Da escolha do tecido
ao corte das peças, a relação entre corpo e vestuário revela como a celulite
influencia o guarda-roupa feminino 
iStock
Quando se fala em celulite, a imagem mais comum
costuma ser a de mulheres preocupadas com o corpo na praia ou à beira da
piscina. No entanto, o impacto dessa característica da pele vai muito além do
verão ou da moda praia. No cotidiano, ela pode influenciar decisões mais amplas
do vestuário feminino, como o tipo de tecido escolhido, o comprimento de uma
saia ou a modelagem de um vestido. Em muitos casos, essas escolhas acabam
orientando parte significativa do guarda-roupa de uma mulher, revelando como a
relação entre corpo e autoestima pode moldar não apenas a forma como alguém se
percebe, mas também aquilo que decide vestir no dia a dia.
Essa relação entre corpo e
vestuário aparece em pequenos detalhes da rotina que muitas vezes passam
despercebidos. Tecidos mais estruturados, comprimentos calculados e cortes
específicos tornam-se aliados frequentes de quem busca maior conforto ao vestir
determinadas peças. Em vez de seguir apenas tendências de moda, muitas mulheres
acabam organizando o próprio guarda-roupa considerando como determinadas roupas
se comportam no corpo, priorizando peças que oferecem maior segurança visual e
evitando aquelas que evidenciam irregularidades da pele.
Para a dermatologista Nívia Bordin
Chacur (CRM-SP 206579), CEO das clínicas Leger, essa relação entre celulite e
vestuário costuma aparecer associada à percepção da própria imagem corporal.
Segundo ela, muitas mulheres relatam que o desejo de tratar a celulite está
ligado também à vontade de voltar a se sentir mais confortáveis com o próprio
corpo, inclusive na forma de se vestir. “Uma parte significativa das mulheres
menciona a autoestima como motivação principal. Elas dizem que querem se sentir
mais livres para usar determinadas roupas ou mostrar o corpo com mais
tranquilidade. Isso mostra como a percepção da celulite pode influenciar
escolhas cotidianas”, explica.
Observações feitas no
acompanhamento de pacientes indicam que essa mudança na relação com o corpo
muitas vezes se reflete diretamente no guarda-roupa feminino. Mulheres que
passam por tratamentos para celulite frequentemente descrevem uma sensação de
maior liberdade em situações cotidianas que antes geravam desconforto. Entre os
exemplos mais citados estão o retorno ao uso de roupas de praia, vestidos mais
curtos ou peças que antes eram evitadas por evidenciar a textura da pele.
Para o médico Roberto Chacur
(CRM-SP 124125), que há décadas se dedica ao estudo e tratamento da celulite,
compreender a estrutura da condição ajuda a explicar por que essa mudança de
percepção pode ocorrer. Segundo ele, a celulite está relacionada principalmente
aos septos fibrosos, estruturas que conectam a pele aos tecidos mais profundos
e que, quando tensionadas, puxam a superfície da pele para baixo, criando as
depressões características da pele.
Chacur explica que os tratamentos
modernos que atuam nessas estruturas costumam apresentar evolução gradual. “Em
muitos casos, a paciente percebe essa mudança em duas etapas. Primeiro ocorre o
procedimento e, algumas semanas depois, geralmente por volta de 45 dias, ela
retorna para avaliação. Nesse momento já é possível observar uma melhora mais
clara na textura da pele e na aparência da região tratada”, afirma.
De acordo com o médico, esse
retorno costuma marcar também uma mudança na forma como muitas mulheres se
relacionam com o próprio corpo. “Muitas pacientes comentam que passam a se
sentir mais confortáveis com a própria pele e mais seguras ao escolher o que
vestir no dia a dia. Isso mostra que tratar a celulite não envolve apenas a
aparência da pele, mas também a forma como a mulher se percebe”, diz.
Para Nívia Bordin Chacur, esse
impacto emocional não deve ser ignorado. “Quando a mulher percebe melhora na
pele, muitas vezes ela relata que volta a se sentir mais confiante em situações
simples do cotidiano, inclusive ao escolher roupas que antes evitava”, afirma.
“A estética acaba se conectando diretamente com autoestima e bem-estar”,
finaliza.
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