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quarta-feira, 25 de março de 2026

Moda masculina no Brasil ainda tem espaço para crescer: as oportunidades além do preço no varejo


O mercado de moda masculina está em expansão, o setor cresce a uma taxa de 30% ao ano no Brasil, posicionando o nosso país como o 8º maior em faturamento no mundo. Mas a verdadeira reflexão que todo lojista deve fazer é: sua loja está preparada para capturar esse espaço indo além da velha guerra de preços?

Antigamente o consumo masculino era visto estritamente como uma necessidade funcional, o que resultava em pouca diversidade nas araras e em um varejo que priorizava preço e volume. No entanto, o comportamento do consumidor mudou, e a roupa masculina deixou de ser apenas funcionalidade para se tornar uma poderosa forma de expressão pessoal e estilo.

Hoje, lidamos com um novo homem na hora da compra. Ele está muito mais atento à sua identidade, à qualidade do que veste e ao custo-benefício. Para se ter uma ideia do potencial, dados revelam que o ticket médio masculino em compras on-line (R$458) já se mostrou superior  ao do público feminino (R$353).

É exatamente aí que reside a grande virada de chave: o crescimento da moda masculina não depende de ter o produto mais barato. Entrar na briga exclusiva por preço cria margens apertadas, pouca diferenciação e uma enorme dificuldade para fidelizar clientes. As verdadeiras oportunidades estão em oferecer um produto bem desenvolvido,, curadoria inteligente e um posicionamento de marca sólido.

E aqui trago um ponto central: o interior do Brasil é o verdadeiro motor de crescimento da moda masculina. Em cidades menores, o cliente passa sempre pelos mesmos lugares e pelas mesmas ruas. Se a sua vitrine não muda periodicamente, você simplesmente “desaparece” da rotina visual dele. 

Já pensou em envolver o seu cliente, conquistando cada sentido na hora da venda? Uma loja com um som que acolhe, uma playlist leve e um aroma discreto aumentam o tempo de permanência. Isso é experiência aplicada ao varejo, e funciona excepcionalmente bem, seja em grandes lojas ou em multimarcas de cidades do interior.

Se eu pudesse sugerir algo para você colocar em prática logo, seria: menos peças, mais intenção. Muita informação à mostra confunde o consumidor. Organize suas araras de forma a criar uma sequência lógica, conte um storytelling de tendência e crie harmonia com combinações inteligentes de cores. Quando tudo conversa, a decisão de compra fica fácil e você ainda educa o seu público.

A vitrine bem pensada aumenta o fluxo, a ambientação engaja e o bom produto fideliza. Lembre-se: quando você domina a estratégia e a experiência, você domina a rentabilidade. E, no fim do dia, é a confiança que fecha negócio.

Outro fator que impulsiona essa transformação é a própria evolução da indústria da moda masculina no Brasil. O setor passou a investir mais em desenvolvimento de produto, pesquisa de comportamento e tecnologia têxtil. Hoje, tecidos com maior durabilidade, elasticidade, respirabilidade e conforto térmico estão cada vez mais presentes nas coleções, refletindo um consumidor que quer roupas que acompanhem sua rotina dinâmica.

Esse movimento também está conectado a uma mudança cultural. O homem brasileiro passou a consumir moda com mais frequência e consciência. Ele busca peças versáteis, que funcionem em diferentes contextos do dia a dia, mas sem abrir mão de identidade. Não se trata mais apenas de comprar uma camisa ou uma calça, mas de escolher algo que comunique estilo, confiança e autenticidade.

Nesse cenário, as marcas que conseguem traduzir o comportamento masculino contemporâneo têm uma grande vantagem competitiva. A moda masculina de hoje precisa equilibrar três pilares fundamentais: design relevante, qualidade de construção e acessibilidade. É esse equilíbrio que permite escalar no varejo e, ao mesmo tempo, manter uma proposta de valor clara para o consumidor final.

Outro ponto importante é o papel estratégico do atacado multimarcas nesse crescimento. Diferente de mercados altamente concentrados em grandes redes, o Brasil possui um varejo extremamente pulverizado, com milhares de lojistas independentes espalhados pelo país. São esses empreendedores que fazem a moda chegar a cidades médias e pequenas, conectando tendências com a realidade local de consumo.

Quando as marcas entendem esse ecossistema e trabalham lado a lado com o lojista, oferecendo suporte, curadoria de coleção e estratégias de sell-out, o crescimento se torna muito mais sustentável. O sucesso da moda masculina no Brasil passa diretamente por fortalecer esse relacionamento.

No fim das contas, estamos vivendo um momento muito interessante para o setor. A moda masculina deixou de ser um mercado secundário e passou a ocupar um espaço estratégico dentro da indústria de vestuário. E quem entender que o consumidor masculino busca experiência, identidade, qualidade e não apenas preço, certamente estará um passo à frente nos próximos anos.

Vender apenas roupa é simplesl. Construir marca, desejo e relacionamento é o que realmente sustenta um negócio de moda no longo prazo. 

  

Allan Soares é fundador - CEO da AKR Brands, holding que reúne as marcas King&Joe, King&Joe Play e K&J Black

 

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