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quarta-feira, 18 de março de 2026

Nova era na saúde pediátrica: os impactos do VSR e as estratégias de prevenção em meio à temporada do vírus



Disponibilidade de novo imunizante no SUS amplia a proteção de bebês mais vulneráveis contra o vírus sincicial respiratório (VSR), principal causa de hospitalizações respiratórias na primeira infância1-5 

 

A disponibilidade do imunizante nirsevimabe no Sistema Único de Saúde (SUS) inaugura uma nova era para a saúde pediátrica no Brasil. A chegada da tecnologia ao sistema público teve início simultâneo à temporada de circulação de vírus, que coincide com a circulação de outros causadores de infecções respiratórias e costuma sobrecarregar os sistemas de saúde.

Indicado para a prevenção de todos os bebês – nascidos a termo ou prematuros – contra infecções causadas pelo vírus sincicial respiratório (VSR), principal responsável por bronquiolite7 e uma das principais causas de hospitalização em crianças pequenas1-5, o imunizante passa a ampliar a proteção de bebês prematuros e crianças com comorbidades definidas pelo SUS.

O VSR é um vírus altamente contagioso8 e responsável por grande parte das infecções respiratórias graves em bebês e crianças pequenas9. Dados do OpenDataSUS mostram que, entre fevereiro e junho de 2025, o Brasil registrou 36% mais hospitalizações por VSR em bebês de até um ano em comparação com o mesmo período de 2024, e 71% mais em relação a 202310. A gravidade dos quadros também chama atenção: somente em maio do ano passado, 31% dos bebês hospitalizados precisaram de internação em unidades de terapia intensiva (UTI)10.

Embora muitas vezes associado a sintomas leves semelhantes aos de um resfriado comum, o vírus pode evoluir para quadros graves, como bronquiolite e pneumonia11. Entre os bebês hospitalizados por complicações associadas ao VSR, mais de 70% nasceram saudáveis e a termo2,5,12-15, evidenciando que o impacto da doença não se restringe a crianças consideradas de alto risco.


Quem tem acesso a nirsevimabe via SUS

Desde fevereiro, nirsevimabe passou a ser disponibilizado pelo SUS para:

·         Bebês prematuros nascidos após agosto de 2025 (com idade gestacional inferior a 37 semanas e com até 6 meses de idade). 

·         Crianças com até 24 meses que apresentem comorbidades, como doença pulmonar crônica da prematuridade (broncodisplasia), cardiopatia congênita, anomalias congênitas das vias aéreas, doença neuromuscular, fibrose cística, imunocomprometimento grave, de origem inata ou adquirida, e síndrome de Down15.

De acordo com as orientações do Ministério da Saúde, nirsevimabe pode ser administrado aos recém-nascidos elegíveis ainda na maternidade ou durante internação neonatal, desde que o bebê esteja clinicamente estável e não apresente contraindicações à aplicação intramuscular.

Para crianças que não receberam a proteção ao nascer, a recomendação é procurar a Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (RIE) durante a sazonalidade do vírus, que ocorre entre os meses de fevereiro e agosto.

Avanço na prevenção contra o VSR

Beyfortus® (nirsevimabe) é um anticorpo monoclonal de ação prolongada que oferece proteção direta contra o vírus16-23. Diferentemente das vacinas tradicionais, ele fornece anticorpos prontos para combater o VSR, proporcionando proteção imediata contra infecções respiratórias graves do trato respiratório inferior.

A disponibilidade de uma tecnologia como o nirsevimabe no SUS representa um avanço importante para a proteção da saúde infantil no Brasil. Ao ampliar o acesso a estratégias inovadoras de prevenção, especialmente para populações mais vulneráveis, damos um passo importante para reduzir o impacto das infecções respiratórias graves em bebês e contribuir para uma nova perspectiva na saúde pediátrica”, afirma Guillaume Pierart, diretor geral de vacinas da Sanofi no Brasil.

Para o infectologista pediátrico Dr. Renato Kfouri, a ampliação das estratégias de prevenção representa uma mudança relevante no enfrentamento das infecções respiratórias na primeira infância.

O vírus sincicial respiratório é uma das principais causas de bronquiolite e hospitalizações em bebês durante os primeiros meses de vida. A possibilidade de proteger crianças vulneráveis antes da infecção representa um avanço importante para reduzir complicações graves e melhorar o cuidado com a saúde infantil”, explica.

Já para a infectologista Dra. Rosana Richtmann, do Instituto Emílio Ribas, o momento atual representa uma oportunidade importante para mudar o cenário da doença no país.

Durante muitos anos convivemos com um vírus extremamente comum e de grande impacto na infância sem ferramentas amplas de prevenção. A possibilidade de proteger bebês antes do primeiro contato com o VSR abre uma nova perspectiva para reduzir hospitalizações e melhorar o cuidado com a saúde infantil, especialmente entre aqueles mais vulneráveis”, afirma.


A importância da prevenção para bebês mais vulneráveis

Além da comunidade médica, organizações que atuam diretamente com famílias e populações vulneráveis reforçam a importância de estratégias de prevenção voltadas aos bebês com maior risco de complicações associadas ao vírus sincicial respiratório (VSR).

Para Denise Suguitani, diretora da ONG Prematuridade.com, a chegada do imunizante representa um avanço importante para famílias de bebês prematuros, que já enfrentam desafios adicionais desde o nascimento.

Bebês prematuros muitas vezes já passaram por uma jornada intensa de cuidados na UTI neonatal e permanecem mais suscetíveis a infecções respiratórias nos primeiros meses de vida. A possibilidade de prevenção contra o VSR traz mais segurança para essas famílias e representa um avanço importante no cuidado com esses bebês”, afirma.

