- Franca
(SP) leva a primeira colocação, seguida por São José do Rio Preto (SP),
Campinas (SP) e Santos (SP). Os quatro municípios já estão
universalizados;
- Santarém
(PA), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Várzea Grande (MT) e Parauapebas
(PA) foram os piores municípios ranqueados;
- Enquanto
os 20 melhores municípios contam com 98,08% de coleta de esgoto, os 20
piores possuem apenas 28,06%, uma diferença de 70,02 pontos percentuais;
- No
tratamento de esgoto, os 20 melhores registram 77,97%, enquanto os 20
piores alcançam apenas 28,36%, uma diferença de 49,61 pontos percentuais;
- Como
avançar sem recursos compatíveis?
- Os 20 municípios com pior desempenho no Ranking investem, em
média (de 2020 a 2024), R$ 77,58 por habitante, valor cerca de 66%
inferior aos R$ 225 por habitante previstos pelo PLANSAB para
universalizar o saneamento até 2033 e 56% inferior aos R$ 176,17
investidos pelos 20 municípios com melhor desempenho;
- O município com maior investimento per capita em 2024 é
Praia Grande (SP), com R$ 572,87. O de menor nível relativo de
investimento é Rio Branco (AC) com R$ 8,99.
O Instituto Trata
Brasil (ITB), em parceria com GO Associados, publica a 18ª edição do Ranking do
Saneamento com foco nos 100 municípios mais populosos do Brasil. Para produzir
o ranqueamento, foram levados em consideração os indicadores mais recentes do
Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), ano-base 2024,
publicados pelo Ministério das Cidades.
A falta de acesso
à água potável ainda impacta mais de 30 milhões de brasileiros, enquanto cerca
de 90 milhões (43,3% da população) não possuem coleta de esgoto, refletindo em
problemas de saúde, falta de produtividade no trabalho, desvalorização
imobiliária, perdas relacionadas ao turismo e queda na qualidade de vida da
população, impactando profundamente o desenvolvimento socioeconômico do país.
O RANKING
DO SANEAMENTO 2026
O Ranking do Saneamento
é composto pela análise de três dimensões do saneamento básico em cada
município: “Nível de
Atendimento”, “Melhoria
do Atendimento” e “Nível
de Eficiência”. Nesta edição, Franca (SP) ocupa a primeira
colocação, seguida por São José do Rio Preto (SP), Campinas (SP) e Santos (SP).
Pela primeira vez na série histórica do Ranking, os quatro municípios mais bem
posicionados alcançaram a pontuação máxima. Isso significa que, em 2024, essas
cidades não apenas apresentavam níveis de atendimento considerados
universalizados, conforme estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento Básico,
como também registravam baixos índices de perdas, compatíveis com os parâmetros
definidos pela Portaria nº 490/2021, que é de 25% para perdas na distribuição
ou 216 L/por ligação por dia para perdas por ligação.
Devido ao empate
na pontuação, foi necessária a adoção de um critério de ranqueamento. Para
isso, utilizou-se a soma dos indicadores de atendimento total de água
(IAG0001), esgoto (IES0001) e esgoto tratado em relação à água consumida
(IES2003). Esses indicadores variam de zero a 100, resultando em uma pontuação
máxima possível de 300 pontos.
Quadro 1: Primeiras Posições do Ranking de 2026
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| Fonte: SINISA (2024). Elaboração: GO Associados |
DESTAQUES DO RANKING DE SANEAMENTO 2026
QUEM SÃO OS
20 MELHORES?
Quadro 2: 20 Melhores Municípios no Ranking do Saneamento de 2026[1]
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| Fonte: SINISA (2024). Elaboração: GO Associados |
Dos 20 municípios mais
bem colocados no Ranking de 2026, nove são do estado de São Paulo, seis do
Paraná, dois de Goiás, dois de Minas Gerais e um do estado do Rio de Janeiro.
QUEM SÃO OS
20 PIORES?
Quadro 3: 20 Piores Municípios do Ranking do Saneamento de 2026
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| Fonte: SINISA (2024). Elaboração: GO Associados |
Dos 20 piores
municípios do Ranking de 2026, quatro estão no Rio de Janeiro, quatro no Pará e
três em Pernambuco. Do restante, quatro pertencem à macrorregião Norte, três
situam-se na macrorregião Nordeste, um no Centro-Oeste e outro na região Sul.
