Médica especialista esclarece que eventos fatais são extremamente raros, mas reforça que nenhum procedimento invasivo é isento de risco.
A morte da terapeuta de 31 anos após complicações relacionadas a um procedimento
de Fertilização in Vitro (FIV) em São Paulo, causou comoção e levantou
questionamentos sobre os riscos envolvidos na reprodução assistida.
Embora a FIV seja
considerada um procedimento seguro e amplamente realizado no mundo todo, como
qualquer intervenção médica invasiva, ela não é isenta de riscos, ainda que
eventos graves sejam raríssimos.
Dra.
Paula Fettback, ginecologista e obstetra, especialista em Reprodução Humana
pela FEBRASGO, explica que é fundamental abordar casos como esse com
responsabilidade técnica, respeito à paciente e clareza científica.
“A
Fertilização in Vitro envolve diferentes etapas, cada uma com perfis de risco
distintos. A grande maioria dos procedimentos é de baixa complexidade cirúrgica
e baixo risco anestésico, mas nenhum procedimento invasivo é completamente
isento de complicações”, afirma.
Quais são os
principais riscos?
Entre as
intercorrências descritas na literatura médica estão:
- Complicações anestésicas durante a punção folicular, procedimento
realizado sob sedação ou anestesia venosa;
- Síndrome de Hiperestimulação Ovariana (SHO), associada à resposta
exagerada aos hormônios utilizados na estimulação;
- Sangramentos agudos ou infecções pélvicas após a coleta de óvulos;
- Eventos tromboembólicos, especialmente em pacientes com fatores de
risco prévios.
Segundo
a especialista, a ocorrência de eventos fatais em reprodução assistida é
estatisticamente excepcional.
“Estamos
falando de um evento extremamente raro, mas que se insere dentro do risco
inerente à prática médica. A medicina trabalha com redução de risco, nunca com
risco zero”, destaca.
O que reduz
complicações?
A
segurança em reprodução humana depende de protocolos rigorosos em todas as
etapas do tratamento. No pré-operatório, são fundamentais avaliação clínica
detalhada, exames laboratoriais atualizados, estratificação de risco anestésico
(classificação ASA), avaliação de risco tromboembólico e consentimento
informado completo.
Durante
o procedimento, devem ser seguidos protocolos como monitorização contínua da
paciente, presença obrigatória de anestesista habilitado, equipamentos de
emergência testados e checklist de segurança cirúrgica no modelo da OMS.
Já
no pós-operatório, é essencial monitorização em sala de recuperação até
critérios clínicos seguros de alta, orientações claras sobre sinais de alerta e
canal de comunicação ativo para intercorrências tardias.
“A
segurança é resultado de protocolo, treinamento contínuo da equipe e capacidade
de resposta rápida a eventos inesperados”, explica.
Monitoramento
integrado faz diferença
A
especialista também ressalta que a reprodução assistida deve ser conduzida de
forma multidisciplinar, considerando não apenas o aspecto ginecológico.
Estado
metabólico, função tireoidiana, risco cardiovascular, perfil inflamatório e
trombofílico devem ser avaliados com atenção. Além disso, o impacto emocional
do tratamento não pode ser negligenciado.
“Pacientes
em tratamento de fertilidade vivenciam alto nível de estresse. Um modelo
multidisciplinar aumenta a previsibilidade clínica e a segurança global do processo”,
pontua.
Outro ponto
central é o entendimento dos riscos pela paciente.
“O consentimento
informado não deve ser apenas um documento formal. Ele precisa ser um processo
educativo. A paciente deve compreender que a FIV é segura, mas que sedação e anestesia,
mesmo rotineiras, possuem riscos inerentes”, afirma.
Para a médica,
transparência técnica aliada à empatia fortalece a relação médico-paciente e
permite decisões mais conscientes.
A Dra. Paula
Fettback também manifestou solidariedade à família da paciente.
“É
uma situação profundamente delicada. Casos como esse reforçam a importância de
protocolos rigorosos e de uma comunicação clara sobre riscos, mesmo quando
estatisticamente raros.”
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