Já a pneumologista Dra. Ângela Honda, diretora executiva da Fundação ProAr, destaca que estratégias de prevenção direcionadas a grupos mais vulneráveis podem contribuir para reduzir o impacto das infecções respiratórias na infância.

Quando falamos de vírus respiratórios em bebês, estamos falando de um impacto que pode ser ainda maior entre crianças mais vulneráveis. Ampliar a prevenção e garantir que essas famílias tenham acesso à informação e às estratégias disponíveis é fundamental para reduzir complicações e melhorar os desfechos de saúde na infância”, explica.


Impacto positivo observado em outros países

No Chile, a implementação de uma estratégia nacional de imunização contra o VSR resultou em redução de 76% nas hospitalizações por VSR e de 85% nas internações em UTI pediátrica, além de nenhuma morte registrada entre bebês menores de um ano durante o primeiro ano de implementação21.

Esses resultados reforçam o potencial da estratégia de prevenção para reduzir o impacto da bronquiolite e de outras infecções respiratórias graves na primeira infância.


Sobre Beyfortus® e o VSR

Beyfortus® (nirsevimabe) é um anticorpo monoclonal que oferece imunização direta contra o VSR, não sendo necessária a ativação do sistema imunológico para a criação dos anticorpos, como ocorre com vacinas tradicionais do calendário vacinal16-22.

O vírus sincicial respiratório (VSR) é uma das principais causas de hospitalização em bebês com menos de 12 meses de idade e está associado a até 80% dos casos de bronquiolite e 60% das pneumonias pediátricas23.

 

 

Referências 

1.    McLaughlin JM et al. J Infect Dis 2022; 225(6): 1100–1111.

2.    Demont C et al. BMC Infect Dis 2021; 21(1): 730. 

3.    Reeves RM et al. J Infect 2019; 78(6): 468–475. 

4.    Mira-Iglesias A et al. Outros vírus respiratórios da influenza 2022; 16(2): 328–339. 

5.    Sanchez-Luna M et al. Curr Med Res Opin 2016; 32(4): 693‒698. 

6.    FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ (Fiocruz). InfoGripe: número de casos de SRAG volta a aumentar em quase todo o país. Agência Fiocruz de Notícias, 6 mar. 2026. Disponível em: https://agencia.fiocruz.br/infogripe-numero-de-casos-de-srag-volta-aumentar-em-quase-todo-o-pais. Acesso em: 11 mar. 2026

7.    BRASIL. Ministério da Saúde. Bronquiolite. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [s.d.]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/b/bronquiolite. Acesso em: 11 mar. 2026.

8.    Reis J and Shaman J. Infect Dis Model 2018; 3: 23–34.

9.    Walsh E. Clin Chest Med 2017; 38(1): 29–36.

10.  SRAG 2021 a 2025 - Banco de Dados de Síndrome Respiratória Aguda Grave - incluindo dados da COVID-19 - Conjunto de dados – OPENDATASUS

11.  BRASIL. Ministério da Saúde. O que é o Vírus Sincicial Respiratório (VSR)? Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2025. Atualizado em: 29 jan. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/v/vsr/faq/conceito-e-abrangencia-virus-sincicial-respiratorio-vsr/o-que-e-o-virus. Acesso em: 11 mar. 2026.

12.  Kobayashi Y et al. Pediatr Int 2021; 64(1): e14957. 

13.  Hartmann K et al. J Infect Dis 2022; 226(3): 386‒395. 

14.  Yu J et al. Emerg Infect Dis 2019; 25(6): 1127‒1135. 

15.  Thwaites R et al. Eur J Pediatr 2020; 179(5): 791‒799. 10. Arriola C et al. J Pediatric Infect Dis Soc 2020; 9(5): 587–595 e Anexo suplementar.

16.  Protocolo de uso Nirsevimabe para prevenção de infecção do trato respiratório inferior associado ao vírus sincicial respiratório para bebês prematuros ou com comorbidades Brasil. Disponível em: Relatório preliminar - Protocolo de uso Nirsevimabe para prevenção de infecção do trato respiratório inferior associado ao vírus sincicial respiratório para bebês prematuros ou com comorbidades

17.  Beyfortus®. Resumo das características do produto (Summary of Product Characteristics, SmPC) da EU. 

18.  ANS - Agência Nacional de Saúde Suplementar. Disponível em: < https://www.gov.br/ans/pt-br/assuntos/noticias/sobre-ans/novas-tecnologias-sao-incorporadas-ao-rol-pela-ans-1 >. Acesso em: 17 dez. 2025.

19.  Leader S, Kohlhase K. Recent trends in severerespiratorysyncytialvirus (RSV) among US infants, 1997 to 2000. J Pediatr. 2003;143(5 Suppl):S127-32.

20.  Piedimonte G, Perez MK. Respiratorysyncytialvirusinfectionandbronchiolitis. Pediatr Rev. 2014;35(12):519-30.

21.  Effectiveness and impact of nirsevimab in Chile during the first season of a national immunisation strategy against RSV (NIRSE-CL): a retrospective observational study. Disponível em https://www.thelancet.com/journals/laninf/article/PIIS1473-3099(25)00233-6/abstract

22.  Verwey C e Madhi SA. Biofármacos 2023

23.  BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde incorpora vacina para proteger gestantes e bebês do vírus sincicial respiratório. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 17 fev. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/fevereiro/saude-incorpora-vacina-para-proteger-gestantes-e-bebes-do-virus-sincicial-respiratorio. Acesso em: 11 mar. 2026 


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