No mês de conscientização sobre o HPV, especialista do Vera Cruz Hospital alerta para importância de ampliar a imunização masculina
No mês em que se celebra o Dia Internacional de Conscientização
sobre o HPV, Campinas se apresenta com um dado positivo, mas que ainda revela
um desafio importante: enquanto 93% das meninas de 9 a 14 anos já foram
vacinadas contra o vírus na cidade, a cobertura entre os meninos é de 77%. A
diferença acende o alerta para a necessidade de ampliar a imunização masculina
e reforçar a proteção coletiva.
O tema ganha relevância diante do cenário global. Estimativa da
Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que cerca de 630 milhões de pessoas
estavam infectadas pelo HPV em 2024. No Brasil, calcula-se que entre 9 e 10
milhões convivam com o vírus, com aproximadamente 700 mil novos casos
registrados a cada ano. Transmitido principalmente por via sexual, o HPV é
extremamente comum: cerca de 80% da população sexualmente ativa terá contato
com o vírus em algum momento da vida. Existem mais de 200 tipos identificados,
alguns associados a câncer de colo do útero, vagina, vulva, pênis e orofaringe,
além de verrugas genitais.
Segundo a ginecologista e mastologista do Vera Cruz Hospital, em
Campinas (SP), Andréa Laureano, a vacinação é a principal estratégia de
prevenção. “Embora a maioria das infecções seja eliminada naturalmente pelo
organismo, não é possível prever quem evoluirá para lesões ou câncer. A vacina
quadrivalente protege contra os tipos mais comuns do vírus do HPV, dentre eles
o 16 e o 18 que são potencialmente mais oncogênicos, tem maior risco de causar
câncer”, explica a especialista.
A médica reforça que a vacinação contra o HPV é essencial tanto
para meninas quanto para meninos, como estratégia de proteção individual e
coletiva. “A imunização é fundamental para reduzir a circulação do vírus e
prevenir diferentes tipos de câncer associados ao HPV. Ampliar a cobertura
vacinal, especialmente entre os meninos, é um passo importante para garantir
mais proteção às próximas gerações”, destaca.
No Brasil, a vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo
Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos, com meta de
alcançar 90% de cobertura vacinal. Até junho, a imunização foi ampliada para
jovens de até 19 anos, como estratégia para aumentar a adesão. O país tem
avançado na cobertura, mas ainda enfrenta dificuldades para atingir índices
homogêneos, especialmente entre o público masculino.
A vacina disponibilizada pelo SUS é a quadrivalente, que protege
contra quatro tipos do vírus, incluindo os subtipos 16 e 18, responsáveis por
cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero, além dos tipos 6 e 11,
associados às verrugas genitais. Na rede privada, há a opção nonavalente, que
amplia a proteção para nove subtipos. “Ambas são seguras e eficazes. A
diferença está no número de variantes cobertas”, esclarece Andréa.
A vacinação é recomendada antes do início da atividade sexual
porque em pessoas jovens a resposta é mais robusta. Mesmo quem já teve contato
com o vírus pode se beneficiar. “A vacina amplia a proteção contra outros
subtipos e pode oferecer imunidade cruzada”, afirma. Sobre segurança, Andréa é
categórica: “Os efeitos adversos costumam ser leves, como dor ou inchaço no
local da aplicação. Não há evidência de que a vacina interfira na fertilidade
ou estimule o início precoce da vida sexual.”
Além da imunização, o uso de preservativo segue sendo recomendado.
“O preservativo feminino, por exemplo, oferece uma proteção mais ampla da
região genital, inclusive contra lesões externas”, orienta. Para a
especialista, o avanço da cobertura vacinal é decisivo para mudar o cenário da
doença no futuro. “Temos uma ferramenta eficaz disponível. A diferença entre
controle e aumento de casos está na adesão”, conclui.
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