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quinta-feira, 5 de março de 2026

Dia Internacional da Mulher: quatro sintomas de depressão feminina que exigem atenção



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Especialista alerta que sinais emocionais e comportamentais muitas vezes são confundidos com cansaço ou sobrecarga, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento

 

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é marcado pela luta histórica por direitos, equidade e respeito. No campo da saúde, esse debate também envolve o reconhecimento do sofrimento psíquico feminino. A depressão em mulheres nem sempre se manifesta de forma clássica e, por isso, pode passar despercebida. Fadiga intensa, irritabilidade, alterações no sono e no apetite, além de dores físicas sem causa aparente, são frequentemente atribuídas à rotina intensa, à maternidade ou às múltiplas responsabilidades. Esse processo contribui para a normalização do sofrimento emocional e para o adiamento da busca por cuidados em saúde mental.

Segundo o médico psiquiatra Dr. Guido Boabaid May, fundador da GnTech, fatores biológicos, hormonais e sociais ajudam a explicar essas diferenças na apresentação clínica. “A depressão feminina muitas vezes se manifesta com sintomas atípicos, como hipersonia, aumento do apetite, culpa excessiva e sintomas somáticos. Isso faz com que o quadro fique mascarado e seja interpretado apenas como cansaço ou estresse”, afirma. A seguir, o especialista destaca quatro sinais que merecem atenção. Confira:


1. Esgotamento persistente que não melhora com descanso

Quando a sensação de cansaço é profunda, contínua e acompanhada de desânimo, perda de prazer e dificuldade de concentração, pode indicar um quadro depressivo. “Não se trata de um cansaço comum, mas de um esgotamento que persiste mesmo após pausas e férias, associado a alterações importantes no humor e na motivação”, explica o médico.

2. Oscilações emocionais associadas a fases hormonais

Períodos como ciclo menstrual, gestação, pós-parto e menopausa podem aumentar a vulnerabilidade para quadros depressivos, especialmente em mulheres com maior sensibilidade hormonal. “As oscilações hormonais influenciam neurotransmissores ligados ao humor e à resposta ao estresse. Para algumas mulheres, essas transições funcionam como gatilhos para episódios depressivos recorrentes”, destaca.


3. Culpa excessiva e sensação constante de incapacidade

Autocrítica intensa, sensação de não dar conta das responsabilidades e ruminação frequente são sintomas comuns na depressão feminina. “Muitas mulheres internalizam o sofrimento, sentem culpa por não conseguirem manter o desempenho esperado e passam a acreditar que precisam lidar sozinhas com isso”, afirma.


4. Dificuldade em buscar ajuda profissional

O atraso no diagnóstico também está relacionado à normalização do sofrimento feminino e ao receio de parecer fraca ou não ser compreendida. “Existe uma cultura que incentiva a mulher a priorizar os outros e minimizar os próprios sintomas. Isso faz com que muitas procurem tratamento apenas quando o quadro já está mais grave e impactando significativamente a qualidade de vida”, alerta.

Para o psiquiatra, o Dia da Mulher também deve ser um convite à atenção aos sinais emocionais. “A depressão tem tratamento eficaz, baseado em evidências científicas. Quanto mais cedo ele começa, maiores são as chances de recuperação. Cuidar da saúde mental é um ato de responsabilidade consigo mesma, e falar sobre o tema é uma forma importante de prevenção e redução do estigma”, conclui o Dr. Guido Boabaid May.



Guido Boabaid May - Médico psiquiatra há mais de 32 anos, com mais de 110 mil consultas realizadas, mais de 1.100 pacientes em tratamento guiado com teste farmacogenético e pioneiro da farmacogenética no Brasil. Guido também é fundador e CEO da GnTech, empresa de biotecnologia pioneira e líder em farmacogenética no Brasil, com mais de 25 mil testes farmacogenéticos realizados sob sua liderança, a empresa é detentora do maior banco de dados de farmacogenética sobre a população brasileira. Boabaid também atua como médico do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e é autor do livro "Onde Foi Parar Minha Alegria?”, publicado em 2025.


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