No Dia Nacional de Atenção à Disfagia (20/03), especialistas explicam a condição e apontam sinais que merecem análise e investigação
A disfagia é uma condição caracterizada
pela dificuldade para engolir alimentos, líquidos ou até mesmo saliva, podendo
ter diferentes causas, como doenças neurodegenerativas, pneumonia aspirativa e
acidente vascular cerebral (AVC), entre outras. Essa dificuldade ocorre quando
há alterações nas estruturas ou nos movimentos envolvidos na deglutição,
processo que se inicia na boca, passa pela garganta e segue pelo esôfago até
chegar ao estômago. Dados publicados no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology
indicam que a prevalência da condição varia entre 2,3% e 22% na população
geral, podendo atingir de 10% a 30% entre idosos, o que reforça a importância
do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico adequado.
De acordo com a Dra. Daniela Antenuzi
da Silva, médica e professora da pós-graduação em Gastroenterologia da Afya
Brasília, muitas vezes o problema está relacionado a alterações no esôfago. “A
disfagia deve sempre ser investigada. Trata-se de um sintoma que pode
comprometer a rotina alimentar e estar associado a diferentes condições, como
inflamações, estreitamentos (estenoses), distúrbios de motilidade, alergias e
até neoplasias. Em alguns casos, também pode ter relação com doenças
neurológicas, efeitos colaterais de medicamentos ou alterações no eixo
cérebro-intestino”, explica.
Entre as causas digestivas mais comuns
estão a doença do refluxo gastroesofágico, inflamações no esôfago, cicatrizes
provocadas pelo refluxo crônico e distúrbios de motilidade, como a acalasia.
Nessa condição, há comprometimento da inervação esofágica, o que dificulta a
passagem do alimento do esôfago para o estômago e pode levar ao alargamento do
órgão. Já em outros casos, a dificuldade ocorre na fase inicial da deglutição,
envolvendo boca e garganta, situação conhecida como disfagia de transferência,
que muitas vezes leva o paciente a buscar inicialmente avaliação com o
otorrinolaringologista.
Segundo a professora Daniela, a
investigação clínica é essencial para identificar a origem do sintoma. “A causa
mais frequente da disfagia está relacionada ao refluxo gastroesofágico, que
pode provocar espasmos no esôfago, inflamações ou até estreitamentos
decorrentes do refluxo crônico. Por isso, uma boa anamnese é fundamental para
diferenciar se a dificuldade está na passagem do alimento da boca para a
faringe ou se ocorre ao longo do esôfago, o que orienta a escolha do
especialista e dos exames necessários”, afirma.
De acordo com o Dr. Alexandre
Martins, médico professor de otorrinolaringologia da Afya Centro Universitário
Itaperuna, sintomas como engasgos e tosse durante as refeições podem indicar
alterações na fase inicial da deglutição. “Quando o paciente relata engasgos
frequentes, tosse ao engolir ou sensação de alimento parado na garganta, é
importante investigar possíveis alterações na fase orofaríngea da deglutição,
que envolve estruturas como boca, língua, faringe e laringe”, explica.
Segundo o especialista, durante o ato
de engolir a laringe se fecha para impedir que alimentos entrem nas vias
aéreas; quando esse mecanismo não funciona adequadamente, pode ocorrer
penetração ou aspiração alimentar, provocando tosse, engasgos ou a sensação de
alimento preso na garganta. Nesses casos, a avaliação com o
otorrinolaringologista é fundamental para identificar a causa e orientar o
tratamento adequado.
Para investigar a causa do problema,
podem ser solicitados exames específicos que avaliam as diferentes etapas da
deglutição. Entre eles estão a nasofibrolaringoscopia flexível, realizada em
consultório e que permite visualizar a faringe e a laringe por meio de uma microcâmera;
o videodeglutograma, exame radiológico dinâmico que analisa em tempo real o
trajeto do alimento da boca até o esôfago; e a videoendoscopia da deglutição,
que avalia como o alimento passa pela garganta e identifica possíveis episódios
de aspiração.
Na investigação das causas
digestivas da disfagia, a endoscopia alta é um dos principais exames,
pois permite avaliar a anatomia e a mucosa do esôfago, identificando
inflamações, estreitamentos (estenoses), lesões ou neoplasias. Quando há
suspeita de distúrbios motores, pode ser indicada a manometria esofágica de
alta resolução, exame que analisa o funcionamento da musculatura do
esôfago.
A impedanciometria também pode ser
utilizada quando há dúvida sobre a relação entre a doença do refluxo
gastroesofágico e os sintomas. Já nos casos de disfagia de transferência, o
esofagodeglutograma pode ser especialmente útil, pois realiza uma avaliação
dinâmica da deglutição, permitindo identificar alterações anatômicas ou
funcionais da faringe e do esôfago que nem sempre são observadas na endoscopia.
Segundo os especialistas, o tratamento
depende da causa da disfagia. Em alguns casos, mudanças na alimentação e
reabilitação com fonoaudiologia são suficientes. Em outros, pode ser necessário
tratamento medicamentoso ou procedimentos médicos. Quando diagnosticada
precocemente, a condição costuma ter boa resposta ao tratamento.
12 Sinais e
sintomas que podem indicar disfagia, de acordo com os especialistas
1. Sensação de
alimento preso na garganta ou no peito
2. Engasgos frequentes
durante as refeições, ao comer ou beber
3. Tosse ao engolir
alimentos ou líquidos ou durante a deglutição
4. Dor ou desconforto
ao engolir
5. Necessidade de
beber líquidos para ajudar a comida a descer
6. Necessidade de
engolir várias vezes o mesmo alimento
7. Alteração da voz
após engolir
8. Sensação de
impactação do alimento na garganta ou no tórax, com ou sem dor
9. Necessidade de
reduzir a consistência dos alimentos ou mastigar por mais tempo
10.
Refeições que demoram mais que o habitual para serem concluídas
11.
Pneumonias de repetição
12.
Perda de peso sem causa aparente ou progressiva
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