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quinta-feira, 5 de março de 2026

SBGG alerta: Março é mês de proteção para idosos antes do avanço das doenças respiratórias

Com pessoas idosas entre os grupos mais suscetíveis às complicações por SRAG, entidade reforça a importância da vacinação antes do inverno e alerta para impactos na autonomia e qualidade de vida

 

Com a aproximação do outono, especialistas chamam atenção para um dado recorrente no Brasil: pessoas com 60 anos ou mais concentram as maiores taxas de internação e mortalidade por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Em boletins epidemiológicos recentes do Ministério da Saúde e da Fiocruz, a população idosa segue entre os grupos mais impactados por Influenza, COVID-19 e outras infecções respiratórias durante o período de queda de temperatura.

É nesse contexto que a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) reforça março como o mês estratégico de preparação para a temporada de vírus respiratórios. “Março é considerado o mês de preparação. O outono precede o inverno, e é fundamental falarmos de prevenção com as vacinas, principalmente contra os vírus respiratórios”, afirma a geriatra Dra. Maisa Kairalla, presidente da Comissão de Imunização da SBGG.

Entre as principais ameaças para a população idosa estão COVID-19, Influenza, Vírus Sincicial Respiratório (VSR), infecções pneumocócicas e coqueluche. “O VSR ainda é pouco conhecido entre adultos, mas pode causar quadros graves, principalmente em pessoas idosas com doenças pulmonares ou cardíacas. Precisamos lembrar também da pneumonia bacteriana, que é prevenível por meio de vacina e pode levar à hospitalização e ao óbito”, explica a especialista.

Segundo a médica, o envelhecimento do sistema imunológico, processo conhecido como imunossenescência, reduz a capacidade de resposta do organismo às infecções. “Isso significa que a pessoa idosa não apenas tem maior risco de adoecer, mas também maior probabilidade de evoluir com complicações. É nessa população, especialmente entre os maiores de 60 anos e aqueles com comorbidades como diabetes, doenças cardiovasculares ou pulmonares, que se instalam os quadros mais graves, com necessidade de UTI, ventilação mecânica e risco de infecções secundárias.”

O impacto vai além da fase aguda. Uma infecção respiratória pode desencadear um efeito cascata na saúde. “Durante uma internação, o paciente pode ficar acamado, perder massa muscular e funcionalidade. Muitas vezes há descompensação de doenças crônicas já existentes. Em alguns casos é necessária intubação, o que pode gerar outras complicações. Nem sempre a pessoa idosa retorna ao seu nível de autonomia anterior”, ressalta Maisa.


Quem convive também precisa se vacinar

Outro ponto destacado é a importância da chamada proteção indireta. “Cuidadores, familiares e pessoas que convivem com idosos devem manter a carteira vacinal atualizada. Crianças, por exemplo, transmitem muitas infecções aos avós. Quanto maior a cobertura vacinal ao redor da pessoa idosa, menor o risco de exposição”, orienta.

A recomendação é que a imunização ocorra, idealmente, ao menos quatro semanas antes do inverno, tempo necessário para adequada resposta imunológica, especialmente no caso da Influenza.

Apesar da tradição brasileira em campanhas de imunização, a cobertura vacinal tem apresentado queda nos últimos anos. Para a SBGG, resgatar a cultura da prevenção é fundamental para reduzir internações evitáveis, preservar autonomia e contribuir para um envelhecimento com mais qualidade de vida.

  

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG

 

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