Pesquisar no Blog

quinta-feira, 19 de março de 2026

Patente do Ozempic - novos medicamentos podem não ser mais baratos

Estratégias de registro na Anvisa e tipo de produção influenciam a chegada de novos produtos e podem ampliar o acesso, mas não necessariamente garantir preços mais baixos de forma imediata
 

O fim da patente de medicamentos à base de semaglutida, como o Ozempic, deve ampliar a oferta no mercado. Mas há um ponto importante: isso não garante preços mais baixos. De acordo com o farmacêutico homeopata Jamar Tejada, a forma como as empresas optam por registrar seus produtos junto à Anvisa pode impactar diretamente tanto a classificação regulatória quanto o preço final ao consumidor.

 

Medicamento novo ou biossimilar: qual a diferença?

Tradicionalmente, medicamentos biológicos — como a semaglutida — não possuem genéricos no sentido clássico. O que existe são os chamados biossimilares, produtos altamente semelhantes ao original, mas não idênticos.

No entanto, algumas farmacêuticas têm seguido um caminho diferente.

“Em vez de registrar o produto como biossimilar, algumas empresas optam por solicitar o registro como medicamento novo, apresentando um dossiê próprio para avaliação. Isso é possível, principalmente quando há diferenças no processo de produção ou na estratégia de desenvolvimento”, explica Jamar Tejada.

Esse tipo de abordagem pode ocorrer, por exemplo, quando o medicamento é produzido por síntese química em vez de tecnologia biológica.

 

Quem define o enquadramento é a Anvisa

Apesar das estratégias adotadas pelas empresas, a palavra final é da agência reguladora. “A Anvisa avalia os dados apresentados e define qual é o enquadramento mais adequado — se o produto será considerado um medicamento novo, um biológico ou um biossimilar”, destaca o farmacêutico.

Essa decisão é fundamental, pois impacta diretamente as exigências de comprovação de eficácia, segurança e equivalência com o medicamento de referência.

 

Novo preço nem sempre será mais baixo

Um dos pontos que mais chama atenção é a ideia de que novos produtos sejam automaticamente mais acessíveis — o que nem sempre acontece.

“Existe uma percepção de que qualquer alternativa ao medicamento original será mais barata, mas isso não é uma regra”, alerta Jamar Tejada.

No caso dos biossimilares, é comum que cheguem ao mercado com preços menores, mas isso não é uma exigência regulatória da Anvisa.

Trata-se, na prática, de uma consequência das políticas de mercado e precificação e não há obrigatoriedade legal de redução de preço. Já no caso de medicamentos registrados como novos, essa lógica pode ser ainda menos previsível.

“Um medicamento aprovado como novo não precisa seguir a mesma lógica de preço dos biossimilares. O valor vai depender de diversos fatores, incluindo estratégia comercial e posicionamento no mercado”, explica.


O que muda para o consumidor

“O cenário tende a ficar mais competitivo, o que pode favorecer o consumidor no médio prazo. Mas é importante entender que preço não é definido apenas pela existência de alternativas”, reforça o especialista.

O avanço tecnológico, as diferentes formas de produção e as estratégias regulatórias das farmacêuticas estão redesenhando o mercado de medicamentos.

“Mais do que esperar preços menores, o importante é acompanhar como esses produtos serão avaliados e disponibilizados. A regulação e o mercado caminham juntos — e isso impacta diretamente o acesso à saúde”, conclui Jamar Tejada.


 

Jamar Tejada - Farmacêutico graduado pela Faculdade de Farmácia e Bioquímica pela Universidade Luterana do Brasil, RS (ULBRA), Pós-Graduação em Gestão em Comunicação Estratégica Organizacional e Relações Públicas pela USP (Universidade de São Paulo), Pós-Graduação em Medicina Esportiva pela (FAPES), Pós-Graduação em Comunicação com o Mercado pela ESPM, Pós-Graduação em Formação para Dirigentes Industriais com Ênfase em Qualidade Total - Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul-(UFRGS) e Pós-Graduação em Ciências Homeopáticas pelas Faculdades Associadas de Ciências da Saúde. Proprietário e Farmacêutico Responsável da ANJO DA GUARDA Farmácia de manipulação e homeopatia desde agosto 2008. tejard

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados