Com pessoas idosas entre os grupos mais suscetíveis
às complicações por SRAG, entidade reforça a importância da vacinação antes do
inverno e alerta para impactos na autonomia e qualidade de vida
Com
a aproximação do outono, especialistas chamam atenção para um dado recorrente
no Brasil: pessoas com 60 anos ou mais concentram as maiores taxas de
internação e mortalidade por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Em
boletins epidemiológicos recentes do Ministério da Saúde e da Fiocruz, a
população idosa segue entre os grupos mais impactados por Influenza, COVID-19 e
outras infecções respiratórias durante o período de queda de temperatura.
É
nesse contexto que a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG)
reforça março como o mês estratégico de preparação para a temporada de vírus
respiratórios. “Março é considerado o mês de preparação. O outono precede o
inverno, e é fundamental falarmos de prevenção com as vacinas, principalmente
contra os vírus respiratórios”, afirma a geriatra Dra. Maisa Kairalla,
presidente da Comissão de Imunização da SBGG.
Entre
as principais ameaças para a população idosa estão COVID-19, Influenza, Vírus
Sincicial Respiratório (VSR), infecções pneumocócicas e coqueluche. “O VSR
ainda é pouco conhecido entre adultos, mas pode causar quadros graves,
principalmente em pessoas idosas com doenças pulmonares ou cardíacas.
Precisamos lembrar também da pneumonia bacteriana, que é prevenível por meio de
vacina e pode levar à hospitalização e ao óbito”, explica a especialista.
Segundo
a médica, o envelhecimento do sistema imunológico, processo conhecido como
imunossenescência, reduz a capacidade de resposta do organismo às infecções.
“Isso significa que a pessoa idosa não apenas tem maior risco de adoecer, mas
também maior probabilidade de evoluir com complicações. É nessa população,
especialmente entre os maiores de 60 anos e aqueles com comorbidades como
diabetes, doenças cardiovasculares ou pulmonares, que se instalam os quadros
mais graves, com necessidade de UTI, ventilação mecânica e risco de infecções
secundárias.”
O
impacto vai além da fase aguda. Uma infecção respiratória pode desencadear um
efeito cascata na saúde. “Durante uma internação, o paciente pode ficar
acamado, perder massa muscular e funcionalidade. Muitas vezes há descompensação
de doenças crônicas já existentes. Em alguns casos é necessária intubação, o
que pode gerar outras complicações. Nem sempre a pessoa idosa retorna ao seu
nível de autonomia anterior”, ressalta Maisa.
Quem convive também precisa se vacinar
Outro
ponto destacado é a importância da chamada proteção indireta. “Cuidadores,
familiares e pessoas que convivem com idosos devem manter a carteira vacinal
atualizada. Crianças, por exemplo, transmitem muitas infecções aos avós. Quanto
maior a cobertura vacinal ao redor da pessoa idosa, menor o risco de
exposição”, orienta.
A
recomendação é que a imunização ocorra, idealmente, ao menos quatro semanas
antes do inverno, tempo necessário para adequada resposta imunológica,
especialmente no caso da Influenza.
Apesar
da tradição brasileira em campanhas de imunização, a cobertura vacinal tem
apresentado queda nos últimos anos. Para a SBGG, resgatar a cultura da
prevenção é fundamental para reduzir internações evitáveis, preservar autonomia
e contribuir para um envelhecimento com mais qualidade de vida.
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