Além disso, dos 20 piores municípios ranqueados em 2026, sete são capitais de
seus estados: Maceió (AL), Manaus (AM), São Luís (MA), Belém (PA), Rio Branco
(AC), Macapá (AP) e Porto Velho (RO).
20 MELHORES
× 20 PIORES
Quadro 4: 20 Melhores × 20 Piores
Analisando os dados apresentados no Quadro 4, é possível observar uma relação direta entre o volume de investimentos e os avanços nos indicadores de saneamento básico. Nesse sentido, um indicador relevante é o Investimento Médio por Habitante, pois permite comparar os grupos dos 20 melhores e dos 20 piores a partir da distância relativa de seus níveis de investimento em relação ao valor estabelecido pelo PLANSAB como referência para a universalização do saneamento nos municípios, de R$ 225 por habitante.
Entre 2020 e 2024, os 20 municípios mais bem posicionados no Ranking registraram um investimento anual médio de R$ 176,17 por habitante, cerca de 22% abaixo do patamar nacional médio estimado para a universalização. Esse nível de investimento é compatível com a realidade dessas cidades, que já apresentam indicadores avançados ou universalizados, sem comprometer o cumprimento das metas do Marco Legal do Saneamento Básico e da Portaria nº 490/2021.
Em contraste, os 20 municípios com pior desempenho apresentaram investimento anual médio de R$ 77,58 por habitante no mesmo período, cerca de 66% abaixo do patamar nacional médio. Diante de indicadores ainda muito distantes da universalização, esse baixo volume de investimentos dificulta significativamente o alcance das metas legais dentro do prazo.
A diferença nos
investimentos se reflete diretamente nos indicadores de saneamento. Nos 20
melhores municípios, o atendimento total de água chega a 99,05%, enquanto nos
20 piores fica em 83,01%, diferença de 16,05 pontos percentuais (p.p.). As
disparidades também estão presentes nos demais serviços. Enquanto os 20
melhores municípios contam com 98,08% de coleta de esgoto, os 20 piores possuem
apenas 28,06%, uma diferença de 70,02 p.p.. No tratamento de esgoto, os 20
melhores registram 77,97%, enquanto os 20 piores alcançam apenas 28,36%, uma
diferença de 49,61 pontos percentuais. Já as perdas na distribuição ficam em
24,28% nos 20 melhores e 44,78% nos 20 piores, diferença de 20,50 p.p..
ELEVADOR DO
RANKING (QUEM MAIS SUBIU E QUEM MAIS DESCEU)
O Elevador do
Ranking do Saneamento 2026 destaca os municípios que mais variaram de forma
positiva e negativa em relação ao Ranking de 2025. É importante ressaltar que
os indicadores do SINISA buscam estabelecer um paralelo entre os dados disponíveis
e a realidade observável de cada município em termos de infraestrutura de
saneamento.
Quadro 5 – Municípios com a maior variação positiva
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| Fonte: SINISA (2024). Elaboração: GO Associados |
Teresina (PI) foi o município que mais avançou no Ranking de 2026, com salto de 14 posições, impulsionado pela ampliação do atendimento de esgoto e pela redução das perdas. Guarulhos (SP) avançou 13 posições e Juiz de Fora (MG), 12, com destaque para a melhora nos indicadores de atendimento de água, coleta e tratamento de esgoto.
Betim (MG) também
avançou 13 posições, destacando-se pela melhora nos indicadores de perdas. São
José dos Pinhais (PR) avançou 12 posições e passou a figurar entre os 20 mais
bem colocados em função dos avanços nos indicadores de atendimento de água,
coleta e de tratamento de esgoto.
São José dos
Campos (SP), Joinville (SC) e Cariacica (ES) subiram 11 posições no Ranking de
2026. São José dos Campos (SP) se destacou pela combinação de avanços no
atendimento e redução das perdas; Joinville (SC), pelos ganhos no atendimento e
no tratamento de esgoto, aliado à redução de perdas; e Cariacica (ES), pela
expansão do atendimento e do tratamento de esgoto, aliada à redução das perdas.
Quadro 6 – Municípios com a maior variação negativa
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| Fonte: SINISA (2024). Elaboração: GO Associados |
Porto Alegre (RS) apresentou
uma das maiores quedas no Ranking de 2026, com recuo de 14 posições, resultado
principalmente da redução no atendimento de esgoto e do aumento nos indicadores
de perdas. João Pessoa (PB) também caiu 14 posições, com retração nos
indicadores de atendimento de água e esgoto, além do aumento das perdas de
água.
