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terça-feira, 24 de março de 2026

Dor de cabeça extrema: especialista esclarece cinco dúvidas sobre a cefaleia em salvas


A mais intensa e incapacitante entre as cefaleias (termo médico para dor de cabeça) surge de forma súbita e alcança o pico da dor em poucos minutos. A cefaleia em salvas afeta cerca de 8 milhões de pessoas no mundo, segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia. 

No entanto, até obter o diagnóstico correto, muitos pacientes enfrentam uma verdadeira peregrinação por diferentes especialidades médicas, passando por diversas consultas, até finalmente chegar ao neurologista, o profissional mais capacitado para reconhecer a condição e conduzir o tratamento de forma adequada e assertiva. 

Há mais de 20 anos, a neurologista Thais Villa dedica-se exclusivamente ao diagnóstico e tratamento da enxaqueca e ao estudo e cuidado de pacientes com dor de cabeça. A médica responde a seguir as cinco principais dúvidas sobre a cefaleia em salvas:


1) O que é a cefaleia em salvas?

A cefaleia em salvas é uma apresentação de dor de cabeça em que a pessoa tem períodos limitados de crises muito severas, várias vezes ao dia, durante um período determinado que pode ser de semanas até meses. Essas crises podem se repetir a cada ano ou duas vezes no ano e, depois, essas crises autolimitadas param de acontecer.

O problema é que são crises muito severas. Então, mesmo que elas aconteçam por 15 dias ou por um mês, a dor é excruciante e limita completamente a atividade da pessoa.


 

2) Quais as principais características da condição?

A cefaleia em salvas caracteriza-se por uma dor unilateral, que se manifesta sempre do mesmo lado da cabeça (raramente apresentando alternância entre os lados). Com dor ao redor dos olhos e, principalmente, na têmpora. É uma dor excruciante com duração curta de 30 a 40 minutos.

Diferente da enxaqueca, as pessoas tendem também a apresentar uma agitação extrema, olhos vermelhos, lacrimejamento ocular, narinas entupidas do mesmo lado da dor de cabeça. As características da cefaleia em salvas são bastantes típicas e a severidade é realmente muito intensa.


 

3) É verdade que a cefaleia em salvas é mais comum em homens?

Sim, a cefaleia em salvas é uma apresentação de dor de cabeça mais comum em homens, a explicação que se sabe até hoje é por motivo de uma combinação de fatores biológicos, hormonais e comportamentais, e também relação com o tabagismo.

É comum quem tem cefaleia em salvas ter enxaqueca também, inclusive com aura, que são sintomas neurológicos positivos como alterações visuais, flashes, pontos escuros e luminosos, embaçamento visual ou mesmo com perdas momentâneas de audição ou olfato.


 

4) Como é feito o diagnóstico?

Não existe exame que demonstre a cefaleia em salvas, o diagnóstico é totalmente clínico, realizado por um médico especialista para reconhecer o quadro. Por se apresentar em espaçamento de tempo mais longo e por ter características diferentes e muito específicas, o diagnóstico acaba sendo tardio, apesar de existir um tratamento de prevenção.


 

5) Prevenção e tratamento

A indicação para o paciente sair mais rapidamente do período de salvas é o procedimento de bloqueio anestésico, que pode ser em períodos próximos e seriados, além do uso de oxigênio durante as crises para evitar a medicação com analgésicos, que não são indicados para os pacientes com essa condição e podem postergar a duração das salvas. Existem tratamentos preventivos a base de medicações, atualmente usamos medicamentos anti-CGRP, aprovado em estudos para esse tipo de doença.

O importante é que o paciente procure rapidamente o serviço especializado e tenha uma avaliação que também considere hábitos como o tabagismo e, principalmente, a instituição do tratamento para evitar que a salva se torne crônica. As crises podem complicar e, em vez de vir em momentos espaçados, podem nunca mais passar. Já atendemos vários casos em que o paciente entra numa salva de crises que nunca mais terminam, tornando a doença crônica e diária.

Por isso, se a pessoa tiver qualquer tipo de dor de cabeça com as características da cefaleia em salvas, a orientação é que busque urgente o atendimento especializado.



Dra Thaís Villa (CRM 110217) - Neurologista especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca. Doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Pós-Doutorado pela Universidade da Califórnia (UCLA) nos Estados Unidos. Idealizadora do Headache Center Brasil, clínica multiprofissional pioneira e única no país no diagnóstico e tratamento integrado das dores de cabeça e da enxaqueca. Professora de Neurologia e Chefe do Setor de Cefaleias na UNIFESP (2015 a 2022). Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia. Membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Membro do Conselho Consultivo do Comitê de Cefaleias na Infância e Adolescência da International Headache Society. Atua exclusivamente na pesquisa e atendimento de pacientes com dor de cabeça, no diagnóstico e tratamento da enxaqueca, enxaqueca crônica, cefaleia em salvas e outras cefaleias. Palestrante convidada em congressos nacionais e internacionais.


Headache Center Brasil
www.headachecenterbrasil.com.br
Instagram: headache_center_brasi
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