Para
especialista, país tem “deserto de assistência” a atendimento cardiológico de
alta complexidade, com 13 estados sem realizar transplantes, apesar de
representarem 20% da demanda nacional;
Sem tecnologia e no ritmo atual, atender 100% da necessidade dos brasileiros para transplantes do coração pode levar 140 anos, segundo estimativa da CardioWays
A insuficiência cardíaca avançada é hoje um
dos maiores desafios da medicina, menos por falta de tecnologia e mais pelas
barreiras que limitam o tratamento. Embora já existam soluções capazes de
aumentar a qualidade e a expectativa de vida dos pacientes, muitos seguem
afastados de sua rotina por ficarem sem assistência adequada. Para os
especialistas da CardioWays — hub de cardiologistas que visa ampliar o acesso
aos cuidados do coração, por meio de uma jornada integrada e multidisciplinar —
o cenário brasileiro traz um agravante: o acesso ao transplante cardíaco e às
inovações terapêuticas ainda é profundamente desigual no país.
Segundo o Ministério da Saúde, todo ano
surgem 240 mil novos casos de insuficiência cardíaca em território nacional.
Uma das principais soluções para as situações em que não há mais alternativas
de tratamento, quando o medicamento acaba sendo recurso meramente paliativo,
são os transplantes cardíacos. De acordo com dados da Associação Brasileira de
Transplantes de Órgãos (ABTO), porém, em 2024 o Brasil realizou apenas 438
transplantes, frente à necessidade anual estimada de 1.701 procedimentos, ou
25% do total.
Se a necessidade anual de transplantes se
mantiver e o número de transplantes realizados crescer no mesmo ritmo da última
década (353 em 2015 e 440 em 2024), os procedimentos atenderão 100% dos
pacientes somente em cerca de 140 anos; ou seja, perto de 2170, alerta o médico
Caio Ribeiro Alves Andrade, especialista em insuficiência cardíaca e cofundador
da CardioWays. O especialista enfatiza que, diante desse cenário, traçar um
planejamento para o uso de tecnologias de última geração que apoiem os
pacientes enquanto eles não têm acesso ao transplante é urgente.
“Não é possível perder mais tempo. Em paralelo
à importância de aumentar a doação de órgãos, a Medicina atual já dispõe de
recursos altamente tecnológicos para salvar vidas, como os corações
artificiais. Há, inclusive, modelos que podem ser utilizados a vida inteira ou
enquanto o paciente aguarda a vez na fila do transplante, prolongando sua
sobrevida. E aí temos dois desafios principais: disseminar o conhecimento de
médicos e pacientes sobre essas novas soluções, bem como facilitar o acesso ao
dispositivo, hoje aquém do que pode alcançar”, destaca o médico.
Deserto
de assistência
Ainda segundo as informações da ABTO, São
Paulo é a unidade da federação que realizou o maior número de transplantes de
coração no país em 2024. No entanto, mesmo com quatro hospitais listados como
Top50 da categoria Cardiologia, no ranking World’s Best Specialized Hospitals
2025, da Newsweek/Statista, o estado não atingiu a demanda total dos pacientes.
Foram 130 procedimentos, apenas 35% da necessidade local estimada. Minas Gerais
vem em segundo lugar, com 80 procedimentos (46%) e Paraná em terceiro, com 43
(45%), de acordo com dados da ABTO.
O Brasil possui também um “deserto de assistência”
ao coração em metade do mapa, explica Caio. “Embora concentrem cerca de 20% da
demanda por transplantes, com mais de 360 procedimentos necessários, 13 estados
das regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte não realizaram sequer um transplante
cardíaco em 2024”, analisa.
Heart
as a service
Um dos modelos de coração artificial, o
Heartmate 3 é o único autorizado pela Anvisa, entrou para o rol da ANS no ano
passado e pode impulsionar o atendimento a diferentes casos, no lugar do
transplante tradicional. A terapia, contudo, ainda não ganhou tração necessária
para suprir a demanda. Foram implantados somente 13 dispositivos no país em
2024, todos na rede particular. Sua tecnologia ajuda o coração original a
bombear o sangue, mantendo o fluxo contínuo e estável. Ao garantir a circulação
adequada, devolve ao paciente a capacidade de realizar atividades normais.
O formato de atuação da CardioWays dá
condições de agilizar a implantação da tecnologia. Seu método
heart-as-a-service não exige que médicos e hospitais desenvolvam equipes,
conhecimento, experiência e tecnologia do zero para realizar um implante do
coração artificial. Seus dez cardiologistas, com passagens por alguns dos
principais hospitais do país, agregam especialidades que vão da cirurgia
cardíaca à terapia intensiva com esse objetivo. Além de realizar a cirurgia
para implantar o coração artificial, eles se integram ao corpo clínico dos
centros de assistência, elevando a eficiência do atendimento cardiológico e
podendo transformar esses locais em referência para suporte complexo à saúde do
coração.
“Vai além de uma atuação consultiva. Tem
muita prática da equipe. Nesse modelo heart-as-a-service, o hospital que tem
uma infraestrutura base para atendimento cardiológico avançado pode, em poucos
dias, oferecer com agilidade e segurança as condições necessárias para receber
um paciente com insuficiência cardíaca avançada, realizar o implante do coração
artificial e garantir o acompanhamento adequado de sua rotina em uma jornada
totalmente integrada”, explica a médica Marina Fantini, especialista em
insuficiência cardíaca, também cofundadora da CardioWays.
Sobre a CardioWays
A alta incidência de insuficiência cardíaca –
foram 2,5 milhões de internações entre 2011 e 2021, somente no SUS – levou um
grupo de dez médicos, com experiência em algumas das maiores instituições de
saúde do país, a unir-se por um propósito comum: oferecer novas possibilidades
de tratamento a pacientes que antes não tinham alternativas. Assim nasceu a
CardioWays, um hub de cardiologistas dedicado a promover uma jornada de cuidado
integrada, humana e multidisciplinar. Entre suas principais soluções está
o Dispositivo de Assistência Ventricular Esquerda (DAVE), conhecido como
coração artificial. A tecnologia amplia as opções para pacientes inelegíveis ao
transplante cardíaco ou que aguardam na fila por um novo coração, oferecendo
chance real de recuperação e qualidade de vida. No consultório, parceira do
médico, a CardioWays fomenta a visão multidisciplinar de cada caso e aprimora o
alcance do cuidado. Nos hospitais, atuando como corpo clínico integrado,
fortalece a assistência, adequa fluxos, reduz internações e eleva a eficiência
do atendimento cardiológico.
Nenhum comentário:
Postar um comentário