Santo André (SP)
perdeu 12 posições no Ranking deste ano, com destaque para a redução no
investimento total por habitante, acompanhada de aumento nos indicadores de
perdas. Piracicaba (SP) recuou 11 posições, movimento explicado principalmente
pela queda no atendimento de água e pela redução do investimento total por
habitante (redução de R$ 80), apesar da já universalização no serviço de coleta
e tratamento dos esgotos.
DESTAQUES POR INDICADORES
ATENDIMENTO
TOTAL DE ÁGUA
Ao todo, 28
municípios já atingiram a universalização do abastecimento de água conforme as
metas do Marco Legal do Saneamento. Desse grupo, 11 registram cobertura total
de 100%, enquanto outros 17 apresentam índices iguais ou superiores a 99% de
atendimento O menor percentual de atendimento de água em 2024 foi de 30,74%, em
Porto Velho (RO). No ano anterior, 2023, o menor índice encontrado foi de
35,02%, no mesmo município.
O indicador médio
de atendimento dos 100 maiores municípios foi de 93,55% e mostra uma pequena
queda frente ao índice de 93,91% observado em 2023. No geral, os municípios
considerados possuem níveis de atendimento em água superiores à média
brasileira total, que foi de 84,1%.
Quadro 7: 10 Melhores e 10 Piores Municípios – Indicador de Atendimento Total de Água
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| Fonte: SINISA (2024). Elaboração: GO Associados. |
COLETA
TOTAL DE ESGOTO
Apenas três municípios
da amostra alcançaram 100% de cobertura na coleta de esgoto. Outros 37
registram índices superiores a 90% e também podem ser considerados
universalizados, de acordo com as metas estabelecidas pelo Marco Legal do
Saneamento Básico. Na outra ponta, o menor nível de atendimento foi observado
em Santarém (PA), onde apenas 3,28% da população possui acesso ao serviço de
coleta de esgoto
O indicador médio
de coleta dos municípios foi de 76,97% em 2024, menor que os 77,19% verificados
em 2023. No geral, os municípios considerados possuem coleta de esgoto superior
à média total do Brasil, calculada a partir do SINISA (2024), que foi de 56,7%.
Quadro 8: 10 Melhores e 10 Piores Municípios – Indicador de Coleta Total de Esgoto
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| Fonte: SINISA (2024). Elaboração: GO Associados. |
ÍNDICE DE
TRATAMENTO DE ESGOTO
Esse indicador
mostra, em relação à água consumida, qual a porcentagem do esgoto que é
tratado. Sete municípios apresentaram valor máximo (100%) de tratamento de
esgoto e outros 25 municípios têm valores superiores a 80%, podendo ser
considerados universalizados de acordo com a NBR 9.649/1986. Contudo, a nota
máxima somente é conferida àqueles municípios que também alcançam a
universalização em termos de atendimento (coleta), segundo metas do Novo Marco
Legal do Saneamento Básico.
O indicador médio
de tratamento de esgoto dos 100 maiores municípios foi de 64,42%, uma queda em
relação aos 65,11% observados em 2023. Segundo o SINISA (2024), a média
nacional para o tratamento dos esgotos gerados foi de 51,8%, novamente menor
que a média da amostra do Ranking. No entanto, em ambos os casos, o indicador
está em um patamar longe da meta de universalização, apontando uma área com
grandes desafios a serem superados.
Quadro 9: 10 Melhores e 10 Piores Municípios – Indicador de
Tratamento de Esgoto
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| Fonte: SINISA (2024). Elaboração: GO Associados. |
INVESTIMENTOS
TOTAIS POR HABITANTE
Neste indicador, são considerados não apenas os investimentos realizados pelos prestadores, mas também os investimentos realizados pelo poder público, incluindo estados e municípios. Entre os 100 municípios analisados, o investimento médio em saneamento foi de R$ 135,89 por habitante em 2024.
Os dados revelam, porém, um cenário de insuficiência de recursos. Ao todo, 51 municípios investem menos de R$ 100 por habitante, o que corresponde a menos da metade do patamar de R$ 225 por habitante estimado pelo PLANSAB como necessário para a universalização dos serviços. Em contraste, apenas 17 municípios investem mais de R$ 200 por habitante, sendo que dez deles superam o nível considerado de excelência.
Entre os
destaques, Praia Grande (SP) registrou o maior investimento per capita
do período, com R$ 572,87. Na outra ponta, Rio Branco (AC) apresentou o menor
valor, com apenas R$ 8,99.
