Especialista
alerta que tratar apenas o sintoma não resolve o problema e ensina como
potencializar os cuidados no couro cabeludo
Imagem gerada por IA
A queda de cabelo é uma das queixas mais frequentes
nos consultórios e salões especializados, mas tratá-la como um problema isolado
pode ser um erro. O processo, na maioria das vezes, é multifatorial e pode
estar associado a alterações hormonais, deficiências nutricionais, estresse,
distúrbios do sono, inflamações intestinais e até doenças autoimunes, como a
alopecia areata.
Segundo a especialista em estética e saúde Patrícia
Elias, a primeira etapa é identificar a causa. “Muitas vezes a queda é
consequência de algo que está acontecendo internamente. Alterações hormonais,
falta de ferritina, deficiência de vitaminas ou um período intenso de estresse
podem desencadear um eflúvio telógeno, que é uma queda momentânea. Quando a
causa é corrigida, o cabelo tende a se recuperar”, explica.
Nos casos de alopecia androgenética, porém, o
tratamento é contínuo. “A androgenética é crônica e precisa de acompanhamento
ao longo da vida. O cuidado correto do couro cabeludo passa a ser parte da
rotina, não algo pontual”, afirma Elias.
De acordo com Patrícia, além da investigação
médica, os cuidados externos são determinantes para amenizar o quadro,
independentemente da origem da queda. “O uso de shampoos inadequados, com altas
concentrações de agentes agressivos, pode comprometer ainda mais o couro
cabeludo. Shampoo antiqueda, por exemplo, não é para lavar em 30 segundos. Ele
precisa permanecer no couro cabeludo por, no mínimo, três minutos para que os
ativos tenham efeito.”
A orientação também inclui lavar o cabelo duas
vezes na mesma aplicação, principalmente para quem higieniza os fios poucas
vezes na semana. A primeira lavagem remove impurezas, oleosidade e resíduos, e
a segunda permite melhor absorção dos ativos. A massagem deve ser feita apenas
com as pontas dos dedos, nunca com as unhas, evitando microlesões que podem
aumentar a inflamação local.
Outro erro comum é evitar lavar o cabelo por medo
de ver os fios caindo. “Um couro cabeludo limpo é sempre mais saudável. Lavar o
cabelo dia sim, dia não, não aumenta a queda, mas o acúmulo de sujeira e
oleosidade, sim, pode piorar”, alerta.
A especialista também chama atenção para o uso
excessivo de calor. Secador muito próximo da raiz, chapinha diária e tração
constante fragilizam fios já enfraquecidos. “Se a raiz está inflamada ou
sensibilizada, o calor direto pode agravar o processo.”
Já em casos associados à caspa ou dermatite, é
fundamental controlar fungos e micro-organismos. “Óleos essenciais como
melaleuca podem auxiliar pela ação antifúngica, enquanto alecrim e
hortelã-pimenta apresentam estudos que demonstram estímulo à circulação do
couro cabeludo, com efeito comparado ao Minoxidil em algumas pesquisas
experimentais. Aloe vera também pode ser utilizada pela ação calmante e
regeneradora”, explica Elias.
Além disso, a especialista ensina que é possível
potencializar um shampoo comum, tornando-o menos agressivo e mais funcional,
assim como preparar máscaras nutritivas semanais e loções de uso diário para
estimular o crescimento.
“O ponto central, porém, é compreender que queda de
cabelo não se trata apenas com cosmético. Exige avaliação individualizada,
correção de fatores internos e disciplina nos cuidados externos. Quando o couro
cabeludo é tratado como extensão da saúde do organismo, os resultados tendem a
ser mais consistentes e duradouros”, finaliza a especialista.
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