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sexta-feira, 20 de março de 2026

Após apreensão de fitas de clareamento dental ilegais pela Anvisa, especialista aponta como e quando realizar o tratamento da maneira correta

 Viralização de “whitening strips” no TikTok impulsiona uso sem orientação odontológica e acende alerta para riscos de desgaste dental 

 

A decisão da Anvisa de determinar o recolhimento de fitas de clareamento dental irregulares acendeu um alerta entre especialistas sobre os riscos da popularização de tratamentos estéticos sem acompanhamento profissional. O órgão do governo recolheu as fitas de clareamento dental Oiwhite, produzida pela empresa Belcher Farmacêutica do Brasil S.A., que viralizavam amplamente em redes sociais como o TikTok. 

Na plataforma digital, influenciadores divulgavam o uso das chamadas whitening strips com promessas de resultados rápidos e de baixo custo. Muitas das opções, no entanto, não possuem registro sanitário no Brasil e não poderiam ser aplicadas sem o intermédio de um profissional de odontologia, apresentando riscos para a saúde dos usuários. No site oficial da Oiwhite, as fitas clareadoras são vendidas pelo valor de R$159,90. 

De acordo com um artigo publicado pela Revista Archives of Health Investigation, clareamento dental é o termo mais pesquisado pelos brasileiros no Google entre procedimentos estéticos odontológicos. Segundo Leonardo Acioli, dentista e CEO da SorriaMed, o procedimento deve sempre partir de uma avaliação clínica para identificar a causa e a necessidade do clareamento. 

“O clareamento acabou sendo visto como algo simples, quase um produto de prateleira. Mas, na prática, ele envolve critérios técnicos importantes. A autoaplicação dessas substâncias pode desgastar o esmalte dental, aumentar a sensibilidade, provocar queimaduras gengivais e, em casos graves, até comprometer a estrutura do dente”, explica Acioli. 

Ele destaca que produtos vendidos online ou divulgados em vídeos muitas vezes não apresentam controle sobre a concentração dos agentes clareadores, fator essencial para a segurança e sucesso do procedimento. Além das fitas clareadoras, outros conteúdos continuam circulando nas redes com promessas de clareamento caseiro, incluindo receitas com bicarbonato, carvão ativado e soluções ácidas. 

“Esses métodos são especialmente agressivos. Eles combinam abrasão com acidez, o que fragiliza a estrutura do dente e pode causar danos cumulativos. Muitas vezes o efeito inicial engana e agrada o indivíduo, mas o prejuízo aparece depois com dentes mais fracos e quebradiços”, alerta.
 

Casos em que o clareamento é recomendado  

Apesar da popularização dessas alternativas, o clareamento dental continua sendo um procedimento indicado para pessoas que desejam uma melhora estética do sorriso, desde que feitos da maneira correta. Segundo Acioli, o primeiro passo é entender a origem do escurecimento, que pode estar ligado tanto ao envelhecimento natural quanto a hábitos como fumo e consumo frequente de vinho e refrigerantes. 

Com o tempo, é comum que os dentes fiquem mais amarelados devido ao desgaste do esmalte, que torna a dentina mais evidente. Em outros casos, manchas externas vão se acumulando e acabam penetrando na estrutura dental, tornando-se mais resistentes à limpeza convencional. 

“Quando a profilaxia não resolve mais a coloração, é um indicativo de que o clareamento pode ser necessário. Mas isso precisa ser avaliado, porque cada tipo de mancha responde de uma forma diferente ao tratamento”, explica o dentista. 

Outro cenário comum é quando há diferença de cor entre dentes naturais e restaurações antigas, o que pode gerar desconforto estético. Nesses casos, o clareamento costuma ser utilizado como etapa inicial para padronizar o tom do sorriso antes de ajustes restauradores. 

O CEO da SorriaMed aponta que hoje existem diferentes abordagens disponíveis, como técnicas supervisionadas para uso em casa, com o uso de moldeiras personalizadas feitas em consultório a partir da arcada dentária do paciente. Além disso, o procedimento pode ser combinado com tratamentos em consultório com tecnologias específicas pouco invasivas. A escolha do método depende do perfil de cada paciente e da sua disposição para ter atitudes diárias que colaboram com o tratamento, seja a eliminação do hábito do fumo, por exemplo, seja o uso correto e recorrente das moldeiras. 

“O clareamento não é apenas uma questão estética, ele envolve saúde dental e também autoestima do paciente e, por isso, precisa ser conduzido com planejamento. O papel do dentista é justamente garantir que o paciente alcance o resultado sem prometer milagres do dia para a noite, ressaltando as possibilidades e a necessidade de comprometimento para o sucesso do tratamento”, conclui Dr. Leonardo Acioli.

 

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