• Análise da datatech indicou que mais de 2,6 milhões de indivíduos ou contas bancárias apresentaram indícios de atuação como “perfis laranja” em 2025;
•
Apenas 3,2% desses perfis foram detectados pelas instituições.
Em um cenário de
transações cada vez mais rápidas e alta circulação de recursos em canais
digitais, o Brasil registrou avanço no uso de contas intermediárias em golpes,
os chamados potenciais perfis laranja. Em 2025, mais de 2,6 milhões de
indivíduos ou contas bancárias apresentavam indícios de atuação nesse tipo de
fraude, em que criminosos utilizam contas para receber e repassar valores
ilícitos, geralmente provenientes de golpes e, com frequência, em transações
instantâneas. O volume representa crescimento de 62% em comparação com 2023. Os
achados são do estudo mais recente sobre o tema, realizado pela Serasa
Experian, primeira e maior datatech do Brasil, líder em soluções de
autenticação e prevenção à fraude.
O Diretor de
Autenticação e Prevenção à Fraude, Leandro Bartolassi, explica que no universo
das fraudes, “laranja” é o CPF usado para encobrir o verdadeiro beneficiário do
golpe. “Essa utilização pode ocorrer sem o conhecimento do titular, a partir de
dados vazados e abertura indevida de contas, ou com algum grau de participação,
quando a pessoa empresta conta e informações bancárias. Em golpes com
transferências via Pix, essas contas atuam como intermediárias, dificultando a
rastreabilidade do dinheiro até o destino final”.
Além do aumento
observado em dois anos, o estudo aponta um gargalo operacional relevante para o
ecossistema financeiro: apesar do volume expressivo de perfis com indícios de
uso como “laranjas” em 2025, apenas 3,2% foram efetivamente detectado. A maior
parte permaneceu fora do radar em função do cenário associado, principalmente,
à ausência de monitoramento consistente e do uso limitado de tecnologias de
autenticação, além da própria complexidade do comportamento, que nem sempre
aparece nos meios tradicionais de verificação de identidade.
“O uso de contas
laranja é um dos mecanismos que mais ‘dá aparência de normalidade’ a uma
fraude, porque cria uma camada intermediária antes do beneficiário final, o
golpista. Em 2025, os dados mostraram que enfrentar esse tipo de crime exige
uma combinação de inteligência analítica, validação de identidade e
monitoramento comportamental durante toda a jornada, do onboarding às
transações”, afirma Bartolassi. “Quando a identificação acontece cedo, as
instituições conseguem reduzir perdas e também limitar a reutilização dessas
contas em repasses via Pix e em outras modalidades”, completa o executivo da
datatech.
Baixo
uso de conta e escala do Pix ampliaram o espaço para contas intermediárias em
2025
O levantamento
referente a 2025 mostrou que potenciais perfis laranja com baixo uso de
serviços financeiros foram 9 vezes mais arriscados do que aqueles com alta
frequência. A explicação passa pelo comportamento do correntista: segundo
Bartolassi, ao acessar menos o aplicativo, esse público tende a ter menor
familiaridade com funcionalidades e alertas e, consequentemente, mais dificuldade
para perceber sinais de atividade suspeita, o que amplia o tempo de exposição a
movimentações indevidas.
Esse cenário
ganha ainda mais relevância com a consolidação do Pix no cotidiano do
brasileiro. Em 2024, o sistema movimentou R$ 26 trilhões, segundo o Banco
Central. Já no recorte do estudo da Serasa Experian, em 2025, as transações
atribuídas a potenciais laranjas corresponderam a 2% do total — o equivalente a
aproximadamente 1,2 bilhão de operações. “Essa combinação reforça como volume,
velocidade e contas intermediárias seguem sendo um vetor crítico para golpes e
dificultam a rastreabilidade dos recursos”, completa o Diretor da Serasa
Experian.
Como
a Serasa Experian identificou “características de potencial laranja”
O estudo
considerou sinais e padrões associados ao uso indevido de contas como
intermediárias em fraudes, a partir de variáveis como perfil de relacionamento
com instituições financeiras, hábitos de consumo do CPF em diferentes
segmentos, vínculos e consistências cadastrais, entre outros elementos. Por se
tratar de inteligência proprietária, os critérios são consolidados em modelos
analíticos que apoiam a prevenção à fraude sem expor detalhes que possam
orientar tentativas de evasão.
experianplc.com
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