam métodos contraceptivos, grande parte a base de hormônios combinados.

Segundo Thais Villa, quando a enxaqueca é acompanhada de “aura”, sintomas neurológicos como flashes de luz, pontos luminosos, visão embaçada, formigamentos ou até alterações transitórias de audição e olfato, o risco de AVC pode dobrar: “mesmo que esses sintomas desapareçam, o aumento do risco persiste, o que exige atenção contínua”, adverte.

“A combinação de enxaqueca, uso de anticoncepcionais com hormônios combinados e tabagismo é ainda mais preocupante e pode aumentar em até 30 vezes o risco para AVC em mulheres”, completa a neurologista.
 

Busca por qualidade de vida 

A enxaqueca é uma doença crônica do cérebro que pode acompanhar a mulher ao longo de toda a vida. Apesar disso, é possível controlar as crises e melhorar o bem-estar com um tratamento integrado e individualizado.

O acompanhamento multiprofissional é fundamental: especialistas podem orientar escolhas mais seguras para evitar o agravamento do quadro e outras complicações. Além disso, mudanças de hábitos, como parar de fumar e reduzir o uso indiscriminado de medicamentos e cafeína, são essenciais, já que essas práticas podem mascarar a dor sem tratar a causa.


Dra Thais Villa (CRM 110217) - Neurologista especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca. Idealizadora do Headache Center Brasil, clínica multiprofissional pioneira e única no país no diagnóstico e tratamento integrado das dores de cabeça e da enxaqueca. Doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Pós-Doutorado pela Universidade da Califórnia (UCLA) nos Estados Unidos. Professora de Neurologia e Chefe do Setor de Cefaleias na UNIFESP (2015 a 2022). Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia. Membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Membro do Conselho Consultivo do Comitê de Cefaleias na Infância e Adolescência da International Headache Society. Atua exclusivamente na pesquisa e atendimento de pacientes com dor de cabeça, no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, enxaqueca crônica, cefaleia em salvas e outras cefaleias. Palestrante convidada em congressos nacionais e internacionais.


Headache Center Brasil: www.headachecenterbrasil.com.br
Instagram: headache_center_brasil

 

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