Condição comum pode se agravar com aura, anticoncepcionais hormonais e tabagismo
As mulheres são maioria quando o assunto é enxaqueca.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 30% da população feminina
mundial convive com a condição. De origem hereditária, a enxaqueca é
caracterizada por uma hiperexcitabilidade cerebral e tem como manifestação mais
conhecida as intensas crises de dor de cabeça.
Além do impacto incapacitante da enxaqueca, estudos indicam que
mulheres com menos de 50 anos que sofrem com a condição apresentam um aumento
de cerca de 50% no risco de AVC (Acidente Vascular Cerebral).
O AVC ocorre quando há obstrução do fluxo sanguíneo no cérebro
(isquêmico) ou ruptura de um vaso (hemorrágico), levando à morte de células
nervosas. Trata-se de uma das principais causas de incapacidade física e
cognitiva, além de estar entre as maiores responsáveis por internações e
mortes.
“Nos estudos mais recentes, a pílula anticoncepcional de hormônios
combinados (estrogênio e progesterona) tem sido apontada como um importante
fator de risco para mulheres que sofrem de enxaqueca. Trata-se de uma
combinação que pode aumentar significativamente o risco de AVC, chegando a até
15 vezes em alguns casos”, alerta a neurologista Thais Villa, médica
especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca.
O cenário é ainda mais preocupante porque as crises mais intensas
de enxaqueca costumam ocorrer em mulheres com menos de 50 anos, justamente
durante a fase fértil. Coincidentemente, é também nesse período que muitas
mulheres utilizam métodos contraceptivos, grande parte a base de hormônios
combinados.
Segundo Thais Villa, quando a enxaqueca é acompanhada de “aura”,
sintomas neurológicos como flashes de luz, pontos luminosos, visão embaçada,
formigamentos ou até alterações transitórias de audição e olfato, o risco de
AVC pode dobrar: “mesmo que esses sintomas desapareçam, o aumento do risco
persiste, o que exige atenção contínua”, adverte.
“A combinação de enxaqueca, uso de anticoncepcionais com hormônios
combinados e tabagismo é ainda mais preocupante e pode aumentar em até 30 vezes
o risco para AVC em mulheres”, completa a neurologista.
Busca por qualidade de vida
A enxaqueca é uma doença crônica do cérebro que pode acompanhar a
mulher ao longo de toda a vida. Apesar disso, é possível controlar as crises e
melhorar o bem-estar com um tratamento integrado e individualizado.
O acompanhamento multiprofissional é fundamental: especialistas
podem orientar escolhas mais seguras para evitar o agravamento do quadro e
outras complicações. Além disso, mudanças de hábitos, como parar de fumar e
reduzir o uso indiscriminado de medicamentos e cafeína, são essenciais, já que
essas práticas podem mascarar a dor sem tratar a causa.
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