Trabalhar fora dos
EUA não é o problema, o risco está fazer trabalho remoto em solo americano,
mesmo que seja para outro país como o Brasil
O trabalho remoto se consolidou como uma realidade
global. Segundo o IBGE, cerca de 6,6 milhões de brasileiros estavam em regime
de home office ou híbrido em 2024. Para quem planeja viver ou passar um período
nos Estados Unidos, surge uma dúvida comum: é possível continuar trabalhando
remotamente para uma empresa no exterior enquanto se está em solo americano?
Do ponto de vista jurídico, a resposta exige
atenção.
O advogado especialista
em imigração, Dr. Diego Sales, explica que o
fator determinante não é onde a empresa está localizada, mas sim onde o
trabalho é executado fisicamente.
“Se a pessoa estiver em território americano,
qualquer atividade profissional pode ser considerada trabalho,
independentemente de a empresa estar fora dos Estados Unidos. Sem autorização
de trabalho, isso pode caracterizar uma violação do status imigratório”,
afirma.
Isso significa que estrangeiros que entram nos EUA
com vistos que não permitem trabalho, como o de turista (B1/B2) ou determinados
vistos de estudante, não estão autorizados a exercer atividades profissionais
enquanto estiverem fisicamente no país, mesmo que o pagamento venha do exterior.
Um exemplo comum é o de profissionais que mantêm
vínculo com empresas no Brasil e continuam trabalhando remotamente durante
estadias mais longas nos Estados Unidos. Nesses casos, a prática pode ser
interpretada como trabalho não autorizado.
O advogado de imigração complementa que os Estados
Unidos não possuem, atualmente, um visto específico para nômades digitais.
“Na teoria, o estrangeiro não pode estar nos EUA e
continuar trabalhando remotamente para uma empresa estrangeira sem autorização.
No entanto, em períodos muito curtos, como viagens de férias, essa prática
raramente é alvo de fiscalização. Já em estadias mais longas, o risco aumenta e
pode haver questionamentos”, explica.
Por outro lado, trabalhar para uma empresa
americana estando fora dos Estados Unidos não configura qualquer irregularidade
imigratória.
“Empresas americanas podem contratar profissionais
no exterior normalmente. O problema surge quando esse profissional passa a
exercer suas atividades dentro do território americano sem o visto adequado”,
acrescenta.
As consequências de uma violação podem incluir
cancelamento de visto, dificuldades em futuras entradas no país e, em casos
mais graves, procedimentos de remoção.
Para atuar legalmente nos Estados Unidos, é
necessário possuir um visto que autorize trabalho, como H-1B, L-1, O-1 ou outras
categorias aplicáveis, cada uma com requisitos específicos e limitações quanto
ao tipo de atividade, empregador e local de atuação.
Diante desse cenário, o planejamento migratório se
torna essencial.
“O trabalho remoto parece simples, mas do ponto de vista imigratório exige cautela. Antes de exercer qualquer atividade enquanto estiver nos Estados Unidos, é fundamental entender se o seu status permite isso”, reforça Dr. Diego Sales.
Buscar orientação especializada é a forma mais
segura de evitar riscos que podem comprometer não apenas um visto, mas todo um
projeto de vida internacional.
Diego Sales - advogado da Visa Finder, licenciado no Brasil, com mais de 14 anos de experiência em direito de imigração e direito corporativo. Ao longo de sua carreira, atuou em escritórios de advocacia e empresas de tecnologia tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Nos EUA, ocupou posições estratégicas como Diretor de Desenvolvimento de Negócios, Case Manager e Supervisor de Vistos Especiais em uma das maiores firmas especializadas em imigração do país.
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