Realizar atividades físicas intensas após um longo período de sedentarismo pode trazer diversos problemas musculares e até mesmo cardíacos
Fatores
como a pressão estética, a busca por emagrecimento rápido e mudanças no estilo
de vida costumam levar à adoção de uma rotina exigente de exercícios físicos.
Apesar dos inúmeros benefícios que a prática dessas atividades traz, o
acompanhamento profissional é indispensável para garantir que o hábito de se
exercitar não vire um problema.
Um exemplo nesse sentido é o de pessoas que retomam as atividades físicas de forma intensa após longos períodos de sedentarismo. Esse comportamento, conhecido como o de “atleta sazonal”, pode representar sérios riscos à saúde, segundo especialistas.
De acordo com o médico ortopedista do hospital Hcor, Dr. Riccardo Gobbi, um exemplo prático nesse sentido pode ser visto durante o período de férias, em que as pessoas buscam se aventurar em alguma modalidade esportiva nova ou buscar fazer atividades que fujam da rotina. O despreparo para lidar com uma situação em que se tem pouca ou nenhuma intimidade, a intensidade e a fadiga vindas do esforço por horas consecutivas podem trazer diferentes problemas.
“O corpo precisa de adaptação progressiva. Quando uma pessoa passa meses sedentária e decide treinar com alta intensidade de uma hora para outra, ela sobrecarrega músculos, tendões, articulações e o próprio sistema cardiovascular”, explica o especialista. Outro aspecto importante, é que não é raro esse aumento no volume de exercícios estar associado a dietas restritivas e mais recentemente ao uso de medicações para auxiliar na perda de peso, que levam a um déficit calórico muitas vezes incompatível com o que é recomendado em fase de treinamento e melhora de desempenho.
Entre os problemas mais comuns estão distensões musculares, entorses articulares, lesões ligamentares no joelho, dores por sobrecarga óssea e quadros de tendinite. A falta de condicionamento reduz força, resistência e coordenação, fatores essenciais para a prática segura de esportes.
“Pessoas que costumavam se exercitar no passado tem uma expectativa de
rapidamente retornar aos níveis prévios de desempenho. Porém, o risco de lesão
aumenta porque o sistema musculoesquelético perde condicionamento ao longo do
tempo. Sem uma base mínima de força e mobilidade, o organismo não está
preparado para absorver cargas elevadas”, afirma o médico.
Atenção redobrada ao coração
Além
das lesões ortopédicas, o retorno abrupto à atividade física pode representar
risco cardiovascular, especialmente em pessoas acima dos 35 ou 40 anos,
sedentárias ou com fatores de risco como hipertensão, colesterol elevado,
obesidade e histórico familiar de doenças cardíacas.
Dor intensa e abandono precoce
Outro problema comum nesses casos é a dificuldade em voltar ao ritmo desejado de exercícios, por quadros arrastados e repetitivos de dores musculares intensas, lesões, inflamações e fadiga relacionadas à prática da atividade. Muitas lesões demandam tempo prolongado para recuperação e às vezes até cirurgias, o que explica a frequência de abandono precoce da prática esportiva.
Segundo o especialista, a melhor estratégia é priorizar regularidade e
progressão gradual. “É muito mais saudável manter uma rotina com exercícios
moderados e frequentes do que alternar longos períodos parado com treinos
extremamente intensos. O corpo responde melhor à consistência do que a picos
isolados de esforço”, conclui o médico.
Hcor

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