Quadro 10: 10 Melhores e 10 Piores Municípios – Investimentos Totais Anuais por Habitante
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| Fonte: SINISA (2024). Elaboração: GO Associados. |
ÍNDICE DE
PERDAS NA DISTRIBUIÇÃO
Este indicador busca
estabelecer uma relação entre a água produzida e a água efetivamente consumida
nas residências. Quanto menor for essa porcentagem, mais bem classificado o
município está, pois uma menor parte da água produzida é perdida na
distribuição.
O indicador médio
computado na amostra foi de 41,51% em 2024, o que representa uma melhora em
relação aos 45,43% computados em 2023. Tal valor é superior à média nacional
divulgada no SINISA (2024), que foi de 39,5%.
Dos 100 municípios
considerados, 20 possuem níveis de perdas na distribuição menores que 25%. Os
dados mostram ainda que quatro municípios da amostra têm perdas na distribuição
superiores a 60%[2].
Quadro 11: 10 Melhores e 10 Piores Municípios – Índice de Perdas na Distribuição (IPD)
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| Fonte: SINISA (2024). Elaboração: GO Associados. |
EVOLUÇÃO DA
COBERTURA DE SANEAMENTO NAS CAPITAIS BRASILEIRAS
Entre as 27 capitais
brasileiras, apenas cinco possuem ao menos 99% de cobertura no abastecimento
total de água. Embora a média do indicador seja de 93,67%, a situação no país é
bastante heterogênea. Em algumas capitais da região Norte, os níveis de
atendimento ainda estão próximos ou abaixo de 50%, como em Rio Branco (AC), com
46,74%, e Porto Velho (RO), com apenas 30,74%
Quadro 12: Principais Indicadores de Saneamento Básico das Capitais
Em relação à coleta total de esgoto, apenas sete capitais têm índice de mais de 90% de atendimento: Goiânia (GO), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Campo Grande (MS), Brasília (DF), Boa Vista (RR) e Belo Horizonte (MG). Contudo, assim como no indicador anterior, há capitais na macrorregião Norte com taxas de esgotamento sanitário baixas, inferiores a 15%. São os casos de Macapá (AP), com 14,94% e Porto Velho (RO), com 8,69%.
No que diz respeito ao tratamento de esgoto, os gargalos parecem ainda maiores, pois apenas sete capitais apresentam ao menos 80% de tratamento: Curitiba (PR), Brasília (DF), Boa Vista (RR), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), João Pessoa (PB) e Maceió (AL). Por outro lado, três capitais trataram menos de 20% do esgoto coletado: São Luís (MA), com 15,78%; Teresina (PI), com 18,74%; e Porto Velho (RO), com 19,72%.
Os indicadores de perdas de água na distribuição também são elevados. Somente Goiânia (GO), Teresina (PI), Campo Grande (MS) e São Paulo (SP) apresentaram índices menores que 25%, com 11,45%, 19,55%, 20,69% e 24,46%, respectivamente.
A análise dos investimentos médios nas capitais brasileiras, entre 2020 e 2024, a valores de fins de junho de 2024, indica que no período foram investidos cerca de R$ 34 bilhões em valores absolutos, sendo que o município de São Paulo (SP) realizou quase 36% desse montante, com aproximadamente R$ 12,2 bilhões. Naturalmente, foi a cidade com o maior investimento total no período, seguida pelo Rio de Janeiro (RJ), com R$ 3,9 bilhões, e por Fortaleza (CE), com R$ 2,2 bilhões.
Observando o investimento médio anual por habitante no período, Cuiabá (MT) foi a capital que mais investiu, com R$ 349,98 por habitante. O município foi o único a investir mais que a estimativa do PLANSAB para a universalização, de R$ 225. A segunda capital que mais investiu em termos per capita foi Campo Grande (MS), com R$ 217,39 por habitante, seguida de Florianópolis (SC), com R$ 216,73 por habitante.
A média das
capitais foi de pouco mais da metade do estipulado pelo PLANSAB, com R$ 138,27
por habitante entre 2020 e 2024. O patamar mais baixo foi observado em Rio
Branco (AC), com R$ 8,99 por habitante, o que ilustra em grande parte sua
posição no Ranking de 2026.
Quadro 13: Evolução dos Investimentos em Saneamento Básico nas Capita
CONCLUSÃO
A edição de 2026 do Ranking do Saneamento reafirma a importância do monitoramento contínuo e transparente da evolução dos serviços de saneamento básico no Brasil. Os resultados evidenciam avanços relevantes no abastecimento de água nos municípios analisados: a média de atendimento total nos 100 maiores municípios brasileiros alcançou 93,55%. Ainda assim, persistem desafios relevantes: 11 municípios ainda registram cobertura inferior a 80%, com destaque para Porto Velho (RO), que apresenta apenas 30,74% de atendimento de água tratada.
