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quinta-feira, 19 de março de 2026

Novo dispositivo 3D recria ambiente da medula óssea em laboratório e permite avanços em pesquisas com células-tronco hematopoiéticas

Pesquisadores da Unicamp desenvolveram um dispositivo que reproduz com fidelidade inédita o ambiente da medula óssea, dando um importante passo no avanço dos estudos biomédicos com células-tronco produtoras de sangue.

 

Reproduzir fora do corpo humano as células-tronco responsáveis pela formação do sangue (células denominadas hematopoiéticas) é um dos grandes desafios da medicina regenerativa. Elas são responsáveis por gerar todas as células do sangue (glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas) e por reconstruir a medula óssea quando ela é danificada.

Dominar essa produção significaria algo como recriar uma “fábrica de sangue”, o que traria avanços em terapias e na pesquisa biomédica. No entanto, as células-tronco hematopoiéticas, quando cultivadas em laboratório, perdem rapidamente a capacidade de se multiplicar e de formar uma nova medula óssea, o que dificulta o seu uso e avanço de pesquisas in vitro, in vivo e até clínicos.

Para avançar no desenvolvimento dessa técnica, pesquisadores do Centro Multidisciplinar para Investigação Biológica (CEMIB) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) utilizaram modelos biológicos a partir de animais de laboratório e identificaram uma combinação celular capaz de prolongar as características originais das células-tronco em ambiente controlado. Em uma etapa posterior, eles desenvolveram um dispositivo tridimensional (3D) que reproduz, com grau de fidelidade até então inédito, o microambiente da medula óssea.

Esses avanços combinados permitem que a tecnologia desenvolvida na Unicamp amplie o potencial de pesquisas biomédicas e o desenvolvimento de novas terapias na medicina. A patente desta tecnologia foi depositada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) com suporte e estratégia da Agência de Inovação Inova Unicamp.


Uma nova técnica para prolongar a atividade de células-tronco em laboratório

A investigação teve início há cerca de oito anos. Na ocasião, os pesquisadores começaram a estudar o cocultivo de diferentes tipos de células junto das células-tronco hematopoiéticas, uma etapa prévia essencial para atingir o objetivo desejado.

“Nessa fase inicial, a ideia era entender como recriar em laboratório a comunicação entre as células presentes na medula óssea”, afirma Marcus Corat, pesquisador do Laboratório de Modelos Biológicos do CEMIB. “Essa interação celular controla o ritmo de produção das células do sangue, alternando entre momentos de proliferação e de repouso da produção, conforme as necessidades do organismo”, detalha o especialista. 

Durante esses experimentos de interação celular, os cientistas descobriram uma combinação que manteve por mais tempo as características originais das células-tronco. “Mesmo depois de 15 ou 20 dias de cultivo, ainda tínhamos um número alto de células progenitoras, o que é raro”, acrescenta Corat.


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