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quinta-feira, 19 de março de 2026

12 dicas para conseguir o visto e trabalhar no exterior

Com mais países abrindo as portas para o trabalho remoto, planejamento e informação são essenciais para evitar erros na solicitação do visto 


Se antes trabalhar remotamente enquanto vivia em outro país era uma exceção, atualmente o modelo passou a integrar a realidade de milhões de profissionais. Em 2025, cerca de 40 milhões de pessoas já viviam como nômades digitais, segundo o Global Digital Nomad Report. O modelo, antes restrito a poucos perfis, tornou-se uma alternativa concreta para trabalhadores qualificados que buscam mobilidade geográfica sem abrir mão da carreira. 

Dados de plataformas especializadas ajudam a dimensionar esse movimento. Um levantamento da Pumble indica que cidadãos dos Estados Unidos representam cerca de 44% dos nômades digitais cadastrados. Em seguida aparecem países como Reino Unido, Canadá, Alemanha, França, Brasil, Austrália, Holanda e Espanha, de acordo com a plataforma Nomad List. 

No Brasil, o interesse pelo estilo de vida também cresce. O termo “nômade digital” apresentou aumento de aproximadamente 41% nas buscas entre janeiro e junho de 2025, conforme dados do Google Trends. 

Na Europa, Espanha e Portugal despontam como os destinos mais atrativos para brasileiros interessados em adotar o nomadismo digital. Um levantamento da consultoria internacional HAYMAN-WOODWARD, que analisou critérios como exigência de renda mínima, prazos de aprovação e benefícios fiscais em mais de dez países europeus, apontou os dois países como as opções mais equilibradas para esse perfil de profissional.

“O nomadismo digital já se consolida como um componente relevante do trabalho em escala global. Nesse contexto, Espanha e Portugal se destacam para brasileiros por combinarem proximidade cultural e linguística, boa qualidade de vida, custos ainda competitivos em relação a outros destinos europeus e marcos regulatórios que oferecem caminhos claros para residência de longo prazo e eventual cidadania”, afirma o especialista em mobilidade global e CEO da HAYMAN-WOODWARD, Leonardo Freitas.

Na Espanha, o visto de nômade digital — conhecido como Teletrabajo Internacional — exige renda mínima de €2.368 por mês (aproximadamente R$ 15.073). O processo costuma levar cerca de 30 dias, e o visto permite residência por até cinco anos. Um diferencial relevante para brasileiros é a possibilidade de solicitar a cidadania espanhola após dois anos de residência legal contínua.

Já Portugal exige renda mensal mínima de €3.480 para o visto D8, que concede residência temporária com possibilidade de permanência definitiva após cinco anos.  


12 dicas para solicitar o visto e trabalhar de qualquer lugar do mundo

Antes de iniciar o processo, é fundamental entender que cada país estabelece critérios próprios para a concessão do visto de nômade digital. Apesar das diferenças, há exigências comuns, como comprovação de renda, vínculo profissional internacional e seguro de saúde. Planejamento e organização fazem toda a diferença para evitar atrasos, indeferimentos e gastos desnecessários durante a solicitação. 

A seguir, confira algumas orientações importantes para quem deseja solicitar o visto de nômade digital:

  1. Entenda os requisitos básicos de cada localidade: embora variem de país para país, os principais critérios incluem a comprovação de trabalho remoto (contrato ou clientes estrangeiros); renda mínima mensal comprovada; seguro de saúde internacional e certidão de antecedentes criminais e prova de acomodação ou intenção de residência.
  2. Comprove renda estável: esta é a exigência mais importante porque os governos precisam garantir que você conseguirá se sustentar no país sem depender de assistência social ou do mercado de trabalho local. A comprovação é feita por meio de extratos bancários, contratos de prestação de serviço ou declaração de empregadores. A exigência varia entre € 700 (Portugal - visto D7) e € 4.500 (Estônia) mensais. Na Espanha, o valor é de € 2.368 a € 2.760 por mês, dependendo da base utilizada pelo consulado. 
  3. Tenha vínculo profissional internacional: é necessário comprovar trabalho remoto para empresas ou clientes fora do país de destino. Na Espanha, o trabalhador por conta própria poderá trabalhar para empresas do país contanto que o trabalho não ultrapasse 20% do total de sua atividade laboral.
  4. Qualificação profissional: é importante possuir um diploma de graduação ou pós-graduação de uma universidade credenciada, ou ter pelo menos três anos de experiência de trabalho na área.
  5. Seguro de saúde internacional: todos os países exigem cobertura médica válida durante toda a permanência. Este é um dos requisitos mais rigorosos e sem exceções.
  6. Antecedentes criminais limpos: apresentar certidão negativa dos últimos 5 anos, traduzida e juramentada.
  7. Planeje os custos: na Espanha, o valor da taxa é de € 89,96 para o primeiro pedido e €95,27 para a renovação. Considere também custos com tradução juramentada (€25 a €60 por página), apostilamento de documentos (R$ 70 a R$ 120 por item) e possível assessoria jurídica (a partir de €500).
  8. Documentação completa: reúna contratos de trabalho ou prestação de serviço, extratos bancários recentes (geralmente dos últimos 3 meses), declarações de imposto de renda e comprovante de acomodação no país.
  9. Verifique os prazos de processamento e as janelas de aplicação: os prazos de análise variam significativamente entre os países e podem sofrer atrasos em períodos de alta demanda. Alguns vistos permitem solicitação apenas a partir do país de origem, enquanto outros aceitam pedidos já em território estrangeiro. Entender essas regras ajuda a planejar a mudança com mais segurança e evita contratempos.
  10. Entenda as vantagens fiscais: na Espanha, o regime fiscal de impatriados pode resultar em tributação de 24% sobre renda de origem espanhola, com isenção sobre ganhos no exterior. Na Croácia, há isenção de imposto de renda sobre a renda de trabalho remoto.
  11. Considere a livre circulação na Europa: a maioria dos vistos permite circular livremente pelo Espaço Schengen durante o período de validade, possibilitando explorar diferentes países europeus.
  12. Planeje a renovação e cidadania: na Itália, após cinco anos de residência com o visto de nômade digital, é possível solicitar a residência permanente e, depois de mais cinco anos, dar entrada no processo de cidadania italiana.


Movimento que redefine o futuro do trabalho

O nomadismo digital deixou de ser tendência emergente e passou a integrar o mercado de trabalho global. Com países disputando talentos por meio de políticas migratórias mais flexíveis, profissionais qualificados ganharam mais liberdade para decidir onde viver e trabalhar. 

“O que se observa é uma ampliação significativa do acesso à mobilidade internacional. Esse cenário já não se restringe a executivos ou investidores e passa a incluir profissionais qualificados de diferentes áreas, que hoje conseguem decidir onde viver sem comprometer sua trajetória profissional. No caso dos brasileiros, esse contexto abre uma oportunidade concreta”, finaliza Leonardo Freitas. 





HAYMAN-WOODWARD
https://haymanwoodward.com/

 

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