Em contraste, os indicadores de esgotamento sanitário continuam a revelar defasagens significativas. A média de atendimento total de esgoto foi de 76,97%. Embora 40 municípios tenham superado 90% de cobertura total, ainda há situações críticas: Santarém (PA), por exemplo, registra apenas 3,28% de atendimento. Esse quadro também se reflete no tratamento de esgoto, cuja média foi de 64,42%, com cinco municípios reportando índices inferiores a 10%.
Na dimensão dos investimentos, fundamental para a ampliação e a melhoria do atendimento, os resultados apontam uma defasagem em relação às metas de universalização previstas para 2033. O investimento anual necessário por habitante foi estimado pelo PLANSAB em R$ 225, patamar atingido por apenas uma pequena parcela dos municípios analisados. Além disso, muitos dos municípios com maiores níveis de investimento já se encontram próximos da universalização, o que evidencia a concentração dos esforços em áreas mais estruturadas.
No que se refere à eficiência operacional, os dados indicam elevados níveis de perdas de água. A média de perdas na distribuição foi de 41,51%, substancialmente acima do limite de 25% estabelecido pela Portaria nº 490/2021.
As disparidades regionais também permanecem como um dos principais entraves à universalização do saneamento básico. Municípios das regiões Norte e Nordeste concentram a maior parte das últimas posições do Ranking, com déficits expressivos em praticamente todos os indicadores. Por outro lado, municípios das regiões Sul e Sudeste predominam entre os melhores desempenhos, refletindo maior capacidade de investimento, regulação e operação dos serviços. O Centro-Oeste apresenta casos pontuais de destaque, ainda que em menor número, reforçando o caráter desigual da evolução do setor no país.
Diante desse
cenário, o Ranking de 2026 reforça o papel central do saneamento como política
pública estratégica para a melhoria da saúde, da educação e da produtividade
econômica no Brasil. Para que o país alcance a universalização até 2033,
conforme estabelecido pelo Marco Legal do Saneamento Básico, é indispensável ampliar
de forma significativa os investimentos no setor, bem como fortalecer a
capacidade regulatória e institucional dos entes subnacionais.
ASPAS DOS PORTA-VOZES:
Luana
Siewert Pretto, Presidente Executiva do Instituto
Trata Brasil:
“Os resultados desta edição do Ranking mostram que, apesar dos avanços registrados em diversos municípios no acesso à água potável e à coleta de esgoto, o tratamento do esgoto ainda é o aspecto mais distante da universalização no país e segue como o principal desafio a ser enfrentado. Em um ano eleitoral, é fundamental que o saneamento ganhe centralidade no debate público e integre de forma prioritária as agendas dos futuros governantes em todo o país. Ao mesmo tempo, o empate nas quatro primeiras colocações do Ranking traz uma mensagem positiva: há cidades que estão cumprindo seu papel, alcançando elevados níveis de atendimento e eficiência, o que reforça que a universalização é viável quando há planejamento, investimentos contínuos e boa gestão”.
Gesner Oliveira, Sócio Executivo da GO Associados:
“O Ranking do Saneamento
do Instituto Trata Brasil chega à sua edição de 2026 não apenas com motivos de
celebração, mas também de preocupação. Se, por um lado, é positivo observar que
cada vez mais municípios já atingiram ou estão próximos da universalização dos
serviços em 2024, ano de referência do estudo, por outro ainda há localidades
em situação bastante precária. Esse cenário se torna ainda mais preocupante à
medida que o prazo de 2033 se aproxima sem que, em muitos casos, se observe uma
mudança estrutural consistente. Além disso, a melhora, ainda que lenta, dos
indicadores médios no país muitas vezes mascara a profunda heterogeneidade que
caracteriza o setor no Brasil. Na prática, municípios que já apresentam bons
indicadores seguem investindo na modernização e na eficiência de suas redes,
enquanto outros permanecem praticamente estagnados. Por isso, é premente que a
sociedade civil acompanhe de perto a atuação dos gestores públicos e cobre
avanços concretos no saneamento básico, especialmente em um ano eleitoral”.
Instituto Trata Brasil - ITB
Para mais informações, acesse: Link













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