Reter talentos nunca foi tão desafiador. A
competitividade do mercado e a escassez de profissionais qualificados em
determinadas áreas acirram a disputa pela atração e fidelização de bons
times – ao mesmo tempo que fazem com que muitos se abram a novas
oportunidades quando não se sentem reconhecidos ou devidamente recompensados,
financeiramente, pelo seu desempenho interno. E, na dúvida entre o
ficar ou sair, usar a oferta como argumento para negociar melhores
condições na empresa atual se tornou uma prática frequente, mas, nem sempre,
benéfica.
A
decisão de participar de um processo seletivo, para aqueles que já estão
empregados, precisa levantar alguns questionamentos importantes do porquê está
buscando uma outra oportunidade. Por que está insatisfeito? Desejando
uma vaga mais aderente aos seus objetivos de carreira? Ou, talvez, um
cargo maior com uma remuneração mais adequada?
Via
de regra, quando uma pessoa é provocada nesse sentido, é natural que haja uma
expectativa de incremento salarial – o que, de fato, acaba ocorrendo na maioria
das vezes, junto a uma ampliação de seu escopo de trabalho. O problema não está
em buscar por essas condições melhores, mas nos casos em que falta
transparência pela forma na qual orquestra esse processo entre a
empresa atual e a nova contratante.
É
aqui que vemos o leilão, quando o profissional apresenta a proposta a seu
gestor, abrindo espaço para uma contraproposta, mas, nem sempre, tem os
entregáveis necessários para argumentar seu desejo de um aumento salarial. O
resultado dessa falta de visão é esperado: em cenários de
reestruturações, pode ser a primeira pessoa a ser desligada da empresa. Ou, em
momentos de promoções, não seria a primeira cogitada a subir.
Prova
disso está em um levantamento da Gitnux, que identificou que cerca de
52% dos profissionais que aceitam uma contraproposta acabam saindo da empresa
dentro de seis meses. A falta de ética e transparência nesse processo, se
utilizando de uma oferta de outra empresa para alavancar o salário atual, sem
que tenha o necessário para justificar o aumento, pode acabar
prejudicando não apenas a continuidade na organização como, acima de tudo,
sua imagem e reputação no mercado.
Negociar
condições salariais nesse contexto não é uma boa estratégia, uma vez
que acaba abrindo muita chance de que percam oportunidades reais de crescimento
e desenvolvimento em suas carreiras. A recomendação é que, antes de iniciar
qualquer processo seletivo, cada profissional pense o que faria caso fosse
aprovado, se estaria disposto a sair do emprego atual e sob quais condições -
sempre se lembrando que os prejuízos podem ser muito maiores do que qualquer
benefício aparentemente positivo em uma primeira visão.
Qualquer
atalho movido pela pressa em busca de uma melhor oportunidade pode custar bem
caro no final. Mesmo que o aumento salarial seja merecido, este processo
precisa ser conduzido de forma ética e correta, para que nenhuma das partes seja
prejudicada. Afinal, quando um profissional coloca
sua reputação em xeque, o que realmente está em jogo?
Thiago Gaudencio - headhunter e sócio da Wide Executive Search, boutique de recrutamento executivo focado em posições de alta e média gestão.
Wide
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