Especialista alerta que alterações hormonais podem surgir anos antes da menopausa e impactar sono, memória, libido e qualidade de vida
Em alusão ao Mês
da Mulher, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional
São Paulo (SBEM-SP) chama atenção para um tema que tem ganhado cada vez
mais espaço nas conversas entre amigas, familiares e colegas de trabalho: a menopausa.
Mais do que a última menstruação, esse período envolve uma transição
hormonal que pode começar muitos anos antes e provocar sintomas
que nem sempre são reconhecidos de imediato.
Segundo a
endocrinologista Dra. Cristina Formiga,
endocrinologista da diretoria da SBEM-SP, é importante ampliar o olhar sobre
essa fase e introduzir um conceito muitas vezes menos conhecido: o climatério.
“A menopausa é classificada como a parada da menstruação por 12 meses. Mas,
antes disso, a mulher já pode estar vivendo o climatério, que é quando os
hormônios começam a oscilar e cair, provocando diversas alterações no corpo e
na qualidade de vida”, explica.
De acordo com a
especialista, essa transição costuma ocorrer entre os 48 e 52 anos de idade,
podendo se estender até os 56, embora algumas mulheres possam apresentar
sintomas mais cedo. “Se a gente definir tudo apenas como a parada da
menstruação, muitas vezes já vai estar tratando essa mulher tardiamente”,
afirma.
Entre os sinais
mais clássicos do climatério estão os fogachos, principalmente noturnos,
mas há também sintomas mais precoces e menos associados pela paciente a esse
período. “Déficit de atenção, falhas de memória, alteração da libido,
indisposição, cansaço, dificuldade de foco e a sensação de ‘mente nublada’, o
chamado brain fog, podem aparecer antes mesmo de a menstruação
parar”, diz a endocrinologista. Também podem ocorrer insônia, secura vaginal e
dor na relação sexual.
No consultório, a
queixa sobre a libido costuma ser uma das mais frequentes. Mas a médica
ressalta que a sexualidade feminina não depende apenas dos hormônios. “A libido
está relacionada ao estrogênio e à testosterona, mas passa muito pela qualidade
de vida, pelo sono e pelo momento que essa mulher está vivendo. Muitas estão no
auge da carreira, com filhos pequenos ou adolescentes, acumulando múltiplas
tarefas. Nem tudo é hormonal”, pondera.
O tratamento,
segundo Dra. Cristina, deve ser individualizado e pode incluir terapia
hormonal, quando não houver contraindicação, além de
estratégias não hormonais para mulheres que não podem fazer
reposição. “Quando a paciente é candidata, o estrogênio pode melhorar muito os
sintomas. Em alguns casos, ele vem associado à progesterona, quando a mulher
tem útero. Há ainda situações específicas em que pode ser feita complementação
com testosterona, mas isso não é indicado de forma isolada nem para todas as
mulheres”, explica.
Já para pacientes
com histórico de trombose, AVC, infarto ou alguns tipos de câncer, como mama e
endométrio, a abordagem costuma focar no controle dos sintomas. “Nesses casos,
existem alternativas para aliviar os fogachos, melhorar o sono e reduzir o
impacto na qualidade de vida”, afirma.
Além dos
medicamentos, a endocrinologista destaca que a condução do climatério passa por
um conjunto de cuidados. “Atividade física, alimentação adequada e sono de
qualidade são fundamentais. A mulher que já chega a essa fase se exercitando
tende a ter uma qualidade de vida melhor. E isso também ajuda a reduzir a perda
de massa muscular, que se intensifica nesse período”, explica.
A especialista
também chama atenção para a relação entre obesidade e menopausa.
“A obesidade é uma doença e piora a reserva dessa mulher para lidar com as
mudanças fisiológicas. Ela pode agravar sintomas como fogachos, cansaço e ganho
de peso, criando um ciclo vicioso. Quando a obesidade é tratada adequadamente,
muitas vezes os sintomas do climatério também melhoram”, observa.
Para a médica,
apesar dos desafios, é possível viver essa fase com bem-estar. “A mulher no
climatério costuma ter mais autonomia, mais conhecimento sobre o próprio corpo
e mais clareza sobre o que afeta sua qualidade de vida. Com informação de
qualidade e acompanhamento médico, é possível amenizar muito os sintomas e
atravessar essa transição com saúde e tranquilidade”, afirma.
Dra. Cristina também alerta para os mitos que ainda cercam o tema, especialmente em relação à reposição hormonal. “Muitas mulheres ainda têm medo ou preconceito por informações antigas e desatualizadas. O mais importante é não ficar em silêncio, buscar orientação confiável, conversar com o médico e, se necessário, até procurar uma segunda opinião. A mulher vai passar cerca de um terço da vida no pós-menopausa. Por isso, é fundamental entender que essa é uma fase que merece cuidado, escuta e acompanhamento”, conclui.
SBEM-SP
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